1. Objeto de análise:
Anúncio do presidente norte-americano, George W. Bush, de retirada de 30 mil militares americanos do Iraque até julho de 2008.
2. Informações de referência:
2.1 Palavras-chave
– Guerra Civil,
– protestos,
– oposição,
– segurança,
– desenvolvimento,
– ONU,
– EUA.
2.2 Cronologia:
2003:
20 de março: Começa a operação “Liberdade do Iraque” com ataques contra Bagdá e a entrada das forças terrestres americanas e britânicas pelo sul do país.
9 de abril: A entrada dos americanos em Bagdá marca a queda do regime de Saddam Hussein.
1 de maio: O presidente George W. Bush declara o fim dos combates, mas prosseguem os combates no Iraque.
16 de maio: O americano Paul Bremer, nomeado administrador civil do Iraque, proíbe aos membros do Partido Baath acesso a funções públicas.
22 de julho: Os filhos de Saddam Hussein, Uday e Qusay, são mortos em Mossul.
19 de agosto: O brasileiro Sérgio Vieira de Mello, representante Especial das Nações Unidas no Iraque, junto aos membros de sua equipe, morre em um atentado contra a sede da ONU em Bagdá.
3 de setembro: primeiro governo pós-Saddam.
2 de outubro: David Kay, chefe do Grupo de Inspeção no Iraque (ISG), reconhece que não foram encontradas armas de destruição em massa (ADM), principal argumento para a invasão americana.
16 de outubro: Resolução 1511 da ONU, que prevê a presença de uma força multinacional.
13 de dezembro: Captura de Saddam Hussein perto de Tikrit.
2004:
1 de fevereiro: Duplo atentado suicida contra as dependências dos principais partidos curdos em Erbil (norte): mais de cem mortos.
2 de março: Mais de 170 mortos em atentados antixiitas na cidade sagrada de Kerbala (centro) e numa mesquita de Bagdá.
4 de abril: Começam os enfrentamentos entre a coalizão e os partidários do clérigo radical xiita Moqtada Al-Sadr.
8 de abril: Começam os seqüestros de estrangeiros, entre os quais o do engenheiro brasileiro João José de Vasconcellos. Mais de 30 reféns de um total de várias centenas serão assassinados.
18 de abril: A Espanha decide retirar suas tropas.
28 de abril: Difusão de imagens de presos iraquianos humilhados por militares americanos na prisão de Abu Ghraib, perto de Bagdá.
28 de junho: A coalizão passa o poder ao governo interino iraquiano.
2005:
30 de janeiro: Maioria absoluta da lista xiita diante dos curdos na primeira eleição pluripartidária em 50 anos, boicotada pelos sunitas.
28 de fevereiro: Um atentado em Hilla (centro) reivindicado pelo chefe da Al-Qaeda no Iraque, Abu Mussab al-Zarqawi, custa a vida de 118 pessoas.
4 de março: A libertação da jornalista italiana Giuliana Sgrena custa a vida do agente secreto Nicola Calipari, baleado por soldados americanos.
6 e 7 de abril: Eleição do curdo Jalal Talabani como presidente. Em 7 de abril, o xiita Ibrahim Jaafari é nomeado primeiro-ministro.
31 de agosto: Explosão numa ponte de Bagdá deixa quase mil mortos, em sua maioria peregrinos xiitas.
15 de outubro: Referendada a Constituição permanente, federalista, com 78% dos votos.
19 de outubro: Começa o julgamento de Saddam Hussein pelo massacre de Dujail (148 xiitas mortos em 1982 depois de uma tentativa de atentado contra sua comitiva presidencial).
15 de dezembro: Vitória legislativa da lista xiita conservadora, a Aliança Unificada Iraquiana (128 cadeiras em 275). Participação sunita em massa.
2006:
22 de fevereiro: O atentado com dinamite contra o mausoléu xiita em Samarra (norte de Bagdá) provoca violências intercomunitárias que causam mais de 450 mortos.
13 de março: Grã-Bretanha anuncia a retirada de 800 soldados até maio, 10% de suas tropas no Iraque.
22 de abril: Talabani é reeleito presidente. O xiita Nuri al-Maliki é encarregado de formar um novo governo.
7 de junho: Al-Zarqawi morre em um ataque americano no norte de Bagdá.
15 de junho: Morre o soldado americano de número 2.500 no Iraque.
21 de agosto: Tem início o segundo julgamento contra Saddam Hussein pelo genocídio de 180.000 curdos nas campanhas de Anfal de 1987 e 1988.
11 de outubro: Uma lei converte o Iraque em Estado federal.
5 de novembro: Saddam Hussein é condenado à morte por enforcamento pelo processo de Dujail.
23 de novembro: 202 mortos nos atentados de Sadr City, reduto xiita em Bagdá.
30 de novembro: Descobertos os corpos de mais de 90 vítimas de execuções. Mais de 13.000 civis mortos entre julho e outubro, segundo a ONU.
6 de dezembro: A “Comissão Baker” entrega a Bush um relatório que recomenda uma mudança da política americana no Iraque.
30 de dezembro: Saddam Hussein é executado na forca.
2007:
7 de janeiro: morre o soldado americano número 3.000 (AFP).
10 de janeiro: Bush anuncia reforço de 21.500 soldados.
15 de janeiro: execução de Barzan al-Tikrit e Awad al-Bandar, colaboradores de Saddam.
16 de janeiro: 70 pessoas, entre as quais se encontravam estudantes, professores e funcionários da Universidade de Mustansiriya (leste de Bagdá), morreram, em dois atentados que deixaram 169 feridos.
