Testes balísticos na Índia e no Paquistão e a agenda de segurança na Ásia-Pacífico, por PET – iREL UnB

1. Objeto de análise: agravamento da crise política iniciada desde novembro de 2007, reunião de Doha e eleição de Michel Sleimane como novo presidente.

 

2. Informações de referência

  

2.1 Palavras-chave

- Líbano, Hizbullah, Movimento “14 de março”, consenso político, faccionalismo, confessionalismo.

 

2.2 Cronologia

14 de fevereiro de 2005 – Assassinato do então Primeiro-Ministro Rafiq Hariri, seguido por uma onda de assassinatos a outras figuras libanesas, políticos e jornalistas. Aumenta a pressão popular contrária à presença da Síria no Líbano.

Novembro de 2006 –

05 de agosto de 2007 – São realizadas eleições para dois assentos do flanco cristão do Parlamento cujos ocupantes anti-sírios foram assassinados. Kamil Khoury, opositor ao atual governo pró-Síria, vence o ex-presidente Amin Gemayel.  A outra vaga é ocupada pelo candidato governista Mohammad al-Amin Itani.

23 de novembro de 2007 – Émile Lahoud deixa a presidência ao final de seu mandato sem que um novo presidente tenha sido eleito. Siniora e seu gabinete assumiram o controle do executivo no dia seguinte. 

5 de dezembro de 2007 – Berri, presidente da Assembléia nacional declara que líderes da oposição apoiariam Michel Sleimane como presidente.

Março de 2008 – Cúpula da Liga Árabe em Damasco não consegue chegar a um acordo que resolva a crise presidencial instaurada no Líbano.

22 de abril de 2008 – o parlamento libanês não consegue eleger um novo presidente, em sua décima oitava tentativa desde o final de 2007. Michel Sleimane, chefe das Forças Armadas ameaça renunciar caso não se chegasse a uma acordo para a sucessão presidencial.

6 de maio de 2008 – escalada de tensões entre o Hizbullah e o governo, após anúncio de que as redes de comunicação mantidas pelo partido seriam uma afronta à soberania nacional.

7 de maio de 2008 – enfrentamento de facções pro -governo e pro -Hizbullah em Beirute deixam 10 mortos. A capital é paralisada por simpatizantes do Hizbullah.

8 de maio de 2008 – Hassan Nasrullah afirmou que a decisão do governo de desativar as redes de comunicação do Hizbullah seria interpretada como uma declaração de guerra contra o grupo. Enfrentamentos e trocas de tiro nas ruas de Beirute prosseguem, deixando vários mortos. Já no dia seguinte, as forças  da oposição ocupam Beirute Ocidental.

10 de maio de 2008 – Siniora afirma que o Hizbullah e seus partidários estariam ensaiando um golpe de estado. O exército se dispõe a intervir na questão das redes de comunicação do Hizbullah e exige que a oposição suspenda os combates.

O Hizbullah e grupos aliados começam a retirar seus combatentes de Beirute à medida que o exército avança; facções pró-governo e pró-oposição enfrentam-se em Trípoli. O exercito libanês é acionado para restaurar a segurança; ao menos 65 haviam morrido desde o inicio dos confrontos.

16 de maio de 2008- líderes políticos libaneses reúnem-se em Doha, sob os auspícios da Liga Árabe, para encontrar uma solução para a crise

21 de maio de 2008 – representantes do governo e da oposição entram em acordo após cinco dias de discussões.

25 de maio de 2008 – o parlamento libanês elege o general Michel Sleimane presidente, após dezoito meses de impasse político
 
 

2.3 Blocos políticos

 

Movimento 14 de março

Movimento 8 de março

 - caráter anti-síria

-compõe maioria no governo (16 ministérios)

- apoiados por Arábia Saudita, Egito, e Ocidente

- caráter pró- síria

- compõe a oposição (11 ministérios)

- apoiados por Irã e Síria

- partidos principais: Corrente do Futuro, Partido Socialista Progressista, Kataeb, Forcas Libanesas, Bloco nacional, entre outros

- principais representantes: Saad Hariri, Joumblatt, Geagea, Gemayel

- partidos principais: Hizbullah, Amal, Corrente Patriótica Livre

- principais representantes: Hassan Nasrallah, Nabih Berri, Michel Aoun, Emile Lahoud

 

 

3. Contextualização e repercussão

           

3.1 Globais

- a perspectiva de um Líbano estável, ancorado em um arranjo político composto de uma maioria anti-síria vai ao encontro das expectativas dos EUA e do Ocidente de modo geral;

- ainda que o consenso político atual crie condições para fortalecimento de instituições verdadeiramente nacionais, o que vai ao encontro das expectativas do Ocidente e da ONU, não foi previsto no acordo de Doha a desarmamento do Hizbullah, o que é exigido particularmente pelos EUA, que defende que o governo libanês tenha autoridade militar exclusiva sobre o território;

- uma vez alcançado o consenso político no país, a força política e jurídica do Tribunal Hariri se enfraquece. O tribunal parece ter deixado de ser uma questão prioritária até mesmo para a minoria pró-síria;

- as perspectivas de estabilização política e de conseqüente consolidação institucional viabilizariam investimento externo e os efeitos da cooperação internacional para o desenvolvimento seriam maximizados.

