Desfile militar comemora demandas por independência em Taiwan, por PET – iREL UnB

1. Objeto de análise:

    Parada militar comemora o Dia Nacional de Taiwan como forma de reiterar as demandas pelo reconhecimento do país como independente da República Popular da China.

 

2. Informações de Referência:

  2.1 Palavras-chave:

    - Ásia;

     – China;

     – Taiwan;

     – Movimentos Nacionalistas;

     – Soberania.

  2.2 Cronologia:

  • 1661 – Chineses ocupam a ilha de Formosa e a transformam numa província.
  • 1947 – A atual Constituição de Taiwan é redigida na China.
  • 1949 – Derrotado pelas forças comunistas de Mao Tse-tung, Chiang Kai-shek e os remanescentes de seu governo fogem para Taiwan.
  • 1971 – Taiwan perde sua cadeira na ONU.
  • 1975 – Início de uma política de liberalização em Taiwan.
  • 1979 – Os Estados Unidos desistem de reconhecer Taiwan como nação soberana, pois estabelecem relações diplomáticas com a China.
  • Década de 1980 – Intenso crescimento econômico.
  • 1987 – É autorizado o funcionamento de outros partidos.
  • 1996 – Primeira eleição direta (Lee Teng-hui eleito).
  • 1997 – Restabelecida a comunicação marítima com a China continental, interrompida desde 1949.
  • Março/2000 – Chen Shui-bian vence as eleições presidenciais, colocando um fim no monopólio de 50 anos de poder do Partido Nacionalista (Kuomintang).
  • Maio/2000 – Chen Shui-bian diz que não declarará a independência enquanto a China não atacar.
  • Outubro/2000 -  Chang Chun-hsiung é declarado primeiro-ministro após a renúncia de Tang Fei, ocorrida em meio a disputas com o presidente Chen relacionadas ao fim da construção de uma usina nuclear no país.
  • Abril/2001 – George W. Bush compromete-se a ajudar Taiwan em caso de invasão.
  • Junho/2001 – Taiwan testa seu sistema anti-mísseis comprado dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que a China faz testes militares de invasão de ilhas.
  • Dezembro/2001 – O Kuomintang perde a maioria no parlamento pela primeira vez.
  • Final/2001 – Taiwan e China passam a moderar as críticas bilaterais e Taiwan suspende embargo comercial de 50 anos a China.
  • Janeiro/2002 – Taiwan e China ingressam na Organização Mundial do Comércio.
  • Novembro/2003 – O Parlamento aprova um projeto de lei que permite referendo sobre a declaração de independência em caso de ataque da China.
  • Fevereiro/2004 – Um mês antes das eleições em Taiwan, a China posiciona mísseis direcionados à ilha.
  • Março/2004 – Chen Shui-bian vence, com pequena vantagem, as eleições presidenciais do país e ganha um segundo mandato. Chen teria sofrido tentativa de assassinato na véspera das eleições.
  • Janeiro/2005 – Primeiro vôo direto entre Taiwan e a China continental, em comemoração ao Ano Novo Lunar.
  • Março/2005 – Taipei condena lei chinesa (“lei de reunificação”) que autoriza o usa da força caso a ilha declare independência.
  • Abril/2005 – O líder do Partido Nacional (KMT), rival do partido do presidente, encontra-se com líderes do Partido Comunista chinês, na China.
  • Junho/2005 – É aprovada lei que permite qualquer modificação constitucional por meio de aprovação em referendo popular.
  •  Dezembro/2005 – O Partido Democrata Progressista, o do presidente Chen Shui-bian, é derrotado nas eleições municipais.
  •  Janeiro/2006 – Frank Hsieh, e os 34 membros do Conselho de Ministros do governo de Taiwan renunciam, e um novo gabinete é formado tendo Su Tseng-chan como novo primeiro-ministro.
  •  Fevereiro/2006 – Taiwan dissolve o Conselho de Unificação Nacional, que havia sido estabelecido para tratar a reunificação com a China continental. A China diz que a decisão poderia trazer um “desastre”.
  • Junho/2006 – O presidente Chen cede alguns de seus poderes ao primeiro-ministro, diante das acusações de corrupção.
  • Outubro/2006 – No Dia Nacional, milhares de manifestantes pedem a renúncia do presidente.
  • Novembro/2006 – Chen Shui-bian defende o “congelamento” da atual Constituição e a declaração de uma segunda república e de um novo texto constitucional.
  • Dezembro/2006 – A China usa como pretexto a ameaça à sua segurança que representa Taiwan para aumentar os seus gastos militares.
  • Janeiro/2007 – Taiwan defende o uso de certos livros didáticos, que foram alvo de críticas de Beijing por “promoverem ideologias separatistas”.
  • Março/2007 – Jornais noticiam que Taiwan teria realizado testes com mísseis capazes de alcançar cidades da costa chinesa.

         § Chen Shui-bian declara que a ilha procura “ser independente, retificar seus nomes, promulgar uma nova constituição e incentivar o desenvolvimento”.

  • Abril/2007 – Taiwan entra em desacordo por causa dos planos da China de passagem da tocha olímpica pela ilha.

