Potências emergentes do século XXI: causadoras da desordem sistêmica ou fruto do inevitável declínio de uma ordem?, por Bruno Hendler

Desde suas origens em Westfália o sistema internacional passou por reorganizações sistêmicas que alteraram a distribuição de poder e riqueza entre nações. De acordo com o nível de insegurança e competição entre Estados, é possível identificar uma oscilação entre pólos opostos, o caos sistêmico e a governança global. Esta decorre do exercício pleno de uma hegemonia, que difunde valores e constrói instituições que garantem sua supremacia. Já o caos sistêmico se dá quando o tripé do poder hegemônico (centralidade econômica, “poder suave” ou soft power e superioridade bélica ou hard power) tende a ser corroído e a hierarquia de poder e riqueza entre Estados e empresas sofre profundas alterações.

Para Giovanni Arrighi, o caos sistêmico pode ser definido da seguinte forma:

Quando há  uma escalada da competição e dos conflitos que ultrapassa a capacidade reguladora das estruturas existentes, surgem nos interstícios novas estruturas que desestabilizam ainda mais a configuração dominante de poder. A perturbação tende a reforçar a si mesma, ameaçando provocar, ou de fato provocando, um colapso completo na organização do sistema (Arrighi; Silver, 2001, p. 42).

Portanto, a crise e o colapso de uma ordem mundial decorrem tanto do enfraquecimento das “estruturas existentes” – alicerçadas no poder hegemônico – quanto da ascensão de “novas estruturas” que buscam, através da competição econômica e/ou da contestação política e militar, um rearranjo sistêmico, com uma nova divisão do trabalho, da riqueza e do poder.

O equilíbrio de poder com a superioridade de uma hegemonia prevaleceu nos dois últimos períodos de governança global da história. O século XIX foi marcado pela governança coletiva do Concerto Europeu sob a batuta da hegemonia britânica. De forma semelhante, o período chamado por Eric Hobsbawm (1995) de “era de ouro do capitalismo” (1945-1970) coincide com a última rodada de governança global, liderada pela hegemonia dos Estados Unidos. Sua assimetria política, econômica e cultural era rivalizada, apenas militarmente, pela União Soviética, e o sistema bipolar não se alterou ao longo de quase meio século. Portanto, a ordem, ainda que baseada no temor coletivo da guerra nuclear, prevaleceu em detrimento da mobilidade de poder das demais nações.

Se há semelhanças entre ambos os períodos de governança, também há similaridades entre os períodos de crise destas ordens. E o papel desempenhado pelas potências emergentes nas crises não pode ser desprezado. Afinal, os novos players que surgem nos interstícios da ordem hegemônica são causa ou conseqüência do declínio da ordem? As “estruturas existentes” perdem sua capacidade reguladora porque já nascem com contradições internas que se manifestam em determinado momento? Ou entram em declínio porque não são capazes de dar respostas sistêmicas aos desafios impostos por forças externas (as “novas estruturas”)?

O mais provável é que ambas as alternativas estejam corretas e sejam complementares, ou seja, há razões internas e externas para a crise das ordens hegemônicas. A principal causa interna é a corrosão do tripé hegemônico. A centralidade econômica é abalada pelo processo de financeirização da economia, quando atividades “virtuais” se tornam mais rentáveis do que os setores “reais” como produção e comércio, cujas taxas de lucro despencam. O soft power é corroído conforme a hegemonia perde a capacidade de convencer e cooptar aliados, e o hard power é ameaçado pela difusão para o resto do mundo de tecnologia bélica.

Já  a principal razão externa da crise é a emergência de novas potências. Regularmente aparecem desafiantes à ordem hegemônica, mas em épocas de governança, este poder consegue abrandá-los, seja pela cooptação consensual ou pela coerção. Porém, em épocas de crise das estruturas vigentes, abre-se uma janela de oportunidades para Estados não centrais de “abocanhar” os espaços outrora ocupados pelo tripé hegemônico. No caos sistêmico anterior, o hard power britânico foi ameaçado pela militarização e expansão da Alemanha e do Japão, enquanto que sua centralidade econômica foi rivalizada – e finalmente substituída – pela ascensão do capitalismo de grandes corporações dos Estados Unidos.

