“There is a sad law I have noticed in my economics career: the poorer the country, the poorer the economic analysis applied to it.”
William Easterly

Há acadêmicos que conseguem polemizar suas disciplinas, trazendo idéias heterodoxas e mudando o curso de debates. Parece ser esse o caso de William Easterly, professor de economia da New York University. O autor trabalhou por mais de uma década no Banco Mundial lidando com projetos de ajuda para países em desenvolvimento e é, hoje, um especialista na área. Para um desavisado observador, ele poderia atuar na luta contra o subdesenvolvimento ao lado de personalidades como Bill Gates, Bono Vox e Jeffrey Sachs.

Crasso erro. O autor é um dos maiores críticos da chamada “ajuda internacional”, tanto a engendrada por programas de instituições como o FMI e Banco Mundial, como as decorrentes de atividades de ONGs. Para Easterly, em meio século essas atividades não só falharam como geraram graves problemas para os países mais pobres do mundo – foram, enfim, ajudas para o subdesenvolvimento. A razão está no fato de esses programas partirem de premissas utópicas derivadas de uma mentalidade “colonizadora”, que assume possuir o monopólio do conhecimento da realidade do subdesenvolvimento. Além do mais, esses programas são muito pouco responsivos aos feedbacks de suas falhas, nem as instituições que os implantam responsáveis pelos erros de suas iniciativas. Em vários casos, de acordo com o autor, grande parte do tempo dessas instituições é despendido em atividades cosméticas ou periféricas – como seminários, shows para captação de recursos ou programas de distribuição de laptops -, enquanto problemas mais simples como combate à malária são negligenciados.

O último livro de Easterly, “The white man’s burden: Why the West’s efforts to aid the rest have done so much ill and so little good” é uma síntese dessas idéias, com dezenas de estudos de casos concretos que exemplificam o ponto de vista do autor. O livro gerou um terremoto nos debates sobre ajuda internacional, principalmente pela forma lacônica e até cínica que certas entidades, personalidades e iniciativas são retratadas no livro. O autor não diminuiu suas críticas, tendo agora publicado o rascunho de mais um trabalho, chamado “Was Development Assistance a Mistake?” – pelo título já é possível ter uma idéia do conteúdo do trabalho.

Importante salientar que esses trabalhos não circulam somente na torre de marfim da academia: ganham cada vez mais espaço nos debates das próprias instituições que lidam com ajuda internacional, além de ter atingido as colunas de prestigiados jornais, como o Financial Times e o Wall Street Journal. Neste último, Easterly é um ativo colaborador. Hoje, por ocasião do cinquentenário da independência de Gana, o autor redigiu mais um ataque às políticas de ajuda internacional. Fiquem com um trecho do artigo:

There has been progress in many areas over the last 50 years (…) yet the same poor economics on sale to Ghana in 1957 are still there today. Economists involved in Africa then and now undervalued free markets, instead coming up with one of the worst ideas ever: state direction by the states least able to direct. (…)

Why was state intervention considered crucial in 1957? Africa was thought to be in a “poverty trap,” since the poor could not save enough to finance investment necessary to growth. Free markets could not get you out of poverty. The response was state-led, aid-financed investment. Alas, these ideas had already failed the laugh test then, as the late economist P.T. Bauer pointed out. The U.S. in 1776 was at the same level as Africa today, yet it escaped the poverty trap. The same was also true for the history of Western Europe, Australia, Japan, New Zealand and Latin America. All of these escapes from poverty happened without a state-led, aid-financed “Big Push.”

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