          § O Partido Comunista Chinês e o KMT (Partido Kuomintang) anunciam acordos que não agradam o governo de Taiwan.

  • Maio/2007 – Os Estados Unidos demonstram preocupação com o poder militar crescente da China.
  • Junho/2007 – Costa Rica rompe relações diplomáticas com Taiwan. (Países que ainda mantêm relações diplomáticas com a ilha: Burkina Faso, Gâmbia, Malauí, São Tomé e Príncipe, Suazilândia, Belize, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Vaticano, Kiribati, Ilhas Marshall, Nauru, Palau, Ilhas Salomão e Tuvalu).
  • Agosto/2007 – O país tenta ingressar na ONU como “Taiwan” em vez de “República da China”; o pedido é negado.
  • Setembro/2007 – Milhares de manifestantes se reúnem em Taipei para pedir o retorno do país à ONU.
  • 10/Outubro/2007 – Taiwan celebra seu Dia Nacional com um desfile militar (o primeiro em 16 anos) em que exibe o seu potencial armamentício, e com discursos dos principais líderes reafirmando o desejo de ter uma identidade separada.

         § China faz declarações afirmando querer estabelecer acordo de paz com Taiwan, que é rejeitado pelo presidente da ilha.

  • 15/Outubro/2007 – Organiza-se a Cúpula dos Aliados de Taiwan no Pacífico, na qual os paises exigem que a ONU reconheça Taiwan como um dos países-membros. § Taiwan rejeita proposta chinesa de negociação de paz, que tinha como uma de suas premissas a impossibilidade de independência, alegando que uma futura unificação teria de ser baseada em “democracia, liberdade e prosperidade”
  •  

3. Contextualização e repercussão:

  3.1 Regionais:

    – Fortalecimento das posições domésticas de reforço do nacionalismo e endurecimento da posição do governo em relação à China.

   - “Corrida armamentista” na região.

   – A possibilidade de conflito gera incerteza política e econômica em ambos os países.

   – Relações comerciais intensas entre China e Taiwan.

   – A China teme que as manifestações de poder popular em Taiwan inspirem movimentos semelhantes no continente.

  – Estabelecimento de aliança de Taiwan com países da Ásia-Pacífico a fim de fazer frente à China deve agravar tensões na região.

   – Impactos de uma invasão chinesa em Taiwan para a segurança regional.

  - Importância da questão taiuanesa para as relações sino-japonesas. Além de sua posição geopolítica estratégica, Taiwan está junto com o Japão sob o guarda-chuva das alianças militares norte-americanas na Ásia-Pacífico. Histórica e culturalmente, a ilha também esteve sempre bastante próxima ao Japão, enquanto era acusada de falta de nacionalismo chinês pela China continental.

  3.2 Globais:

    – Tensão entre o princípio de auto-determinação das Nações Unidas e a posição privilegiada que a China tem dentro do órgão.

    – Impacto internacional da situação de claro autoritarismo chinês em relação a sua população.

    – Preocupação dos Estados Unidos, que no momento são favoráveis à manutenção do status quo na região.

    – Discussão sobre a construção da soberania e outras normas do sistema internacional: conceito relacional?

    – Perspectiva de uma guerra assimétrica? A força do movimento nacionalista taiwanês chega ao ponto de apoiar o governo na declaração de independência que certamente levará a conflito com um país quatro vezes superior em poderio militar?

 

4. Cenários:

    – Chen Shui-bian tem intenções de promover mudanças constitucionais até o fim do seu mandato (2008). Há planos de se fazer um referendo popular para que se decida o nome oficial definitivo que a ilha usaria na sua próxima tentativa de adesão à ONU (Taiwan ou República da China) em março do próximo ano, juntamente com as próximas eleições presidenciais. A aprovação do nome Taiwan fortaleceria o nacionalismo na ilha e aumentaria a aprovação ao presidente, mas também provocaria fortemente a China, que pode ver nisso uma declaração de independência. No entanto, estaria a China disposta a entrar em conflito com Taiwan meses antes do início dos Jogos Olímpicos de Beijing?

     – Manutenção do status quo – desinteresse chinês de se desgastar economicamente com esse tipo de ataque? Possibilidade de maior isolamento de Taiwan por iniciativa chinesa.

    – Conflito China-Taiwan que levaria a destruição da maior parte de Taiwan e re-submissão da província ou lhe garantiria independência?

     – Possibilidade de mediação ou intervenção internacional?

    – Ajuda indireta dos EUA para impedir confronto direto com a China, mas também apoiar a independência da Taiwan democrática?

    – Aumento da pressão internacional sobre o tratamento de questões de direitos humanos na China?

 

5. Referências:

 http://news.bbc.co.uk/2/hi/asia-pacific/7036957.stm

 http://www.reuters.com/article/worldNews/idUSTP28772520071015

 http://news.bbc.co.uk/2/hi/asia-pacific/7003811.stm

 http://news.bbc.co.uk/2/hi/asia-pacific/country_profiles/1286033.stm

 http://2006.chinataiwan.org/web/webportal/W2037416/Uadmin/A2054766.html

 http://portuguese.cri.cn/index.htm

 http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u335394.shtml

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