Portanto, o caos sistêmico é resultado da interação de duas variáveis (uma interna e outra externa) que “desestabilizam a configuração dominante de poder”. A questão é: até que ponto estas variáveis são identificáveis atualmente e qual o papel dos emergentes do século XXI na construção de uma nova governança global?

Ambas variáveis, interna e externa, podem ser identificadas atualmente. Em artigo publicado pela revista Veja em 1º de dezembro de 2010, Paul Kennedy sugere que os três pilares do poder norte-americano estariam em crise. Apesar de ser um indicador subjetivo, o “poder suave” seria o mais frágil devido à crescente incapacidade dos EUA em influenciar os emergentes. A deterioração da economia americana também seguiria seu rumo, pois, segundo o analista, os déficits comercial e orçamentário que chegam à casa dos trilhões são insustentáveis, assim como a desvalorização do dólar. Por fim, apenas o hard power norte-americano continuaria temporariamente inconteste, apesar de enfrentar ameaças não convencionais, como grupos terroristas, e a ascensão geopolítica da Rússia na Eurásia, da Índia no Oceano índico e da China no Pacífico. Apesar dos gastos exorbitantes com defesa, Kennedy afirma que “as frotas americanas serão eventualmente empurradas para bem longe das costas da Ásia”.

Interagindo com (e intensificando) a crescente impotência do tripé hegemônico estão os emergentes. O sistema se torna menos “governança” e mais “caos” conforme há uma reconfiguração de forças entre as duas forças. Conforme os novos players ganham relevância, acabam por agir em dois sentidos: a) anulação da antiga ordem: buscam invalidar muitas das instituições que mantêm a rígida hierarquia de poder da era de governança, e; b) construção da nova ordem: buscam desempenhar um papel protagonista nas instituições de governança global que surgirão das ruínas da ordem antiga. Estas duas diretrizes estão presentes na política externa dos emergentes do século XXI.

No crescente caos entre as nações, não há espaço para emergentes que sigam o exemplo da Alemanha imperial e nazista, que colocou em primeiro plano a anulação da antiga ordem através da confrontação militar. Mas tampouco é possível imaginar que as novas forças do século XXI se limitarão a construir uma nova governança global sem contestação das instituições da antiga ordem. Portanto, nem do muito, nem do pouco: vivemos o caos sistêmico sim, mas a reacomodação de forças não será acelerada por um conflito mundial e sim retardada por um longo processo de reposicionamento de forças entre establishment e emergentes.

Fontes bibliográficas

  • ARRIGHI, Giovanni; SILVER, Beverly J. Caos e governabilidade no moderno sistema mundial. Rio de Janeiro: Contraponto; Editora UFRJ, 2001.
  • HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos: o breve século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

 

Bruno Hendler é Mestrando em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília – UnB (bruno_hendler@hotmail.com).

 

5 Respostas para “Potências emergentes do século XXI: causadoras da desordem sistêmica ou fruto do inevitável declínio de uma ordem?, por Bruno Hendler”