22 de janeiro: 88 mortos e mais de 160 feridos em duplo atentado com carro-bomba em Bagdá.
1 de fevereiro: Um duplo ataque suicida contra o mercado de Hilla deixa 73 vítimas fatais.
3 de fevereiro: Pelo menos 127 pessoas morrem e 305 ficaram feridas em um atentado suicida com um caminhão-bomba em um mercado de Bagdá.
18 de fevereiro: Pelo menos 60 mortos num duplo atentado com carro-bomba num bairro de maioria xiita do leste de Bagdá.
6 de março: 117 peregrinos xiitas mortos em um atentado em Hilla.
20 de março: execução do ex-vice-presidente Taha Yasin Ramadan.
13 de setembro: o presidente Bush endossa as recomendações feitas pelo comandante das forças norte-americanas no Iraque, general David Petraeus, anunciando a redução de 20 unidades militares norte-americanas no Iraque para 15 até julho de 2008, o que equivale a cerca de 30 mil combatentes. O contingente voltará, com essa redução das tropas, ao patamar de dez meses atrás, de 130 mil soldados. A redução deverá ter início ainda neste mês e ocorrerá de forma gradual, começando pelo retorno de 2200 marines neste mês e 5700 até o fional do ano. Essa redução não satisfaz os Democratas, que exigem o estabelecimento de cronograma de retirada das forças militares norte-americanas de ocupação do Iraque.
14 de setembro: Casa Branca encaminha ao Congresso norte-americano relatório de avaliação do progresso da situação iraquiana. Dos 18 objetivos políticos e militares avaliados, o governo norte-americano diagnosticou progressos satisfatórios em nove. O relatório faz críticas ao governo iraquiano, mas conclui que a estratégia presente dos EUA está conseguindo começar a estabilizar o Iraque.
3. Contextualização e repercussão:
3.1 Globais:
- Protestos realizados ao redor do mundo todo não param de ser noticiados pelas grandes agências de notícias.
- Presidente Bush insiste na manutenção do engajamento militar no país, pois “o sucesso virá, mesmo podendo demorar meses”. Oposição democrata intensifica pedidos de um fim ao conflito, e líderes democratas na Câmara promovem projeto de orçamento militar que impõe rígido cronograma para a retirada das tropas norte-americanas de combate do Iraque.
– As companhias de segurança privadas no Iraque, que já contam com 48 mil empregados, se transformaram na segunda maior força da coalizão que ocupa o país. Elas estão atrás apenas dos Estados Unidos, e à frente do Reino Unido, segundo um relatório divulgado na quarta-feira, 21 de março, por um grupo de especialistas da ONU. “A coalizão (liderada pelos EUA) parecer ter preferido ceder mais e mais responsabilidades de segurança ao setor privado”, indica o estudo, que assinala que as referidas empresas “costumam atuar sem controle, sem visibilidade e com total impunidade”.
- Plano de desenvolvimento econômico do Iraque é discutido no âmbito das Nações Unidas. É a seqüência lógica de um Contrato Internacional de objetivos para o Iraque (ICI, sigla em inglês), sustentado pelo Banco Mundial, que pretende reativar a economia iraquiana no espaço dos próximos cinco anos.
3.2 Regionais:
- O balanço ambiental da guerra continua (e se torna sempre mais) péssimo. Essa tendência iniciou-se na guerra contra o Kuwait, e prosseguiu durante todos os conflitos do país nos últimos anos, apesar dos bilhões de dólares sempre investidos na reconstrução.
- Relação entre governos iraquiano e iraniano.
3.2 Locais:
- Iraquianos estão mais pessimistas no que diz respeito à sua situação. Para eles, a invasão torna-se a cada dia mais prejudicial. Isso indica que os custos de operação no país tornar-se-ão cada vez mais pesados, com a população a contribuir cada vez menos com o processo.
4. Cenários:
– Governo dos EUA iniciam redução gradual das tropas, mas sem um calendário prévio para a retirada completa. O objetivo é repassar aos poucos cada vez mais responsabilidades para o governo iraquiano, mas sempre de modo condicionado aos resultados alcançados e com planejamento de curto prazo. Adotada essa estratégia, três hipóteses:
1. governo iraquiano consegue aos poucos estabilizar o país e avançar no sentido dos objetivos traçados pelos EUA; os EUA prosseguem reduzindo as tropas, até a retirada definitiva, com prazo indefinido;
2. governo iraquiano não avança na estabilização nem na realização dos objetivos fixados pela Administração Bush para o Iraque; mantêm-se constantes os efetivos dos EUA no Iraque, sem qualquer previsão de redução ou retirada;
3. custos políticos, econômicos e humanos da ocupação do Iraque tornam-se insustentáveis pelos EUA, que passam a retirar tropas independentemente do sucesso alcançado na estabilização do país e na realização dos objetivos da política externa norte-americana.
– Governo Bush, pressionado pelo Congresso de maioria Democrata, fixa prazos para retirada completa das tropas do Iraque. Adotado o cronograma, três hipóteses:
1. EUA cumprem o cronograma de modo rígido, independentemente de sucesso ou fracasso da estabilização do Iraque e da realização de seus objetivos para o país, devido ao alto custo econômico, humano e político da ocupação;
2. EUA cumprem o cronograma devido ao sucesso alcançado pela estratégia para o Iraque;
3. Cronograma torna-se mero programa ideal abandonado na prática devido às contingências e necessidade de não abandonar o Iraque de forma irresponsável e incongruente com os objetivos da política externa norte-americana.

30/09/2007



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