14 Respostas para “Triste Fim de Policarpo Social Mundial, por Paulo Roberto de Almeida”

  1. Fico agradecido pela atenção que o sr. disponibilizou ao responder aos pontos levantados pelos comentaristas de seu artigo.
    Embora alguns pressupostos sejam comuns na Economia entre a abordagem neoclássica e da economia ecológica, é necessário esclarecer que a Economia Ecológica presta maior atenção ao tripé (1) escala, (2) distribuição e (3) atribuição de forma muito mais acentuada que a microeconomia, por relacionar diretamente a questão da sustentabilidade dos ecossistemas e por ver a economia como parte do ecossistema e não como algo exógeno ou, pior, percebendo o ecossistema como parte da economia e não o contrário; o que resulta, ao se avaliar a forma como determinado modelo econômico (seja prezando o crescimento ou desenvolvimento econômico, mas entendendo-os como elementos diferentes e não necessariamente correlacionados) é vigorante, num verdadeiro modelo de depreciação dos recursos naturais, impactando não apenas a vitalidade do ecossistema, mas também as futuras gerações humanas. Inclusive, neste último ponto, Professor Paulo Roberto de Almeida, considero o grande fracasso do modelo neoclássico econômico na explicação de determinadas externalidades negativas que se desdobram em impasses políticos no processo de tomada de decisão relativo a formulação de políticas ambientais bem como na gestão econômica do meio ambiente.
    Então, considero que discutir novos modelos de desenvolvimento de caráter mais sustentável, sim, sem problema com essa terminologia, seja útil. Seja em Davos ou Porto Alegre. O que não concordo e aceito é a aceitação tácita de que “é isso ai”. O Fórum Social é fundamental como espaço de debate e criação de alternativas, com aspectos positivos e negativos. Ou o sr. acredita que em Davos, tudo ocorre de acordo com o padrão neoclássico de “racionalidade e informação perfeita” e por isso um espaço mais maduro e sem imperfeições? Seria inocência, em minha opinião. Até mesmo porque a discussão sobre a maior regulamentação sobre o sistema financeiro parecia um tema batido e “socialista” até alguns anos atrás… e o que vemos hoje? Ironia da vida.

  2. Clayton Mendonça Cunha Filho 15/02/2010 às 8:38 pm

    A Venezuela já é uma ditadura? Faça-me o favor! Pode até ser que um dia venha a sê-lo, pode até ser que o Chávez gostaria que assim o fosse e pode até ser (embora nisso eu não creia) que seja ele quem um dia assim a tornará, mas decretar que a Venezuela é hoje uma ditadura, não é coisa de analista político sério. No hipotético caso de que em 5, ou 10, ou 20 anos a Venezuela se tornasse uma ditadura pelas mãos do Chávez não é o suficiente para dizer que há hoje ela assim o é. Menos propaganda, senhor PRA, menos propaganda!

  3. Clayton Mendonça Cunha Filho 13/02/2010 às 8:52 pm

    PRA, sempre tentando usar sua erudição de doutor para ser o propagandista politicamente incorreto do capitalismo desenfreado, travestido de humorista. O FSM desempenhou um importante papel e pode até ter se esgotado, mas já cumpriu bastante na reativação da esquerda no mundo e especialmente na América Latina. Mas deixa ele continuar enterrando o defunto reiteradas vezes, isso só demonstra a importância do “morto”. Apenas nova versão de artigo já antigo e igualmente lamentável publicado na Revista Espaço Acadêmico.

  4. Agradeço aos meus leitores a gentileza dos comentários, o que evidencia que, mesmo sendo contrários (nao todos), pelo menos tiveram o cuidado de comentar.
    Formulo apenas algumas reações a temas e argumentos mais contundentes.

    1) Luiz Fernando Barreto Lima

    China, Venezuela, Cuba e outros países da mesma estirpe, nao vivem apenas sob uma bandeira social (e se for, está completamente esfarrapada), e sim sob ditaduras. Cuba e Coréia do Norte são totalitarismos, a China é uma plutocracia e hoje é mais capitalista do que o Brasil, mas acho que você nao sabe disso. A Venezuela já é uma ditadura, mas as pessoas pensam que se trata apenas de um coronel de esquerda bem intencionado. Acho que nao leram sobre o Mussolini…
    Acho que você deveria ler um pouco mais sobre Cuba, se informar melhor.
    Marx tinha um amigo que se chamava Engels. Hengel deve ser algum filosofo de Ipanema, mas sinceramente eu nao conheço…
    Meu caro, eu so posso lhe sugerir um pouco mais de leitura e estudo, pois acredito que você tem poucas informações sobre a situação nos países que você cita.

    2) Lívia Costa
    Bem, você pode considerar se nao teria sido melhor empregar o seu dinheiro comprando livros, pagando pizzas, se divertindo com coisas mais amenas. Mas, sempre é útil conhecer a realidade do besteirol do FSM.

