A força das ex-guerrilhas maoístas na política:
1. Objeto de análise:
Pavimentação do fim da guerra civil no Nepal; participação dos maoístas no governo interino.
2. Informações de referência:
2.1 Palavras-chave:
– Ásia-Pacífico;
– Ideologia;
– Movimento maoísta;
– Democracia;
– Direito Humanos;
– Instabilidade em pequenos Estados (Estados-falidos);
– Desarmamento;
– Resolução de Conflitos;
- Intermediação das Nações Unidas.
2.2 Cronologia:
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1990: Rei Birendra, diante da pressão dos movimentos pró-democracia, concorda com a adoção da nova Constituição Nepalesa;
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1991: O Partido Congressista Nepalês vence as primeiras eleições democráticas do país. Gisid Prasad Korala assume cargo de primeiro-ministro da monarquia parlamentarista;
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1994: Governo de Korala entra em crise e novas eleições levam à formação de um governo comunista;
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1995: O governo comunista é dissolvido. Grupos radicais de esquerda, ligados ao Partido Comunista Nepalês de orientação maoísta, defendem a formação de uma República Popular e o fim do regime monárquico;
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Abril 2001: Greve geral convocada por líderes do movimento maoísta desencadeia prisões de oposicionistas do governo;
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Junho 2001: Massacre da família real cometido pelo príncipe herdeiro Dipendra, que, em seguida, tenta suicídio;
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Junho 2001: Príncipe Gyanendra é coroado Rei do Nepal;
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Julho 2001: Grupos maoístas reiniciam ondas de violência no país. Sher Bahadur Deuba assume o cargo de primeiro-ministro após a desistência de Korala;
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Julho 2001: Deuba anuncia armistício;
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Novembro 2001: Rebeldes anunciam fim da trégua; ocorrem ataques coordenados ao exército e a postos policiais;
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Novembro 2001: Rei Gyanendra declara estado de emergência e ordena ataque do exército aos focos rebeldes;
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Abril 2002: Maoístas ordenam cinco dias de greve geral no Nepal; completam-se seis anos de insurgência;
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Maio 2002: Deuba visita a Grã-Bretanha em busca de apoio contra a oposição maoísta; o presidente dos EUA, George W. Bush, promete US$ 20 milhões ao governo do Nepal;
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Maio 2002: O Parlamento é dissolvido; Deuba é expulso do Partido Congressista; estado de emergência é renovado;
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Janeiro 2003: Declaração de cessar-fogo entre governo e rebeldes;
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Agosto 2003: Fim da trégua após sete meses; três dias de greve geral;
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2003/2004: Paralisação política; confronto direto entre a policiais e ativistas;
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Maio 2004: Primeiro-ministro apontado pelo rei renuncia ao cargo diante da onda de violência e de protesto de grupos opositores;
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Junho 2004: Gyanendra reconvoca Deuba para o cargo;
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Agosto 2004: Rebeldes iniciam bloqueio de Kathmandu, impedindo a chegada de suprimentos à capital;
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Fevereiro 2005: Rei Gyanendra demite Deuba ao declarar novo estado de emergência; o rei assume poder direto sobre o Estado, sob o argumento de combater os rebeldes;
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Fevereiro 2005: As Nações Unidas, Grã-Bretanha, Índia e EUA condenam o golpe anti-democrático de Gyanendra; a Austrália aconselha seus cidadãos a não viajarem para o país;
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Abril 2005: Fim do estado de emergência;
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Setembro 2005: Maoístas anunciam cessar-fogo unilateral por três meses;
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Novembro 2005: Rebeldes maoístas e os principais partidos de oposição formulam programa de restauração da democracia;
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Janeiro 2006: Fim do cessar-fogo.
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Fevereiro 2006: Ataque rebelde faz dezenas de mortos.
