Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por ocasião da visita do Presidente da República Tcheca, Václav Klaus – Palácio Itamaraty, 24/11/2009

Excelentíssimo senhor Václav Klaus, presidente da República tcheca,

Senhora Livia Klausova,

Minha querida companheira Marisa,

Ministro Martin Pecina, ministro do Interior da República tcheca, por intermédio de quem cumprimento os demais membros da delegação,

Embaixador Antonio Patriota, secretário-geral das Relações Exteriores, por intermédio de quem cumprimento as demais autoridades brasileiras,

Senhores Embaixadores,

Senadores,

Deputados,

Convidados,

Companheiros da imprensa,

Meus amigos e minhas amigas,

Tenho grande prazer em dar as boas-vindas ao presidente Klaus, da República tcheca, nesta sua primeira viagem ao Brasil. Mas quero convidá-lo, desde já, a voltar no ano que vem. É que, em abril de 2010, estaremos comemorando os 50 anos da fundação de Brasília. Vamos recordar a epopeia que foi a construção desta nova capital. Lembraremos, em particular, o papel singular desempenhado por Juscelino Kubitschek, bisneto de um imigrante tcheco. Virou presidente da República, deu grande impulso à industrialização do País e realizou a antiga promessa de levá-lo para o interior.

Essa celebração será também uma oportunidade para a nação brasileira reafirmar seu apreço e carinho pelo povo tcheco, por sua contribuição para a construção do Brasil que hoje prospera neste cerrado.

Senhor Presidente,

Não imagino expressão mais eloquente do enorme potencial de amizade e cooperação entre nossos países. Somos o maior parceiro comercial da República Tcheca na América Latina. Desde o início de meu governo, nossas trocas triplicaram, alcançando US$ 670 milhões em 2008. Mas podemos fazer muito mais. As condições para isso já estão dadas.

Na contramão da tendência mundial, a economia brasileira retomou um crescimento vigoroso ainda este ano. Isso nos dá a certeza de que, em 2010, a expansão do PIB será superior a 5%. Está aí uma excelente opção para diversificar o comércio exterior tcheco. Isso verão os muitos empresários de sua comitiva, que amanhã estará em São Paulo e em Recife. Da mesma forma, a Comissão Mista bilateral ajudará a fortalecer nossos vínculos econômico-comerciais.

Por sua localização estratégica, a República Tcheca é um importante centro distribuidor de mercadorias e serviços para a Europa Central e do Leste. Isso a torna especialmente atrativa para os empresários brasileiros que, cada vez mais, buscam diversificar mercados.

O acordo de cooperação na área da defesa, que estamos negociando, permitirá trocarmos experiências no campo de operações internacionais de manutenção da paz. Ao mesmo tempo, devemos explorar nossas complementaridades industriais para promover o desenvolvimento de equipamentos de defesa.

Na área de educação, temos grande interesse em estimular o diálogo entre universidades brasileiras e tchecas e facilitar o intercâmbio de cientistas, pesquisadores e estudantes.

Senhor Presidente,

Somos países com vocação multilateral, voltados para a construção de consensos e para o diálogo. A presidência tcheca no Conselho Europeu, no primeiro semestre deste ano, empenhou-se no fortalecimento da parceria estratégica entre União Europeia e Brasil.

A reunião ministerial do Grupo do Rio-União Europeia, em Praga, reforçou nosso diálogo político em torno dos complexos desafios globais do século XXI. Contamos com o ativo envolvimento tcheco nas negociações sobre mudanças do clima. Como berço da revolução industrial, a Europa precisa assumir um papel de liderança.

O Brasil está fazendo sua parte. Vamos reduzir em quase 40% nossas emissões estimadas para 2020. Acredito que todos os países, especialmente os mais ricos, devem fazer com que a Cúpula de Copenhague produza resultados claros e ambiciosos.

Senhor Presidente,

Neste ano, celebramos 20 anos da Revolução de Veludo, que colocou a então Tchecoslováquia no caminho da democracia. Há 20 anos o Brasil realizava suas primeiras eleições diretas para presidente da República, pondo fim a décadas de regime de exceção. Sabemos, por experiência própria, como são preciosas as conquistas do pluralismo e da representatividade na construção de uma sociedade próspera e solidária.

Esses mesmos valores orientam a política externa brasileira. Somente com práticas mais democráticas moldaremos uma governança global verdadeiramente legítima e eficaz. Sem efetiva representação dos países em desenvolvimento, os organismos internacionais continuarão desacreditados. É esse ingrediente que fez do G-20 o principal foro da governança econômica mundial.

Com essa convicção defendemos, na OMC, que a Rodada de Doha assegure aos países mais pobres os benefícios do livre comércio agrícola. Precisamos, agora, democratizar as instâncias políticas e de segurança.

Por essa razão, esperamos trabalhar juntos pela reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Entendo esse gesto como um voto de confiança na capacidade brasileira de contribuir para a nova ordem mundial que todos almejamos.

É com esse espírito que convido todos os presentes a erguerem suas taças e brindarem comigo à saúde e à felicidade pessoal de Vossa Excelência, da sua esposa, e à amizade dos brasileiros pelo povo tcheco.

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