    3) Você Amanha

    Eu prefiro debater com pessoas que assinam embaixo do que escrevem, como eu por exemplo. Anônimos se permitem certas coisas que eu nao me permito. Por exemplo, assumo responsabilidade pelo que escrevo, penso e falo.
    Acho que você deveria fazer o mesmo.

    4) Gustavo Mendonça
    Creio que você toca no ponto certo. Alguns ingênuos (mas muitos são de ma fé) ainda nao perceberam que Chávez tem o DNA do Mussolini.

    5) Ben Hazrael

    Concordo com você meu caro; eu deveria ter respeitado os eco-economistas sérios, mas o ponto nao era esse. Ou você acha que os antiglobalizadores ou altermundialista, como queira, leram os eco-economistas? Eles apenas condenam o capitalismo como predatório. As simple as that. A critica deles nao é econômica, é política. Eu apenas provoquei esse bando de ignorantes.
    De toda forma, a eco-economia nao desmente nenhum dos pressupostos da microeconomia, mas eu nao estou defendendo nenhuma teoria neoclássica, nem disse que achava o crescimento econômico exponencial. Apenas disse que os mecanismos de mercado conseguem precificar a raridade relativa dos recursos naturais quando inseridos no processo produtivo. Se você quiser me desmentir pode faze-lo, mas sem palavrório inútil e sim com argumentos econômicos, macro ou micro.
    Eu o escuto… e pode me escrever diretamente.
    Obrigado.
    Paulo Roberto de Almeida

  5. Gilmara Benevides 12/02/2010 às 10:56 pm

    Antes de tudo quero pedir desculpas, um milhão delas, mas devo discordar abertamente do autor do texto e, por contingência, de alguns comentaristas aqui. Eis o ponto fundamental: não vi nos comentários do professor Paulo Roberto um tipo refinado de humor, mas apenas uma ironia sarcástica que a meu ver se aproxima, mas muito de passagem, de algum preconceito social. Reitero, talvez tenha sido apenas uma impressão minha.

    Após reler o texto pude ver que, assim como devem ser improdutivos muitos discursos produzidos no Fórum Social Mundial, igualmente são improdutivos muitos argumentos contrários aos movimentos sociais, logo ao próprio FMS.

    Todavia, as atuais rodadas e reuniões promovidas pelos países “desenvolvidos” – vou incluir aqui também a COP-15 – também têm sido improdutivas. Há muito que esses encontros seguem diplomaticamente suas agendas internacionais, mas nada há neles de resoluções produtivas – e para nenhum de todos aqueles países!

    Muito útil teria sido, melhor que um desabafo sobre um passeio pouco divertido, uma análise interessante sobre reais motivos do fracasso desses encontros. Bem, esse é o papel de cientistas sociais e diplomatas, a meu ver.

    Mas é compreensível que nossa elite letrada pretenda se afinar mais com atitudes de países que se vangloriam como democráticos, mas que dão apoio indireto a golpes militares na América Central, América do Sul e que vendem armas a diversos países orientais – onde aliás chamam civis de “insurgentes” e de “terroristas”. É mais fácil isso do que tentar compreender as motivações que fazem reagir certos movimentos sociais, cujos participantes saíram das mesmas classes sociais marginalizadas como os atuais presidentes Lula e Evo Morales.

    Parece ser menos complexo tomar a parte pelo todo, exemplos: Cuba de Fidel, Venezuela de Hugo Chaves e Honduras de Zelaya. A meu ver, além de vício de linguagem, esse também parece ser um vício intelecto-moral. Enfim, a meu ver, o professor nos mostra aqui que seus argumentos são tão frágeis e improdutivos quanto os do FMS, das rodadas, reuniões e etc…

  6. Um ponto que considerei muito curioso da análise do Professor Paulo Roberto de Almeida foi:
    “esse palavrório inútil do ‘desenvolvimento sustentável’ a partir da correta aplicação dos princípios da microeconomia aos processos produtivos (sabem?: aquela coisa da precificação correta, com a escassez relativa dos bens no âmbito de uma economia de mercado com livre circulação de fatores; enfim, isso está nos manuais de economia que eles ainda não leram).”

    Assim como o autor sugeriu com humor ácido e quase britânico leitura da teoria econômica (enfaticamente a microeconomia ou economia neoclássica, como queira), eu sugiro que o Professor Paulo Roberto de Almeida leia mais sobre Economia Ecológica (coisa que não deve conhecer e se conhece não deve ter lido mais do que nota de rodapé). Porque “palavrório inútil” parece ser este que o autor reproduz com satisfação.
    Da forma como foi exposta essa argumentação sobre o “desenvolvimento sustentável” o autor pareceu acreditar, de forma ingênua, que o crescimento econômico é exponencial, para ver mais sugiro ler Herman & Daly, Economia Ecológica. Poderia até me alongar, mas creio ser desnecessário, até porque nem sei se o autor averigua os comentários sobre seus artigos.