  1. Procurar no tratado de Westefália a causa de consequentes alterações no poder económico e político é sem dúvida uma afirmação que encontrará consenço nos entendidos.
    Se Hobsbawn afirmava que em situações que lhes eram desconhecidas o melhor era não tecer considerações, o artigo em causa amplamente conhecido e tratado pelo escritor atrás mencionado, coloca à discussão um assunto sempre actual e por vezes não correctamente interpretado, o estado de direito, melhor dizendo, as alterações que o mundo esteve sujeito a partir do tratado de Westefália no século XVI ,Cconsequência de uma guerra sangrenta entre católicos e protestantes, foi responsável por uma reorganização fronteiriça na Europa e perda de poder espiritual por parte da igreja católica, através daconcessão de liberdade religiosa.
    O conceito de direito e relação entre estados irá provocar alternâncias de poder na Europa e resto do mundo. Por um lado o centro da economia mundo que tende a transportar-se para Londres. Antes Lisboa e Sevilha tiveram a mesma sorte, ou muito antes as ciades italianas.
    O tratado e fim da guerra dos trinta anos favoreceu a França e prepara este último para os acontecimentos a curto prazo, Revolução francesa e aparecimento de Napoleão Bonaparte.
    O tratdo marca a passagem da idade média para a idade moderna e prepara as condições para que potências emergentes se afirmem como detentoras económica, política e militarmente. A Alemanha após a depressão dos anos trinta aparece como sério obstáculo à presença inglesa e com o desfecho por todos conhecido .Este último conflito cujas causas são a reacção á ameaça ao capitalismo e igreja católica por parte da revolução russa e que favorece o aparecimento de ditaduras na Europa e que em união à crise económica e social, favoreceu o aparecimento de outro domínio, neste caso os EUA.
    Hobsbwan cuja ideologia é sobejamente conhecida e com uma visão histórica de futuro pouco habitual para os estudiosos da ciência, fez a previsão do colapso ou falência do regime soviético. Ele próprio, de orientação marxista fez considerações através de escritos conhecidos de que o fim do chamado império soviético não tardaria.
    Tomando em consideração escritos mais recentes, nomeadamente Henry Kissinger por exemplo, aponta a curto prazo uma nova ordem internacional em que zonas de influência outrora demarcadas, estariam sujeitas a um novo realinhamento e por isso uma nova ordem internacional apareceria em breve.
    Efectivamente, o futuro a breve prazo sobre o que ficou atrás mencionado é evidente nas políticas em prática de Pequim, Moscovo e Washington. Se a primeira com apoio dos países periféricos está a colocar em perigo a hegemonia americana nos domínios económico, financeiro e a médio prazo militar, a segunda tenta saír da letargia ideológica e manter a militar. A terceira não se conforma com o novo estado da situação resultante dos efeitos globalização e com tendência a dar mais peso ao eixo Pequim-Seul-Tóquio.
    A dinâmica da tróica EUA-EUROPA-EXTREMO ORIENTE está a provocar efeitos sociais e conómicos conhecidos em regiões outrora depauperadas económicamente e sob o ponto de vista social e político efeitos tremendos por exemplo na instabilidade governativa de muitas nações.
    Também Hobsbawn como outros historiadores afastados ideológicamente apontaram como previsíveis esta situação.
    A reacção de pensadores marxistas descontentes com a nova conjuntura internacional, tardam em apontarem soluções plausíveis.

  2. Bruno Hendler 07/01/2011 às 4:12 pm

    Edelvio, os fatos que você traz são muito interessantes e sem dúvida representam uma mudança profunda na relação Ocidente-Oriente. Andre Gunder Frank afirmava que a ascensão e supremacia do Ocidente (nesses últimos 5 séculos) foi na verdade o declínio do Oriente, e essas transformações que testemunhamos atualmente podem corroborar a tese de que o que chegou ao fim não foi apenas a hegemonia dos EUA mas a supremacia ocidental de forma geral. A incapacidade dos EUA de incorporar boa parte do Leste da Ásia (especialmente a China) à sua esfera de influência na Guerra Fria possibilitou o ressurgimento chinês autônomo – ao contrário do desenvolvimento japonês que, como você menciona, esteve intimamente ligado aos norte-americanos.
    Arrighi e Silver no livro “Caos e Governabilidade no moderno sistema mundial” estipulam duas condições para que a transição para um mundo apolar ou multipolar não seja catastrófica: 1) inteligência do Ocidente em se adaptar a uma posição menos destacada; e 2) capacidade da civilização sinocêntrica de fornecer soluções sistêmicas para problemas sistêmicos.
    Acredito que ambos os pontos ainda estão longe de se concretizar, mas não vejo a relação entre estes dois mundos como um potencial choque de civilizações. Conforme mencionei anteriormente, o lado positivo disso tudo é que se compararmos com as crises hegemônicas do passado, a atual pode ser considerada relativamente pacífica, pois, por mais que haja uma estabanada “guerra ao terror” em andamento, as rivalidades entre os emergentes e os países desenvolvidos dificilmente extrapolarão a esfera da competição econômica para se transformar em confrontação militar.

