14 Respostas para “Triste Fim de Policarpo Social Mundial, por Paulo Roberto de Almeida”

  1. Ben Hazrael ,
    Eu nao defendo nem Davos, nem Porto Alegre, e nunca achei que capitalistas fossem seres dotados de racionalidade superior aos academicos, cidadaos bem informados, estudiosos abertos, etc. Eles apenas tem a obrigacao de produzir lucros para si mesmos ou para seus acionistas, apenas isso, e nao sao modelos de sustentabilidade, até que isso represente lucros tambem.
    Voce condena a economia neoclassica, nascida no ultimo terco do seculo 19, por algo que ela nao tinha nenhuma capacidade de prever e de incorporar as suas equacoes.
    Os capitalistas, economistas e academicos que trabalhavam naquela epoca nao estavam, e nem podiam estar, preocupados com o esgotamento dos recursos naturais e com a poluicao ambiental, algo muito pouco disseminado 140 anos atras, nao havia sequer consciencia desses problemas, numa epoca de demografia galopante e de terras “disponiveis” para serem exploradas.
    TODA doutrina economica reflete a sua epoca, e o keynesianismo é tao demodé quanto o marxismo ou a economia neoclassica justamente.
    Seria apenas necessario constatar que modelos economicos sao necessariamente limitados e falhos, e que o problema ambiental ja deveria ter sido incorporado as equacoes de equilibrio de mercados, assim como o PIB deveria refletir a “amortizacao” da natureza.
    O que eu quis dizer é que essas coisas aparecem, tanto mais rapido que os mercados podem refletir a escassez relativa dos bens atraves dos precos, coisa que Davos faz muito melhor do que Porto Alegre, que acha que um bando de burocratas governamentais podem saber melhor do que os agentes economicos qual a melhor versao da teoria economica aplicar.
    Paulo Roberto de Almeida

  2. Cui prodest (Ou, para quem escrevo?)

    De vez em quando eu perpetro a ousadia de escrever para o Mundorama. Ou melhor, seus responsáveis é que cometem a ousadia de me publicar, posto que eu não escrevo especialmente para o Mundorama, em todo caso muito raramente, ou quase jamais, escrevo pensando no Mundorama, que é um boletim muito simpático e variado de relações internacionais, animado por esse gigante (stricto et lato sensi) da didática internacionalista que é o professor Antonio Carlos Lessa.

    Pois bem, meu último coup pervers foi um post sobre o inacreditável Fórum Social Mundial. Digo inacreditável, pois que nem mesmo seus promotores desonestos acreditam de fato nas bobagens que eles dizem (se o fizessem, além de desonestos, seriam ingênuos, o que talvez seja muito pior). Eles apenas vivem daquilo, de preferência sem trabalhar, com dinheiro público, ou melhor, com o meu, o seu, o nosso dinheiro. Como eu tenho alergia a burrice, mas ojeriza absoluta à desonestidade intelectual (se a palavra se aplica), eu não deixo passar uma oportunidade para cobrar um pouco, só um pouco, de coerência nas ideias (if any), como se isso fosse possível (mas, não custa cobrar, e eles deveriam pelo menos tentar).

    Meu último post foi este acima:
    http://mundorama.net/2010/02/02/triste-fim-de-policarpo-social-mundial-por-paulo-roberto-de-almeida/“>Triste Fim de Policarpo Social Mundial, por Paulo Roberto de Almeida
    2010 fevereiro 2

    Recebi, como seria de se esperar sendo tão provocador (confesso que deliberadamente), muitos comentários, alguns sorrindo comigo ante tantas inconsequencias desse bando de malucos que são os antiglobalizadores, outros indagando questões específicas (que respondo quando consigo entender, o que nem sempre é o caso), e um ou dois, finalmente, me criticando, o que é sempre bem-vindo (e agradeço sinceramente, não hipocritamente; tenho vários defeitos, mas não o dom da hipocrisia).

    As criticas são de dois gêneros, e já descarto a primeira por inepta, incompetente ou descartável:

    1) Eu seria um apologista do capitalismo, do neoliberalismo, seja lá o que for isso, e meus argumentos estariam errados, pois o capitalismo é de fato perverso, etc, etc, etc. Bem, digo que é inepta pois as pessoas que fazem esse tipo de rejeição de minhas críticas às posições dos antiglobalizadores, nunca, NUNCA, dizem em que as propostas dos maluquetes do FSM teriam alguma coerência intrínseca (ou até extrínseca, vá lá). Por outro lado, eu não sei porque ainda ando de carro velho e de baixa potência sendo um defensor tão acirrado do capitalismo: Wall Street certamente ainda não ouviu falar de mim, e ainda não me colocou no seu contracheque. Bem, não quero me estender, mas essas pessoas não distinguem racionalidade econômica e raciocínio lógico da simples peroração ideológica: elas devem estar com o parafuso dos modos de produção um pouco desajustados, e a cada momento de distração, soltam um capitalismo para variar. Elas talvez não saibam a diferença entre capitalismo e economia de mercado, ao que eu diria: minha gente, leiam Max Weber, leiam Fernand Braudel, leiam Albert Hirschmann, Jean Baechler (não confundir com o Jean Ziegler, por favor, pois este é do bando de perfeitos idiotas).

