Conflitos Internos da OPEP: Rumo a Uma Atuação Mais Política?, por PET – iREL UnB

1. Objeto de análise: Encontro de Chefes de Estado da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), realizado em 17 de novembro na Arábia Saudita. 

2. Informações de referência: 

      2.1. Palavras-chave: OPEP, 3ª Reunião de Chefes de Estado e Governo, Riade, Venezuela, Irã, Arábia Saudita, Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad, Vinculação do barril de petróleo ao dólar. 

      2.2. Cronologia:

  • 10-14 de Setembro de 1960: Período em que se realiza a Conferência de Bagdá. Nessa Conferência é criada a OPEP por cinco membros fundadores – Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela – como forma de contrapor o cartel das empresas petroleiras ocidentais, conhecidas como “Sete Irmãs”;
  • 15-20 de Janeiro de 1961: Período de elaboração e aprovação da Carta da OPEP que define os três principais objetivos da organização: (1) Aumentar a receita e promover o desenvolvimento dos seus membros; (2) Aumentar o controle da produção de petróleo; e (3) Unificar as políticas de produção;
  • Julho de 1971: Os países-membros da OPEP, reunidos em Viena, decidem nacionalizar suas reservas petrolíferas.
  • 16 de outubro de 1973: Primeira Crise do Petróleo. Motivados pela Guerra do Yom Kippur, produtores árabes declaram embargo a países aliados de Israel. O preço do petróleo sobe 400% nos cinco meses posteriores a outubro;
  • Março de 1975: Primeira Reunião de Chefes de Estado e Governo dos membros da OPEP, em Argel;
  • 1978-1981: Segunda crise do petróleo. O aumento do preço do barril se deve à queda na produção de petróleo, conseqüência esta da Revolução Islâmica no Irã e da Guerra Irã-Iraque. O barril de petróleo ultrapassa os US$40,00;
  • Março de 1982: É adotado pela OPEP um sistema de cotas diárias de produção cujo teto, conjunto, é de 17,1 milhões de barris.
  • 27 de novembro de 1992: O Equador, membro da organização desde 1973, retira-se da OPEP por discordar das cotas de produção estabelecidas;
  • Novembro de 1997: Após crise no sudeste asiático, aprova-se, para 1998, um aumento da produção para 27,5 milhões de barris por dia. (Obs: Ao final de 1998, o preço do barril já se encontrava abaixo dos US$10,00);
  • Setembro de 2000: Ocorre a 2ª Reunião de Chefes de Estado e de Governo, na Venezuela. O encontro tinha propósito estabelecer estratégias para aumentar o preço do petróleo, que no fim dos anos 90 se encontrava abaixo dos US$10,00;
  • Setembro de 2003: O governo interino iraquiano participa de uma reunião da OPEP pela primeira após o início da Guerra (20 de março de 2003) e anuncia que espera alcançar una produção de 6 milhões de barris em 2010.
  • 2004-2005: O preço do barril atinge níveis recordes, superando os US$70,00. Tal alta é em grande parte decorrente do aumento da demanda nos EUA e na China;
  • 17 de novembro de 2007: É realizado 3º Encontro de Chefes de Estado e Governo dos membros da OPEP. Nessa ocasião, o propósito inicial era discutir os impactos da indústria petroleira sobre o meio-ambiente. 

3. Contextualização e repercussão: 

  • A reunião estava marcada há meses, portanto não foi uma resposta à recente alta nos preços do petróleo.
  • A OPEP não atribui a alta do preço à escassez de oferta, mas principalmente à especulação financeira e à queda do preço do dólar (o baixo preço da moeda americana, historicamente a moeda com a que essas operações são feitas, faz com que um aumento na produção não chegue até o mercado, mas seja acumulado).
  • Entretanto, a proposta dos Chefes de Governo do Irã e da Venezuela não pode ser vista apenas como uma solução a esse problema, mas se insere na política externa dos dois países, marcadas pela oposição aos Estados Unidos.
  • Essa atitude não goza da aceitação da maioria dos governos dos países membros da OPEP. A maioria tem inclinação pró-Estados Unidos e divide com esse país a preocupação a respeito do programa nuclear iraniano.
  • Durante a reunião, uma cisão dentro da OPEP foi exposta: a organização deve manter-se como um órgão ligado apenas a questões econômicas, ou deve fazer uso da chamada “geopolítica do petróleo”? A maioria dos países inclina-se em direção à primeira opção.
  • A questão da mudança do clima foi tratada na reunião. Entretanto, a preocupação com o meio ambiente não foi tão importante quanto o potencial risco para as exportações de petróleo, caso a pesquisa de combustíveis alternativos seja realmente incentivada e iniciativas como o protocolo de Quioto sejam encorajadas.

4. Cenários:

      4.1. Curto prazo: 

  • A desvalorização do dólar frente às outras moedas, ao diminuir o poder de compra das sociedades dos países exportadores de petróleo, aumenta a pressão dessas sociedades para que o petróleo se desvincule do dólar.
  • O aumento do barril do petróleo leva ao aumento da inflação norte-americana, descortinando um cenário de crise econômica e recessão com reflexos mundiais.
  •  
    • Sobre o comércio internacional de commodities:

    1) A proposta de Chavez pouco afeta o mercado: esse mercado a entenderá mais como uma “arma retórica”, ou gesto político, de Venezuela e Irã no sentido de aumentarem sua visibilidade internacional.

    2) A proposta de Chavez afeta o mercado e contribui com a especulação a respeito da economia norte-americana e dos rumos da OPEP. Indícios para a existência de tal especulação:

  •  
    • O Banco Central dos EUA anunciou que a economia não crescerá como previamente esperado no próximo ano;
    • É crescente a desconfiança sobre a condição do dólar. O Kuwait, em maio deste ano, já desvinculou parte de sua cesta da moeda norte-americana. Acredita-se que Emirados Árabes Unidos e Quatar também possam se desvincular do dólar em dezembro deste ano, caso a depreciação se mantenha.

      4.2. Médio prazo:

  • Aumento do uso do petróleo como “arma política” que aumenta o poder de barganha dos países membros da OPEP. Caso esse cenário concretize, o recrudescimento das tensões entre EUA e Irã/Venezuela se torna bastante provável.

      4.3. Longo prazo:

  • Embora ofuscada pelos discursos de Ahmadinejad e Chavez, o encontro é um reflexo do aumento de importância do senso de proteção ao meio-ambiente, fato corroborado pelo fundo criado pela Arábia Saudita para o meio-ambiente. Nesse sentido, a OPEP pode seguir a tendência de criar medidas que diminuam o impacto do petróleo sobre o meio-ambiente.

5. Leituras sugeridas: 

Business Week (20/11/2007)

http://www.businessweek.com/globalbiz/content/nov2007/gb20071120_087338.htm?chan=globalbiz_europe+index+page_companies 

Agence France Presse (17/11/2007)

http://www.afp.com/english/news/stories/071117205414.q3vpfrh3.html 

USA Today (17/11/2007)

http://www.usatoday.com/news/world/2007-11-17-opec-chavez_N.htm 

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