1. Objeto de análise:
O Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, afirma frente à Câmara dos Comuns que metade das tropas britânicas empregadas no Iraque será retirada.
2. Informações de referência:
2.1. Palavras-chave:
– Primeiro-Ministro Gordon Brown,
– Política Interna da Grã-Bretanha,
- Iraque,
– Retirada de tropas,
– Guerra contra o Terror,
– Relações bilaterais Grã-Bretanha-EUA,
– Eleições Gerais.
2.2. Cronologia:
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21 de julho de 1994: Tony Blair é eleito líder do Partido Trabalhista.
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Outubro de 2001: O Exército britânico inicia a participação na guerra no Afeganistão.
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16 de março de 2003: Cúpula dos Açores, da qual participam o presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, Blair e o então primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, antes do começo da guerra no Iraque (que se inicia três dias depois).
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17 de março de 2003: Três ministros renunciam, entre eles o líder trabalhista na Câmara dos Comuns e ministro do Exterior, Robin Cook, por serem contrários à participação britânica na guerra no Iraque.
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18 de março de 2003: 138 deputados trabalhistas votam contra os planos bélicos do governo.
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20 de março de 2003: Quase 150 mil soldados dos Estados Unidos e do Reino Unido começam os ataques no Iraque.
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21 de julho de 2003: O governo inicia uma investigação sobre o denominado “Caso Kelly”, para investigar a morte de David Kelly, cientista identificado como a fonte de uma notícia da BBC que acusava o governo de exagerar a ameaça iraquiana para justificar o ataque ao Iraque.
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11 de março de 2005: O Parlamento britânico aprova o projeto de lei antiterrorista.
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5 de maio de 2005: Blair, à frente do Partido Trabalhista, consegue a terceira vitória consecutiva.
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7 de julho de 2005: Atentados terroristas no sistema de transporte de Londres, que deixam 52 mortos e mais de 700 feridos.
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7 de setembro de 2006: Blair confirma que abandonará a chefia do Governo em um ano, embora não informe a data da renúncia.
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21 de fevereiro de 2007: Anuncia no Parlamento que o Reino Unido retirará 1.600 soldados do Iraque nos meses seguintes, pela primeira vez desde o começo da guerra.
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23 de março de 2007: A captura de 15 militares britânicos em águas do golfo pelo Exército iraniano provoca uma crise entre os governos de Londres e Teerã.
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17 de maio de 2007: O ministro das Finanças britânico, Gordon Brown, é confirmado como sucessor de Tony Blair à frente do Partido Trabalhista e, portanto, próximo primeiro-ministro do Reino Unido, depois que seu único rival não reuniu o apoio suficiente para disputar os dois cargos.
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2 de outubro de 2007: Brown chega ao Iraque, em visita surpresa, e se reúne com líderes iraquianos para tratar sobre a possível redução de tropas de seu país no Iraque. Após o encontro, anunciou que reduzirá em mil soldados a presença militar no Iraque antes de 2008, em um dos maiores passos até o momento para uma eventual retirada britânica.
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8 de outubro de 2007: Gordon Brown, anuncia uma forte redução do contingente militar britânico no Iraque, que deve ser dividido por dois em março ou abril de 2008, passando a cerca de 2.500 homens. Além disso, o premier britânico defendeu nesta segunda-feira sua decisão de não convocar eleições antecipadas para, segundo ele, permitir uma melhor aplicação de sua política de “mudança”.