    2) A segunda crítica é aparentmente mais “séria”, mas ela se engana totalmente de foco. Diz um desses jovens afoitos que se o FSM não fosse importante, eu não estaria escrevendo tanto sobre ele. Se eu insisto em voltar ao assunto, repetidamente diz ele, é porque suas ideias (sic, tres vezes) sao relevantes.
    Bem, esse jovem ainda não percebeu uma coisa: eu escrevo justamente para ele, não para o bando de velhacos desocupados que animam e promovem esses piqueniques anuais sem qualquer relevância para o mundo real.
    Repitam comigo: nada do que se diz ou se aprova, unanimemente (comme il faut, quando se trata de pensamento único) nesses encontros regados a slogans vazios tem a mínima importância para o mundo real. Nada, nadica, necas de pitibiribas. Quem quiser me provar o contrário, ou seja, que alguma nova e relevante proposta emergiu desses jamborees, eu posso oferecer um livro ou dois. Precisando: que tenha emergido do FSM, não que já exista nas faculdades de humanidades — que também produzem uma tonelada de ideias inuteis — ou que circule na sociedade como produção, digamos, intelectual.

    Pois eu escrevo justamente para esses jovens idealistas que querem salvar o mundo dele mesmo, ou melhor, salvá-lo do capitalismo globalizador (ou vice-versa), mas que ainda leram pouco, estudaram menos ainda, e aprenderam só um tiquinho (e, no que depender de certos professores, vão aprender menos ainda, no que lhes resta de diversão universitária).

    Como eu sou uma pessoa que aprendeu nos livros ou com pessoas mais espertas, considero ser assim meu dever, digamos, espiritual, transmitir um pouco do que aprendi a esses jovens sedentos de sabedoria globalizante, mas que acabam encontrando apenas essas fontes barrentas da pilantragem universitária e das imposturas intelectuais desses velhacos da antiglobalização.
    Que posso fazer? Tenho essa vocação didática voluntária — e já vou avisando que não é dela que retiro meu sustento, nem faço desse hobby minha ocupação principal — e por isso fico assim de noite escrevendo para esses moços — como diria o Lupiscínio Rodrigues — que não sabem o que eu sei. Não por qualquer virtude extraordinária, ou inteligência excepcional, longe disso. Eu sou apenas um gajo esforçado, que lê muito, que pensa muito sobre o que leu, observou e retirou de sua experiência de vida, e que coloca essas reflexões à disposição dos mais jovens, posto que eu também já fui jovem e tive professores honestos e outros desonestos (talvez involuntariamente, concedamo-lhes essa dúvida).

    Finalizando, meu jovem, você que me acusa de bater em “cachorro morto” (talvez seja bem o caso), não é para o cachorro que estou escrevendo, nem para os “donos” dos cachorros, pois estes já incorporaram o cérebro dos cachorros.
    Estou escrevendo para você mesmo, e apenas aconselhando-o a abrir os olhos, ler e se informar um pouco mais, viajar pelo mundo (Davos é uma excelente estação de esqui, mas talvez você ainda não tenha dinheiro para ir lá), enfim aprenderem, de preferência de maneira autodidata, pois sempre se deve desconfiar de professores (inclusive deste que aqui escreve).

    Ser cético é um dever, mas deve-se sempre cultivar um ceticismo sadio, ou seja, opor ideias melhores, e mais coerentes, a ideias más, que são estas que não se conformam à realidade empírico, que não seguem os mínimos preceitos da lógica formal, enfim, que ficam no slogan vazio em lugar de ir para a pesquisa e confrontar os números. Ou seja, exatamente essas que estão no centro (e nas bordas também) do FSM.

    Eu, na verdade, estou pouco preocupado com os velhacos do FSM, meu objeto próprio são os jovens. Como observo com certa preocupação a marcha da mediocrização na universidade brasileira, e como constato que os jovens que me escrevem cada vez escrevem mais mal, sem uma exposição coerente das ideias, sem se fazer entender direito, eu me sinto, como dizer?, compelido a escrever estas bobagens que escrevo noite adentro, para ver se evito um pouco da mediocrização em curso e contribuo, minimamente que seja, com a tarefa da elevação intelectual de jovens como esse que me escreve me acusando de apologista do capitalismo.