  3. edelvio coelho lindoso 06/01/2011 às 4:03 pm

    Caro Bruno, agradeço a atenção de uma resposta, que sempre me está esclarecendo ângulos antes ambíguos. Havia notado o engano no endereçamento logo de depois de enviado a redação. Lamento a ausência do dr. Giovanni, sem desmerecer a você. Vácuos são preenchidos e, sob a dualidade do comportamento humano, acertivas sôbre o devir, de fato, pode ser futurismo.
    O debacle econômico dos EUA, acho, não será consertado com emissão de papel sem lastro, de forma que a progressão dos outros tripés serão sempre transtornados por êsse lapso. Rico quando empobrece perde um tanto do seu elan, não se esvai imediatamente mas sofre um encolhimento, que de modo invisível se muda de enderêço. Impossível manter no mesmo nível a indústria em geral e a bélica em particular. A mobilidade castrense se atrofia por falta de manutenção. Está ai uma poliomielite retardada como aconteceu a Roosevelt, aos 39 anos, e a ruina lenta ou célere de uma hegemonia.
    Para a paz mundial o melhor tônus seria o de um grande espaço cultural e comercial, sem domínio geopolítico sôbre nação alguma. Concordo que o eixo de liderança será mudado em direção ao leste asiático amarelo, no tempo ótimo que êles delimitarem, nem antes, nem depois.
    Na apuração da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico(OCDE), entre 65 paises, ocorrida em Xangai, reportagem de Veja de 151210, mostra o campeoníssimo inconteste, nas matemática, leitura e ciências, nesta órdem, do Lig-Lig-Lé, e nas seguintes cinco posições, os amarelosSingapura, Hong Kong, Coréia do Sul e Taiwan, excessão para Finlândia(amarelo-esmaecido) em leituta, 3º, e ciências, 2º, e Japão, em ciências, 5º. Êsses são os Valores.
    O Japão, híbrido, poluido pelos valores americanos ocidental, nestes 65 anos pós guerra, em convívio íntimo até hoje no seu próprio território, onde a cirurgia plástica de olhos é pôr gelhas na pálpebras, é campeã, juventude loira é comum, músicas e roupas americanizadas e até passeata gay, entra em decadência cultural, e de 2ª economia mundial, entra em recesso. A china assume o 1º lugar, sobrepujando-a e aos EUA. Perdeu o apetite guerreiro e terceirizou sua defesa (permanentemente)?
    Como o Japão abafou brios, alienou sua defesa e dedicou-se à economia, A china também abafou brios quando viu Taywan invadida por bilhões de dólares em armamentos cedidos pelos yankees, circundou a ilha, do continente, com centenas de foguetes e nada reclamou à ONU. Tratou de sua economia. Japao sucumbiu, China, pacientemente espera o momento M de aparecer. Não adianta, o tempo oriental não tem azougue, o tempo ocidental é mercurial. Os modos são peculiares, A ver.

  4. Bruno Hendler 04/01/2011 às 6:39 pm

    Edelvio, obrigado pelos comentários. Infelizmente o
    Giovanni faleceu em 2009, mas deixou uma vasta obra que merece ser
    estudada por todos aqueles que não se contentam com a
    superficialidade das notícias do cotidiano. Ainda assim, talvez eu
    possa ajudar um pouco… A idéia do artigo é debater o papel dos
    emergentes nesse período caótico que transforma as instituições de
    uma antiga ordem numa nova rodada de governança global, com outros
    atores de peso e interesses nem sempre convergentes. Não por acaso,
    o debate sobre a crise do “tripé” hegemônico norte-americano tem
    ganhado espaço na última década e mereceria muitos artigos sobre
    cada uma de suas vertentes. O ponto é que, quando se fala de
    declínio de uma ordem mundial, costuma-se enfatizar a crise dos
    países do establishment ou a ação destrutiva/criativa dos outsiders
    emergentes. Para mim, a chave está na interação entre os dois, no
    binômio que Arrighi, baseado em Schumpeter, chama de
    “costume-inovação” em que os acordos políticos e a lógica
    empresarial de uma época são gradualmente substituídos por novas
    combinações entre Estados, empresas e sociedade. No passado, foram
    necessárias guerras monumentais para enterrar uma hegemonia e
    consolidar outra. A grande novidade (positiva) do atual caos entre
    as nações é que a redistribuição de poder e riqueza passará,
    necessariamente, pelo diálogo entre os pólos supostamente
    antagônicos. A interdependência complexa (e tudo o que há de bom e
    ruim nisso), tornou incabível uma guerra entre EUA e emergentes
    mais exaltados contra o Ocidente como China ou Rússia, por exemplo.
    Veja pelo lado positivo: a guerra cambial (debatida em outro artigo
    aqui no Mundorama) é, sem dúvida, um forte atrito entre
    establishment e outsiders, mas ainda assim não é exatamente o que
    podemos chamar de “guerra”, com bombas, tiros e derramamento de
    sangue. Tentei mostrar no artigo que o caos entre as nações não é
    resultado apenas da perda do tripé hegemônico e das atitudes
    unilaterais que o desgastam. É, também, fruto do protagonismo de
    atores não centrais que trazem para a agenda internacional temas
    que afetam diretamente a governança sistêmica e aceleram suas
    mudanças. As inovações que vem do “resto do mundo” acabam sendo
    construtivas ao propor mudanças políticas e econômicas, ou
    destrutivas, pregando o confronto de civilizações e apelando para
    fundamentalismos e rancores históricos. Eu, particularmente, espero
    que as construtivas prevaleçam. É muita pretensão estipular um
    “prazo de validade” para o poder norte-americano ou indicar a data
    de nascimento de uma nova hegemonia mundial. Não acredito que a
    China tenha capacidade de suceder os EUA assim como não acredito
    que qualquer outro Estado venha a substituí-los. Talvez não haja
    mais um “bastão imperial”. Arrighi sugere um mundo híbrido, em que
    a economia mundial será recentrada na Ásia Oriental mas os EUA
    continuarão superiores em termos de hard power. Já Wallerstein
    afirma que rumamos para a crise terminal, não da hegemonia
    norte-americana, mas do sistema-mundo capitalista. Enfim, faça suas
    apostas porque o jogo está em aberto…