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Abril 2006: Protestos de três semanas em favor da reabertura do parlamento, confronto entre o exército real e a população civil soma 14 mortos;
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24 de abril de 2006: O Rei Gyanendra cede às pressões e reinstala funções parlamentares;
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27 de abril de 2006: Grupo maoísta declara trégua unilateral de três meses e levanta o bloqueio a pedido do primeiro-ministro Koirala;
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28 de abril de 2006: Parlamento nepalês reabre após quatro anos com o intuito de redigir uma nova constituição e definir o futuro do regime de governo do país;
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Maio de 2006: o Parlamento restringe os poderes monárquicos e inicia conversações com os rebeldes para resolução da guerra civil;
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Junho 2006: No primeiro encontro envolvendo o líder dos maoístas, Prachanda, e o Primeiro-Ministro Koirala, estabelece-se a meta de implantar um governo interino;
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Setembro 2006: o Rei perde seu tradicional comando sobre o exército e tropas oficiais;
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8 de Novembro de 2006: Assinatura de acordo de paz, determinando o fim de dez anos de guerra civil, a participação dos rebeldes no desenho do governo interino, e a observação das Nações Unidas no processo de desarmamento;
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Janeiro de 2007: início da participação de maoístas no Parlamento; constituição interina é reforçada;
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7 de Fevereiro de 2007: o líder maoísta, Prachanda, clama pelo fim da monarquia e a implantação de uma república no país;
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8 de março de 2007: o congresso nepalês pede que não se inclua o grupo maoísta no governo interino se os mesmos não pararem de praticar atos de violência e extorsão ou se não entregarem as terras tomadas durante os conflitos passados;
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13 de março de 2007: Prachanda afirma que o grupo maoísta ainda possui força suficiente para promover ataques em massa em todo o país em “uma única noite”;
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Março de 2007: comerciantes e empresários entram em greve em todo o país em protesto aos abusos cometidos pelos ex-guerrilheiros maoístas;
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1º de abril de 2007: maoístas prestam juramento no novo governo interino; repartição de ministérios entre todos os partidos;
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13 de abril de 2007: a Comissão eleitoral, responsável pelas eleições programadas para 20 de junho, decide adiá-las por falta de tempo para a sua adequada preparação;
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Final de abril: os EUA continuam reconhecendo o grupo maoísta como terrorista; Prachanda ameaça incitar revoltas em todo o país caso a república não seja declarada;
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Maio de 2007: Prachanda declara que o Partido Comunista do Nepal – Maoísta está disposto a devolver as terras tomadas durante os anos de guerrilha;
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24 de junho de 2007: o Conselho de Ministros estabelece a data para as eleições da Assembléia Constituinte em 22 de novembro;
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Agosto de 2007: os maoístas declaram que a representação proporcional e a declaração de república são pré-requisitos para que aconteçam as eleições da Assembléia Constituinte; a distribuição de certos periódicos é interrompida por ativistas maoístas pelas críticas que traziam ao grupo; greve geral por maior autonomia na região central do país; nacionalização de propriedades reais;
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Setembro de 2007: Prachanda ameaça a retirada do seu partido do governo se não se realizarem os pré-requisitos exigidos; ataques com bomba na capital, Kathmandu;
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24 de setembro de 2007: anunciada a fusão do Partido Comunista do Nepal – Maoísta com o Partido Comunista do Nepal – Marxista-Leninista-Maoísta, transformando-se no segundo maior partido do governo interino.
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2 de outubro de 2007: visita do rei Gyanendra a templo é criticada pela oposição por ser uma “tentativa de aumento da sua influência”;
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5 de outubro de 2007: as eleições previstas para novembro são adiadas por falta de acordo com relação ao sistema a ser utilizado.