    Acho que ele não encontrou argumentos para me rebater, e aí foi logo sacando o capitalismo e o neoliberalismo. Puxa vida, está ficando aborrecido debater assim…

    Paulo Roberto de Almeida (18.02.20100)

  3. Gilmara,
    Seu post demorou para entrar e eu fiquei lhe devendo uma resposta publica, ainda que tardia.
    Voce nao precisa pedir um milhao de desculpas, alias, nem duas, nem nenhuma.
    Que escreve publicamente, e provocadoramente, tem mesmo de ser criticado, ou pelo menos se sujeita a ter seus argumentos expostos a debate, execracao publica, denuncia, ridicularizacao, ou simples contestacao. Seja o que for, voce está em seu pleno direito de me criticar, ou aos meus argumentos.
    Confesso a voce, porem, que nao consegui encontrar em seu texto tao “desculposo” nenhuma critica direcionada a algum argumento meu em especial.
    Voce diz que eu fiz sarcasmo, o que nao tenho nenhum problema em reconhecer.
    Eu sou assim: quando acho alguma ideia ridicula, eu tenho a petulancia de dizer publicamente que essa ideia é ridicula.
    O FSM, por exemplo, eu acho que é um jamboree de jovens idealistas, manipulados por velhacos mal intencionados, que sao profundamente desonestos (nao intelectualmente, pois o termo nao se aplica a eles) conceitualmente, e que só tem ideias ridiculas para expor.
    Quem discordar de mim, pode dizer, mas nao adiante me xingar, ou dizer que estou errado.
    PRECISA DIZER, CLARAMENTE, QUAIS IDEAIS (IF ANY) DESSE BANDO DE VELHOS ANTIGLOBALIZADORES RIDICULOS SE SUSTENTA NAS QUATRO PATAS.
    Ou seja, precisa provar que alguma ideia faz algum sentido, por minimo que seja. Nao deixo por menos. Quem faz afirmacoes, tem o dever de provar.
    Eu, em meus textos, digo porque, como, em que condicoes, as propostas desse bando de frustrados politicos e incompetentes economicos sao absolutamente non sense, surrealistas, coisas de Groucho Marx, ou talvez de dadaistas desvairados.
    Voce Gilmara, diz que os argumentos contrarios ao FSM (que seriam supostamente os meus) tb sao improdutivos, mas nao diz em que, como e por que. Sinto muito mas nao consigo saber o que voce quis dizer e portanto nao posso debater.
    Se voce afirma algo, tem o dever de expor claramente o que pretende, do contrario nao existe debate.

    Por outro lado, concordo com voce sobre a inutilidade completa de muitas reunioes multilaterais, mas sinceramente nao sei do que voce esta falando quando critica as elites da AL: o que, ou quem está em causa aqui?
    Voce está falando do Hugo Chaves, do Alvaro Uribe, dos neoliberais, dos bolivarianos, todos eles sao elites, algumas mais esclarecidas do que outras.
    Existem pessoas, por exemplo, tao reacionarios que, ao tentar criar uma fantasia do seculo 21, estao na verdade voltando ao seculo 19. Como diria Marx, querem fazer girar para tras a roda da Historia. Nao tem maior reacionarismo do que isso, com a agravante de desmantelar a economia.
    Como esse tipo de filme ja foi visto na América Latina, no socialismo real, e atualmente em Cuba, so posso concluir que seus promotores ou sao masoquistas politicos, ou esquizofrenicos economicos, em todo caso, malucos completos.
    Politicas economicas, sociais, o que voce quis dizer.

    Sinto muito Gilmara, mas nao sei onde voce quer chegar. Acho que voce precisaria aprender a explicar melhor suas posicoes.

    Quando voce tiver criticas claras, perguntas precisas a fazer, eu terei prazer em responder…
    Paulo Roberto de Almeida (17.02.2010)

  4. Clayton,
    Cada palavra tem de vir sustentada nos fatos:
    1) Voce poderia dizer aos leitores qual seria o importante papel do FSM, por favor?
    2) Quais seriam as politicas publicas, nacionais e internacionais, que ele influenciou?
    3) Se o seu papel foi reativar a esquerda, deve cair naquela categoria da repeticao da Historia; voce sabe qual é, nem preciso lembrar…
    4) Voce pode indicar de qual artigo na REA este novo artigo foi copiado: tem de provar que foi copiado, comparando textos, fazendo tabelas de correspondencia, etc; se nao conseguir provar, ou você é um mentiroso, ou é um ingenuo, ou é um abusado, talvez os tres ao mesmo tempo…
    5) Quanto a Venezuela, creio que voce ainda nao teve tempo de ler sobre as trajetorias de Mussolini e Hitler, e ver quais medidas eles tomaram, o primeiro entre 1924 e 1936, na construcao do Stato totale, o segundo nos primeiros meses de 1933, entre fevereiro e junho. Leia um pouco de História, rapaz, isso ilustra.
    Paulo Roberto de Almeida

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