  5. edelvio coelho lindoso 30/12/2010 às 3:31 pm

    Falando de poder hegemônico e dos três pilares que o sustenta, o político, o econômico e o bélico, referindo-se ao final da 2ª guerra e ao período da guerra fria, quando a URSS foi definhando na balança de poder, sustentada ao fim, pelo poder bélico precário e desembocando no acabamento da bipolariade, os EUA, parece, estão na mesma trajetória. Polìticamente encarada por emergentes, econômicamente, com atestado de vida prescrito, até 2020, e sustentando seu status de predominância num manquejante poder bélico. Operou um “big stick” depois substituido pela política da boa vizinhança e um panamericanismo sob sua batuta, pintou, bordou, enriqueceu após o “crash” de 1929, impôs ditadores em toda a América Central e do Sul, ao ponto de seu Ministro da Defesa, em entrevista sôbre a Democracia padrão, encampar patifes como o da República Dominicana, Leônidas Trujillo, respostou: é um patife, mas é. nosso patife. Houve o caudilho da Nicarágua, Anastácio Somoza, que a tinha como uma fazenda sua e, tome banana, paea o seu criador. Essas a base do Boogie Woogie do bom vizinho. Bom, tudo isso está ficando com cara de antepassado. O neutralista EUA, em 1942, por subestimar um potencial inimigo, foi severamento ferido em Pearl Harbour e impelido a participar na grande guerra; teve que sacar do seu bau e voltar da 5ª para 2ª marcha no seu processo de fortuna. No Brasil, encravou duas bases aéreas, em Recife e Natal, contratou com exclusividade toda produção de latex da Amazônia e, por gratidão, finda a guerra, levou sua sementes pa a Malásia, no Pacífico e fez uma enormissìssima extensão de plantação racional da hévea; o Brasil ficou muito agradecido. Seguindo o curso, no govêrno Lindon Jhonson, quis levar o Brasil ao Vietnan, recebeu de Castelo Branco uma cordial solidariedade admirativa.
    O Prf. Michael Mandelbaum, judeu, Diretor do Centro de Política Externa Americana, da JHU, lançou o livro “Superpotência Frugral”, prevendo o desmonoramento econômico americano dentro de mais dez anos. A constatação é: perca do poder político dessa democracia padrão, verificado na ONU desmoralizada pela dupla USA-Israel; Perca do poder econômico sèriamente capenga, quiçá em 2015; resta o último pilar, o poder bélico, já cambaleante. Para onde irá o bastão imperial? A china está subindo os degráus determinantes para o pódio? Ela tem o soft power. Ela já tem o hard power? Ela estará interessada, já, pelo poder político, para preencher êsse vácuo? Eu gostaria muito de saber como estão sendo lidas essas perspectivas, inclusive se continuará nun único polo ou se já haverá um segundo atleta com músculos aquecidos!
    Caro Giovanni, aguardo sua atenção, com as luzes que me quiser dar. Obrigado.

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