1. Objeto de análise:
Acusações de invasão aérea por parte de tropas russas em território geórgio.
2. Informações de referência:
2.1 Palavras-chave:
– Rússia;
– Geórgia;
– Ásia Central;
– GUAM;
– Nacionalismo;
– Questão energética (Gazprom);
– Expansão da OTAN;
- Movimentos separatistas (Abkázia, Ossétia do Sul).
2.2 Cronologia:
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1918: Declaração de independência da Geórgia;
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1921: Invasão do exército vermelho;
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1989: Demandas autonomistas pela região da Ossétia do Sul resulta em conflitos entre geórgios e ossétios; tropas russas são mobilizadas para a região;
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1990-1991: Conflitos entre tropas do governo e movimento separatista;
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1991: Referendo confirma independência da Geórgia da União Soviética;
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1992: Conflitos entre tropas do governo e movimento separatista na Abkázia;
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1993: Geórgia passa a integrar a CEI e recebe ajuda de tropas russas para conter movimentos dissidentes;
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1994: Acordo de cessar-fogo entre o governo e separatistas na Abkázia;
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Março 2001: Geórgia e região de Abkázia selam acordo mútuo de não-agressão;
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Junho 2001: Rússia abre mão de sua base militar em Vaziani;
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Outubro 2001: Conflitos entre tropas paramilitares geórgias e tropas abkazes; Rússia acusa Geórgia de garantir refúgio a separatistas chechenos;
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Abril 2002: Tropas norte-americanas desembarcam na Geórgia para prover treinamento anti-terrorismo;
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Outubro 2002: Cooperação entre Moscou e Tbilisi levam à captura de refugiados chechenos em operação especial;
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2003: Revolução da Rosa; Saakashvili assume o poder com orientações pró-Ocidente;
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Maio 2003: Começo das obras de transporte de petróleo, ligando o Azerbaijão à Turquia, por meio da Geórgia;
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Março 2004: Aumento das tensões do governo com a região autônoma de Ajaria;
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Maio 2004: Eleições parlamentares na Ossétia do Sul, não reconhecidas pelo governo geórgio;
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Janeiro 2005: Propostas de garantias de autonomia para Ossétia do Sul e Abkázia são rejeitadas por clamores independentistas; autoridades geórgias insistem na permissão para o retorno de geórgios refugiados da região desde conflitos em 1993;
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Maio 2005: Visita de George Bush à Geórgia;
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Julho 2005: Retirada de tropas russas da Geórgia, de acordo com compromisso de total retirada até 2008;
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Janeiro 2006: Explosões do lado da fronteira russa causam interrupção na transmissão de energia para a Geórgia; acusações mútuas de sabotagem ou ação de insurgentes do Cáucaso Norte; Geórgia recebe gás proveniente do Irã via Azerbaijão;
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Março de 2006: Tbilisi protesta contra a suspensão da importação do vinho russo por supostas razões sanitárias;
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Maio 2006: Rússia suspende importação de água mineral geórgia; mais uma vez autoridades geórgias alegam que medidas tem cunho político;
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Maio 2006: Geórgia passa a exigir a emissão de vistos para as operações de paz russas na Ossétia do Sul, causando desconforto;
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Julho 2006: Abertura da transmissão Baku-Tbilisi-Ceyhan para o petróleo do Mar Cáspio; parlamento geórgio pede retirada das tropas russas da Ossétia do Sul e da Abkázia e sua substituição por tropas internacionais;
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Setembro 2006: Helicóptero militar geórgio é alvo de ataque na Ossétia do Sul; acordos de negociação entre a Geórgia e a OTAN;
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Outubro 2006: Membros do exército russo são detidos por suspeitas de espionagem; Rússia retira seu embaixador temporariamente e expulsa centenas de geórgios ilegais da Rússia;
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7 de agosto 2007: Geórgia acusa Rússia de invasão militar de seu espaço aéreo com fins políticos de criar pânico no país;
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17 de agosto 2007: Delegação de experts de Suécia, Estônia, Letônia e Lituânia, chega à Estônia para examinar o artefato não-detonado supostamente enviado por aviões russos.
3. Contextualização e repercussão:
3.1 Locais:
- Instabilidade política no governo Saakashvili;
- Dificuldades econômicas e sociais decorrentes do acirramento de sanções russas;
- Deportação de imigrantes ilegais geórgios na Rússia;
- Possíveis problemas energéticos e dificuldades para a população geórgia no período de inverno.