3. Contextualização e repercussão:
3.1 Globais:
– Posicionamento dos EUA e da UE;
– Foco de conflitos ideológicos anacrônicos;
– Políticas de Desarmamento;
- Credibilidade da intermediação das Nações Unidas na resolução de conflitos;
- Ameaça ao fortalecimento da democracia em cenários de instabilidade;
3.2 Regionais:
- Relações Sino-Indianas;
- Relacionamento do Nepal com seus vizinhos;
- Posicionamento dos rebeldes maoístas em relação aos vizinhos;
- Expectativas de avanço dos grupos marxistas de Guerra Popular,
- Spillover de movimentos rebeldes na região: Índia, Butão, Bangladesh, Mianmá, Sri Lanka;
- Enfraquecimento das guerras ideológicas;
- Tendência de avanço institucional, inspirado por uma possível democracia no Nepal e enfraquecimento da monarquia.
3.3 Locais:
- Sustentabilidade do Estado Nepalês sem auxílio econômico;
- Rumos da democracia no Nepal;
- Impacto da guerrilha sobre a população;
- Conseqüências para o turismo na região, principal fonte de renda do Nepal;
- Perspectivas de fortalecimento do parlamentarismo;
- Futuro do regime monárquico / opção republicana;
- Aumento das tensões étnicas e religiosas; movimentos por autonomia.
4. Cenários:
- Sucesso do redesenho institucional do governo interino, inaugurando uma nova era de paz no Nepal; efetiva atuação dos observadores das Nações Unidas no desarmamento dos rebeldes de forma a garantir um ambiente de paz no país; auxílio internacional no apoio à curva de aprendizado democrático no Nepal, conduzindo a uma maior integração internacional; – Compatibilidade do movimento maoísta com o regime democrático.
- Aparecimento de evidências de discordâncias constitucionais; deterioração do governo interino e impossibilidade dos observadores das Nações Unidas em controlar as atividades paramilitares no interior do país; retorno do recurso às armas para forçar objetivos programáticos maoístas; possibilidade de intervenção internacional; – incompatibilidade do movimento maoísta com o regime democrático.
- Queda do regime monárquico, porém mantendo-se o parlamentarismo;
- Proclamação de uma República no Nepal;
- Adesão maoísta a uma nova via institucional;
- Vitória do movimento maoísta pela via revolucionária;
- Possível saída do Partido Comunista do Nepal – Maoísta do governo interino:
> Forma de pressão para que se acelere a declaração republicana e o sistema eleitoral representativo (sem o apoio do grupo maoísta, o governo interino não teria força suficiente para conduzir a política nacional);
> Protelação das eleições seria do interesse do partido (que não obteria muitos votos nas eleições de novembro);
> Volta às atividades de guerrilha como forma de desestabilizar o governo;
> Acordos políticos com outros partidos de esquerda fortaleceria o grupo de Prachanda, abrindo a possibilidade de retorno à coalizão governamental.
5. Leituras sugeridas:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/in_depth/south_asia/2001/nepal_in_crisis/
http://news.bbc.co.uk/2/hi/south_asia/6127824.stm
Executive Intelligence Review
MAITRA, Ramtanu. The Nepal Crisis Hightens Tensions in Region. June 15, 2001.
http://www.larouchepub.com/other/2001/2823_nepal.html
Business Week, United Press International, World Tribune – Sense of Asia
SANDERS, Sol. Nepal: An India-China crisis in slow motion, August 26, 2004.
http://www.worldtribune.com/worldtribune/WTARC/2004/s8_22.html
The Independent Bangladesh
CHOWDHRURY, Abdul Quader. Communist Movement and Democracy in Nepal. March 15, 2001.
http://www.stanford.edu/group/tibet/svin/maoist.htm
Foreign Affairs
Arms to Nepal: China & Pakistan Must Be Blocked, 26th January, 2006.
South Asia Analysis Group 27-05-2004
CHANDRASEKHARAN, S. Nepal Crisis: Sliding Further – But Who Cares?
http://www.saag.org/notes3/note225.html
International Crisis Group – February 2006
http://www.crisisgroup.org/home/index.cfm?id=3921
http://www.satp.org/satporgtp/countries/nepal/timeline/index.html
http://news.bbc.co.uk/2/hi/south_asia/7001482.stm
http://news.bbc.co.uk/2/hi/south_asia/2707107.stm

31/10/2007



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