3. Contextualização e repercussão:
3.1. Global:
Apesar do argumento alegado por autoridades britânicas de que a região iraquiana ocupada pela Grã-Bretanha esteja calma e segura, a visão que se tem dentro do Iraque é que as tropas britânicas não obtêm bons resultados e vêm sendo derrotadas por milícias xiitas;
A retirada de parte das tropas britânicas do sul do Iraque é vista como um incentivo ao aumento da influência iraniana na região. Acredita-se, inclusive, já haver a existência de milícias islâmicas dentro da polícia da cidade de Basra, onde se concentra grande parte das tropas britânicas. Entretanto, o governo britânico rechaça tal afirmação e sustenta que o nacionalismo da população xiita do Iraque é superior a qualquer aproximação com o Irã;
O governo iraquiano afirma que ainda precisa da ajuda das tropas britânicas no sul do país;
Crê-se que a saída das tropas em questão seja vista como um sinal de que o apoio do maior aliado dos EUA na Guerra contra o Terror tenha se enfraquecido com a saída do ex-Primeiro-Ministro Tony Blair. Entretanto, deve ser considerada a estratégia de Brown de manter a ajuda militar no Afeganistão, país em que a Grã-Bretanha aumentou seu contingente militar para 7.700 soldados.
3.2. Regional:
A figura do Primeiro-Ministro britânico dentro da Europa é cada vez mais ofuscada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy. A França vem emergindo como importante parceira dos EUA no impedimento do desenvolvimento do programa nuclear do Irã. É fato, no entanto, a grande diferença existente entre o número de tropas britânicas empregadas na Guerra contra o Terror em comparação com as francesas.
3.3. Local:
A declaração da retirada de metade das tropas, velha demanda da população da Grã-Bretanha, foi bem recebida pela sociedade e pelo Partido Conservador, de oposição a Brown. Menos positivo foi o exército, que era a favor de um fortalecimento da presença britânica no Iraque. Nesse sentido, a situação de Brown no âmbito interno é delicada. Foi descoberto que, na realidade, do total anunciado de 2500 soldados que regressariam à Grã-Bretanha, 500 já haviam sido anunciados anteriormente e 270 já haviam retornado;
O cancelamento da proposta de realizar eleições gerais para o Parlamento, após o conhecimento de que a maioria que possui seria diminuída, enfraquece ainda mais a imagem do atual Primeiro-Ministro. David Cameron, líder do Partido Conservador, sai beneficiado com o mau momento vivido por Brown – além de chamar a decisão de Brown de “humilhante reviravolta”. Numa Conferência realizada por tal partido, o discurso de Cameron foi ovacionado pelos presentes.
> no entanto, Brown nega relação entre a decisão de não realizar eleições adiantadas e os grandes progressos realizados pela oposição conservadora. Segundo ele, a decisão foi tomada porque queria ter mais tempo para apresentar a sua visão sobre o futuro do país.
Segundo a BBC, a atitude de Brown visa em parte acalmar o eleitorado, cuja opinião negativa acerca da campanha militar no Iraque contribuiu muito para o declínio da aprovação de Tony Blair antes de ele deixar o governo, em junho. Ontem, cerca de 2.000 pessoas participaram de uma manifestação pela retirada total do Iraque, que terminou diante do Parlamento, em Londres. Gordon Brown quer “as tropas britânicas fora de Basra até a eleição”, que deve ocorrer em 2009
4. Cenários:
a) Curto prazo:
– Escalada da violência no sul do Iraque e conseqüente aproximação do Irã à população iraquiana xiita;
– Maior foco, dentro da Grã-Bretanha, às tropas instaladas no Afeganistão, numa tentativa de “balancear” a saída do Iraque e fortalecer as relações bilaterais com os EUA;
- Diminuição da popularidade de Gordon Brown e maior atenção da mídia ao Partido Conservador, especialmente à figura de David Cameron;
b) Médio/Longo prazo:
– Recrudescimento de tensões no âmbito da Guerra contra o Terror;
– Estreitamento das relações entre EUA e França;
- Perda da maioria que o Partido Trabalhista possui no Parlamento nas próximas eleições gerais, cujo prazo máximo é 2010;
– Retaliações/sanções político-econômicas ao regime de Mahmoud Ahmadinejad.
5. Leituras sugeridas:
El País (09/10/2007):
http://www.mre.gov.br/portugues/noticiario/internacional/selecao_detalhe3.asp?ID_RESENHA=382125
The New York Times (16/10/2007): http://www.mre.gov.br/portugues/noticiario/internacional/selecao_detalhe3.asp?ID_RESENHA=382054

31/10/2007



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