Como deve ser a desclassificação de 400 bilhões de documentos das mais diversas agências do governo americano? O Washington Post traz uma reportagem sobre a árdua atividade dos arquivistas do governo federal do país. O trabalho é sério e está no cerne de qualquer regime democrático, o que não deixa menos constrangidas as agências que produziram a documentação – e nem alívio para o contribuinte americano, que gastou mais de 7 bilhões de dólares em 2005 para a sua manutenção, processamento e armazenamento.

O artigo ressalta como a atividade de desclassificação pode ser deletéria aos próprios interesses de segurança nacional e como grande parte dos documentos classificados como confidenciais e secretos, na verdade, não deveriam ter recebido tal denominação no primeiro momento:

“(…) the archivists spend their days poring over these papers, straining their eyes, kinking their necks and knowing that a lot of those classified documents never needed to be classified in the first place. In the secrecy system, over-classification is rampant. On that point, people in and out of government agree. The 9/11 Commission Report decried the level of government secrecy as a national security obstacle. A Defense Department official testified before Congress in August 2004 that perhaps 50 percent of classified documents did not need that designation.”

O regime de processamento e desclassificação dos documentos americanos é transparente, considerando a delicadeza do trabalho, e, apesar de criticado, caminha progressivamente para a liberação da matéria prima que ajudará os historiadores a construir uma imagem mais complexa do passado recente do país. O Brasil ainda está longe de alcançar tal intento – arbitrariedades, eliminação criminosa de documentos, leis que garantem o fechamento eterno dos fundos e outras artimanhas garantem a nossa eterna ignorância sobre importantes nuanças do nosso passado. Há iniciativas para mudar essas políticas, mas o governo caminha vagarosamente quando o assunto é remexer o passado.

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