  7. Gustavo Mendonça 08/02/2010 às 5:32 pm

    Excelente e bem-humorado texto. Ninguém nega que a combinação de capitalismo com democracia tenha seus problemas, notadamente desigualdade social. Não obstante, soluções possíveis e construtivas devem ser buscadas para aperfeiçoar o sistema, não proposições descabidas e impraticáveis. É lamentável que, ainda hoje, muitos no Brasil não percebem o regime de Chávez como o que realmente é: uma autocracia. Chávez suprime as liberdades individuais dos venezuelanos alegando saber, melhor do que eles próprios, quais são suas necessidades. Tal governante, onisciente e benevolente, simplesmente não existe. O caminho para o desenvolvimento passa necessariamente pela defesa das liberdades individuais e pelo fortalecimento do cidadão médio. E nesse aspecto, a combinação de democracia e capitalismo permanece insuperável.

  8. Você Amanhã 08/02/2010 às 1:24 am

    Neste mundo existem pessoas que gastam centenas de milhares de dólares com bonecas infláveis de luxo e hospedam seus cachorrinhos em hotéis cinco estrelas: já seria um mundo absolutamente ridículo e fracassado ainda que não houvessem as famigeradas criancinhas morrendo de fome quando não encontram aquela coxinha de 1 real para comer. É de surpreender que neste mundo um número considerável de doutores, diplomatas e professores de custosos centros universitários – o senhor Paulo Roberto se enquadra nas três categorias de porta-vozes do establishment – não consigam se manifestar senão como histéricos desprovidos de quaisquer qualidades críticas ou analíticas? E é de surpreender que neste mundo o idealismo e a ingenuidade se tornem uma necessidade elementar e uma virtude?

  9. Adorei o seu texto. Com humor delicioso, você disse tudo sobre o FSM. Participei neste ano e fiquei profundamente decepcionada com a alienação e fachada que tantas pessoas se englobam. Mais uma vez, parabéns.

  10. Luiz Fernando Barreto Lima 02/02/2010 às 2:25 pm

    Caro Doutor Paulo Roberto de Almeida, li com atenção sua análise sobre o Fórum Social Mundial. Creio, assim como o Senhor, que além o FSM sua juventude idealista está realmente perdida em meios a tantos novos problemas oriundos de uma sociedade não social como a qual vivemos.
    Porém, alguns pontos de vossa crítica me chamaram a atenção, não pela ironia utilizada em algumas passagens.
    Quando o Sr citou China, Venezuela, Cuba e outros países que vivem sob uma bandeira social, e ao mesmo tempo vão contra algumas liberdades básicas conquistadas pela sociedades capitalistas (liberdade de expressão, democracia e outros), me trouxe alguns questionamentos. Alguns poucos países que hoje teoricamente vivem sob regimes sociais, deveriam realmente abrir mão do interesse do Estado para com a sua população por alguns interesses que poderiam ruir o sistema ali implantado? Por exemplo Cuba, que localizada a poucos KM´s dos Estados Unidos e proíbe seus cidadãos de ir e vir está errada em fazer isso? Será que os cubanos, se tivessem essa liberdade, não seriam fatalmente enganados pelo grande ciência do marketing, e acabariam achando que realmente é melhor ter um Big Mac a sua disposição do que viver em um lugar onde não há pobres, (já que não há ricos também).
    Será que o Partido Socialista Chinês estava errado em limitar a produção e a liberdade de expressão do seu povo durante 40 anos, a fim de teoricamente garantir as mesmas condições para mais de 1 bilhão de pessoas. Caro Professor, diferente dessa juventude ingênua como o Senhor colocou, tenho total convicção que tanto China e Cuba não são e nem tampouco um dia foram sistemas sociais puritanos que pensou exclusivamente em seus cidadãos. Mas e o sistema capitalista, esse que garante ao Sr gastar seu dinheiro como bem entender garante o que a quem? o Sr. acha correto transformar arroz e feijão em mais um produto? Acha correto comer em restaurante de R$ 50 reais a refeição enquanto milhões de pessoas engordam comendo salgadinho de R$ 1,00 e ainda assim passam fome?
    Entendo que o FSM possa ser sim mais uma cópia de um movimento Europeu, assim como é a sua riqueza e a nossa pobreza. Afinal de contar foram eles que nos descobriram (?)! Mas continuo a concordar que realmente estamos perdidos nessa discussão, pois afinal de contas, a linha de pensamento que se contrapõe a sistema atual já existe a mais de 100 anos, junto com Marx e Hengel. Uma época e região em que o problema era apenas no proletariado e do pequeno burgês, diferente daqui, porém, resolvemos importar mais uma solução.
    Acredito que seria interessante espalharmos aos idealistas do FSM a última publicação do Le Monde Diplomatique Brasil (informativo também importada), onde é apresentado uma nova solução para os problemas de nossa sociedade, o Eco-socialismo, idéia essa bem tupiniquim, e porque não tupiguarani, pois os meus antepassados (indígenas) viviam em comunidades sociais respeitando a natureza, diferente do sistema capitalista, que lhe permite tantas coisas, mas deixará aos vossos netos tantos outros problemas. Sinceramente, espero que eles sejam tão idealistas quanto essa nossa juventude, pois eles terão que ajudar os meus a limpar o mundo.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s