3.2 Regionais:
- deterioração do relacionamento de Moscou com a vizinhança próxima da Ásia Central;;
- aumento de mobilizações civis de conotação étnica;
- instabilidade política na região;
- maior espaço de manobra para movimentos dissidentes e separatistas;
- afastamento da Ásia Central, particularmente do círculo do GUAM (Geórgia, Ucrânia, Azerbaijão e Moldavia) da influência russa e adesão crescente às iniciativas ocidentais;
- oportunidades de penetração da OTAN vis-à-vis descontentamento dos vizinhos com as políticas russas na região;
- dificuldade no fornecimento de energia, com a criação de gargalos em pontos-chave de distribuição.
3.3 Globais:
- Isolamento russo no contexto regional;
- Aumento nas dificuldades de interlocução entre Ocidente e Rússia;
- Possibilidades para o avanço da OTAN nas ex-áreas de influência soviética;
- Revigoramento dos movimentos dissidentes e de crime organizado com conexões;
4. Cenários:
a) Curto prazo:
Congelamento das relações entre Geórgia-Rússia;
Acirramento do antagonismo Saakashvili-Putin;
Troca sucessiva de provocações político-diplomáticas;
Primeiras investigações sobre responsabilidade do governo russo;
b) Médio prazo:
Discussão do tema no âmbito da comunidade internacional;
Reafirmação da perda de influência política na Ásia Central;
Estabelecimento de canais de negociação mediada;
Rediscussão de temas regionais tangentes, Abkázia, Ossétia do Sul e Chechênia;
c) Longo prazo:
Avanço paulatino da presença ocidental na região, na medida em que a resistência russa perder efeito sob tendência assumida pelos governos dos Estados da região;
Discussão do avanço da OTAN e conseqüentes atritos entre Ocidente e Rússia;
5. Versões:
1. Versão geórgia:
Dois caças russos “Su-Type” penetraram no espaço aéreo geórgio na cidade de Tsitelubani (60 km de Tbilisi) e lançaram míssil, que não foi detonado. Ministério das Relações Exteriores da Geórgia caracterizou o fato como “ato de agressão”.
A intenção russa seria provocar pânico na população e forçar a instabilidade interna para o enfraquecimento e subseqüente queda do governo pró-ocidente de Saakashvili;
2. Versão russa:
Comandante da força aérea russa nega a ocorrência de qualquer operação militar de agressão à Geórgia, nem invasão de espaço aéreo por suas tropas.
Autoridades russas sugerem “histeria” do governo geórgio.
3. Teoria Ossétia do Sul:
Líderes dissidentes da Ossétia do Sul, que contam com apoio russo, aventam a possibilidade de tropas da própria Geórgia terem empreendido uma falsa operação com ataque à míssil para desacreditar as internções do governo russo;
6. Cenários:
Cenário 1: Mais um passo do afastamento prenunciado:
Continuação das acusações mútuas como parte de mais um fato detonante do afastamento dos países do GUAM com relação à Rússia, sem maiores mudanças de curso. O Ocidente evita tratar do tema para não piorar sua já difícil interlocução com Moscou;
Cenário 2: Entendimento mínimo Tbilisi-Moscou:
Promoção de diálogo mediado regionalmente em função de urgência de questões econômicas, sociais e energéticas para entendimento mínimo entre as autoridades de Moscou e Tbilisi; acordo sobre tratamento das questões separatistas da Chechênia, Abkázia, Ossétia do Sul.
Cenário 3: Proatividade Ocidental:
Intervenção cuidadosa das forças ocidentais para o tratamento do caso, confirmadas informações de violação do espaço soberano geórgio com fins políticos; discussão no âmbito do Conselho de Segurança; aproximação definitiva da Geórgia com o Ocidente e avanço das negociações de ingresso na OTAN, provocando indisposição do governo Putin.
6. Referências:
Georgia condemns Russian ‘raid’
Last Updated: Tuesday, 7 August 2007, 16:05 GMT 17:05 UK
http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/6935406.stm
Q&A: Russian-Georgian ties
http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/5393106.stm
Notícias Russas em ingles
REGNUM News Agency

31/08/2007



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