Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de abertura da III Cúpula do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul – IBAS – Nova Delhi, Índia, 15/10/2008

Quero felicitar o Governo indiano pela organização deste evento e agradecer a hospitalidade com que fomos recebidos.
Nossas boas-vindas ao Presidente Kgalema Motlanthe em sua primeira participação no nosso Grupo.
Sua trajetória política e militância no Congresso Nacional Africano muito contribuirão para o avanço do IBAS.

Meus amigos,
Estamos, hoje, fechando o primeiro ciclo de nossas Cúpulas.
Passo à condição de decano de nossa aliança, pois sou o único governante do IBAS que acompanha o Foro desde sua instauração.
Sei, por experiência pessoal, quanto já alcançamos e quanto temos a celebrar.
Cinco anos após sua fundação o IBAS já é uma referência no cenário internacional.
Não é possível falar em relações Sul-Sul sem mencionar nossa aliança.
Ela é identificada como a aliança de grandes democracias do Sul, um espaço de cooperação entre países emergentes que estão determinados a redefinir seu lugar na comunidade de nações.
Nessa empreitada, países com menor grau de desenvolvimento esperam de nós gestos de solidariedade e iniciativas concretas de cooperação e parceria.
Mas também somos países determinados a unir nossa voz sobre temas globais, contribuindo para a construção de uma nova arquitetura internacional, cada vez mais necessária neste momento de incertezas.
Essa responsabilidade é hoje muito maior.
Corremos o risco de ser vítimas de uma crise financeira gerada nos países ricos. Isso não é justo.
Nossos países reconstruíram suas economias com grande esforço.
Graças a isso vivem uma fase excepcional de expansão e de equilíbrio macroeconômico.
É inadmissível, assim, que venhamos a pagar pela irresponsabilidade de especuladores que transformaram o mundo em um gigantesco cassino, ao mesmo tempo em que nos prodigavam lições sobre como deveríamos governar nossos países.
Se não quisermos ser arrastados por essa crise, não são suficientes medidas isoladas para resguardar nossos interesses nacionais.
Precisamos nos fazer ouvir coletivamente nas discussões e na tomada de decisões sobre assuntos com impacto global.
Não só sobre os temas econômicos e financeiros mas também sobre questões como o aquecimento global ou na formulação de respostas à insegurança alimentar e energética.
A comunidade internacional começa a reconhecer essa realidade.
Assim devemos entender a sugestão de personalidades como o Presidente Sarkozy, da França, e o Presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, para que nossos países participem mais diretamente na coordenação internacional para enfrentar a crise financeira.

Meus amigos,
Vejo com alegria que o Foro se renova sem perder seus avanços.
É esse o desafio que motivou nossa determinação de tornar o IBAS mais ágil e eficaz.
Para isso, estamos reunindo os 16 grupos de cooperação do IBAS, e convocando reunião de pontos focais.
Os eventos empresariais, culturais, acadêmicos e o Foro de Mulheres que foram organizados pela Índia reafirmam nossa ambição de fazer do IBAS um verdadeiro encontro de sociedades e culturas.
O IBAS não tem uma sede, não tem um secretariado permanente, não tem sequer um documento que legisla sobre sua estrutura.
Mas está aí, coeso e ampliado num exercício que se assenta em alicerces sólidos.
Provamos que havia razões profundas para nos associarmos e tirarmos proveito pleno de nossa aproximação.

Muito obrigado.

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