- os EUA teriam sugerido aos militares israelenses que tirassem proveito da crise política do Líbano para neutralizar o Hizbullah definitivamente. As instruções, entretanto, não teriam sido seguidas.

                 

3.2 Regionais

- os eventos reforçam a posição do Líbano enquanto palco para projeção de interesses estratégicos regionais. A fratura básica da política interna libanesa reflete, efetivamente, uma oposição entre visões estratégicas concorrentes no âmbito regional.

- por mais que o arranjo político atual diminua a influência direta da Síria na dinâmica política libanesa, a possibilidade de um Líbano estável agrada o governo de Damasco, em termos econômicos e estratégicos.

- a estabilidade do Líbano é um elemento essencial para um Oriente Médio estável e condição importante para a resolução do conflito Israel-Palestina.

- a Cúpula de Doha revelou a potencialidade da Liga Árabe enquanto um espaço multilateral eficiente para a resolução de crises regionais, posição grandemente afetada pelo boicote realizado à cúpula de Damasco em abril;

- durante a reunião de Doha, a influencia dos eixos opostos Arábia Saudita-Egito e Irã–Síria foi particularmente sentida e teve papel fundamental na definição dos termos finais do acordo.

 

3.3 Locais

- o estabelecimento do consenso político é o primeiro passo rumo a um governo forte, que tenha soberania de fato sobre o território e a instituições consolidadas que possam

- os confrontos entre as facções políticas ocorridos ao logo do mês sugerem que o país estaria menos perto de uma estabilidade política sustentável e menos longe do risco de conflito armado do que possa parecer: o governo ainda não detém o controle militar exclusivo do território e em certas regiões, a atuação do Hizbullah é mais preponderante que a do Estado.

- após o Acordo de Doha, observou-se um sucesso relativo do Hizbullah, embora o bloco pró-governo tenha ganhado ministérios, o partido da oposição manteve grande parte de sua autonomia, de modo que seu desarmamento nem tenha sido discutido durante as negociações no Qatar.

- a presença do Hizbullah em zonas que não estavam tradicionalmente sob seu controle é um fato preocupante que pode gerar um sentimento de revanche e mesmo o rearmamento de milícias sunitas, como na região de Beirute oriental.

- a retórica do consenso parece ter sido determinante para a conclusão do acordo: a maioria das facções políticas não se opõe a Sleimane, que conta inclusive com apoio sírio. Entretanto, há uma grave crise de confiança entre os atores políticos, agravada pelos enfrentamentos ocorridos em maio.

 

4. Cenários

 

O sucesso do novo governo libanês depende de uma boa administração da tensão entre manter o consenso político interno e atender aos interesses externos projetados em cada facção política. Tanto a maioria pró-governista como a oposição entraram e consenso ao aceitarem a candidatura de Sleimane e adotaram o certos compromissos no sentido de “construir um Estado fundado em um novo pacto social”. A presença de facções armadas, com grande poder político e militar e apoio – leia-se Hizbullah – é um fator de grande instabilidade no contexto libanês. O risco de remilitarização de algumas facções políticas em resposta às demonstrações de violência do Hizbullah ao longo do mês é uma possibilidade.

Desse modo, deve-se considerar que a evolução da inserção política do Hizbullah como elemento central da definição de qualquer cenário.  Contudo, a desmilitarização do grupo não parece ser provável no médio prazo.

(1) Caso o movimento respeite os princípios que defendeu nas negociações de Doha, coopere com o governo – forcas armadas inclusive – e abra mão do uso de armas em disputas políticas há espaço para um Estado libanês consolidado a partir das eleições legislativas de 2009.

(2) Entretanto, o país ainda apresenta um arranjo político frágil de modo que qualquer evento desestabilizador, como um atentado ou uma ameaça externa, poderia relançar o país em uma crise política. O risco de remilitarização de outras facções poderia, nesse contexto, transformar uma nova crise política em guerra civil.

 

5. Leituras sugeridas

Links

  

BBC News

www.bbc.oc.uk/news

 

Le Monde

www.lemonde.fr

 

L’Orient le Jour

www.l’orientlejour.com

 

Al-Jazeera

english.aljazeera.net

 

Stratfor

www.stratfor.com

Ainda sem comentários... Seja o primeiro a responder!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Gravatar
WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 1.195 other followers