O grau educacional das mulheres subiu no mundo todo e, evidentemente, também no Oriente Médio e mundo muçulmano. Esse importante avanço social veio acompanhado de amplos debates sobre o papel das mulheres nas sociedades. As mulheres muçulmanas têm enfrentado resistências neste avanço, cujas justificativas conservadoras, muitas vezes, dialogam com o Islã – como religião e como tradição.

O caso da deputada Ilhan Omar, democrata, somali-americana, eleita este ano nos Estados Unidos é emblemático. Ela é criticada, ao mesmo tempo, por algumas mulheres que a veem como defensora da Shari’a, por lideranças políticas do mundo árabe por ser vista como pró-ocidente e por outros, como Donald Trump – ao seu estilo inconsequente – que a acusam de antissemitismo e pedem sua renúncia.

O mesmo turbilhão de críticas aparece em outros casos notórios como o da própria Malala Yousafzai, que na visão de alguns, estaria se ocidentalizandoE outros, cuja dimensão é mais restrita – mas não menos importante – como da cartunista egípcia Doaa el-Adl, recorrentemente acusada de blasfêmia e da também artista tunisiana Nadia Khiari, cuja obra fala abertamente sobre estupro, casamento forçado e poligamia. Movimentos autônomos e legítimos de muçulmanas são acusados de fornecer argumentos para discursos islamofóbicos, como as denúncias contra assédios sexuais durante o Hajj (a peregrinação à Meca), movimento inicialmente incentivado pela jornalista e ativista egípcia Mona Eltahawy com a hastag #MosqueMeToo, que hoje está presente em vários países muçulmanos e tem a participação ativa através de depoimentos de muitas muçulmanas.

E quando mulheres muçulmanas são críticas à religião? E quando querem deixar o islã, como são tratadas? Quais são as dificuldades que enfrentam? A somaliana e naturalizada holandesa Ayaan Hirsi Ali e a indiana Gita Sahgal enfrentam estes dilemas pagando, muitas vezes, um preço alto por isso. E o seu extremo contrário? Como lidar com posturas de ativistas e pesquisadores que podem ser caracterizados como islamófilos?

Lideranças progressistas como a rainha da Jordânia, Rania Al-Abdullah, buscam com dificuldades romper barreiras que podem levar a inovação e aos investimentos no Oriente Médio, atendendo, especialmente, às mulheres, que muitas vezes em países mais conservadores têm sido discriminadas e impedidas de cursarem exatas/engenharia e afins, entendidas como “profissões masculinas”.

Linda Sarsour, nascida na Palestina e naturalizada estadunidense foi uma das organizadoras da marcha das mulheres, uma das primeiras grandes manifestações anti-Trump em 2016, estando no centro deste debate as afirmações identitárias, os temas universais e as mobilizações políticas.

Podemos também pensar nas críticas às feministas que atuam com o paradigma islâmico, como a iraniana Ziba Mir-Hosseini e a afro-americana Amina Wadud, que mesmo tendo amplo apoio e adesão de mulheres muçulmanas em diversos países do Oriente Médio e mundo muçulmano, de um lado são criticadas pela sua defesa do Islã, e por outro são vistas como ocidentais e sem legitimidade para falarem pelas muçulmanas.

Quais são as vozes e os principais desafios do debate de gênero no Oriente Médio e Mundo Muçulmano? Quais movimentos feministas podemos desenhar a partir das mobilizações das mulheres muçulmanas? Como as mulheres em países do Oriente Médio e mundo muçulmano estão se organizando para combater temas nevrálgicos como a violência e a exclusão dos espaços públicos e políticos? E como o machismo, a misoginia e o ressentimento aparecem – e permanecem – em meio às transformações modernizantes? Quais são suas consequências?

Estas questões podem, de alguma maneira, dar início a um amplo debate sobre o protagonismo das mulheres no Oriente Médio e Mundo Muçulmano, direcionando discussões mais amplas para compor esta próxima publicação da Revista Malala.

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