Eleições no Líbano, por PET – iREL UnB

2007 Agosto 31
by Equipe PET - iREL-UnB

 

1. Objeto de análise:

 

                    Eleições realizadas em 5 de agosto para o Parlamento libanês.

 

 

2. Informações de referência:

 

2.1 Palavras-chave:

 

Líbano,

Eleições Parlamentares,

Confessionalismo,

Política Interna,

Hezbollah,

Síria,

Política Externa dos EUA.

 

2.2 Cronologia:

 

      22 de outubro de 1989 – Assinatura do acordo Ta’if Agreement, marco no processo de encerramento da guerra civil iniciada em 1975.  

      1943 – É firmado um acordo não escrito entre líderes cristãos e muçulmanos o qual firma as bases políticas do Líbano atual.  O National Pact divide os cargos públicos com base nas religiões do país: fica por ele determinado que o presidente deve ser cristão maronita; o primeiro-ministro, um muçulmano sunita; e o porta-voz do parlamento, um muçulmano xiita.

      27 de agosto de 1991 – Por intermédio de emenda constitucional, o número de assentos da Assembléia Nacional é expandido ao número de 128 e esta passa a ser eqüitativamente dividida entre cristãos e muçulmanos. 

      24 de maio de 2000 – Retirada dos exércitos israelenses do sul do território libanês – área que fora ocupada em 1982 e que funcionou durante os tempos de guerra civil como base para ataques árabes a Israel. Tal ação foi motivada pelos constantes ataques perpetrados pelo grupo Hezbollah.

      14 de fevereiro de 2005 – Assassinato do então Primeiro-Ministro Rafik Hariri, seguido por uma onda de assassinatos a outras figuras libanesas, políticos e jornalistas. A despeito da inexistência de provas que corroborassem algum tipo de envolvimento sírio, aumenta-se a pressão popular contrária à presença da Síria no Líbano.

      14 de maio de 2005 – Grande manifestação popular anti-Síria por “Liberdade, soberania, independência”, um mês após a morte de Rafik Hariri. A data também dá nome a uma aliança política de partidos contrários à influência síria cuja liderança está centrada na figura de Saad Hariri, filho do ex-Primeiro-Ministro.

      27 de abril de 2005 – Recuo de grande parte da tropa de 25.000 soldados sírios de Beirute e intermediações, com respaldo do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

      Junho de 2005 – São realizadas eleições para o parlamento. Uma aliança anti-síria liderada por Saad Hariri vence 72 das 128 vagas possíveis.

      20 de outubro de 2005 – É liberado um relatório das Nações Unidas que confirma o envolvimento das inteligências síria e libanesa no assassinato do Sr. Hariri.

      12 de julho de 2006 – Seqüestro de dois solados israelenses em território israelense, além da morte de outros oito militares, em uma ação levada a cabo pelo grupo terrorista Hezbollah, que buscava a libertação de prisioneiros árabes, inclusive seus militantes. Autoridades israelenses consideraram a invasão do Hezbollah como um “ato de guerra” e responderam com bombardeios aéreos. Além dos bombardeios, que atingiram o aeroporto internacional de Beirute e um bairro da capital controlado pelo Hezbollah, a Marinha israelense invadiu parte das águas libanesas e bloqueou portos libaneses no Mediterrâneo. O principal alvo é sul do Líbano, onde o Hezbollah se concentra. O Hezbollah lança vários foguetes contra o norte de Israel, causando mortos e feridos.

      18 de julho de 2006 – Israel invade o sul do Líbano em busca de bases do Hezbollah com o objetivo de criar uma zona de segurança na região e impedir que o Hezbollah use a região para disparar foguetes contra o território do Estado judeu.

      05 de agosto de 2007 – São realizadas eleições para dois assentos do flanco cristão do Parlamento cujos ocupantes anti-sírios foram assassinados. Kamil Khoury, opositor ao atual governo pró-Síria, vence o ex-presidente Amin Gemayel.  A outra vaga é ocupada, com ampla margem de votos, pelo candidato governista Mohammed al-Amin Itani.

                       

                                                                         

3. Contextualização e repercussão:

 

3.1 Globais:

 

   Aumenta a preocupação por parte dos EUA acerca do modo pelo qual serão conduzidas as eleições presidenciais. É de interesse norte-americano evitar toda e qualquer atitude síria capaz de influenciar a escolha do novo presidente;

   A França assume um papel conciliador ao propor o diálogo entre líderes políticos adversários e a manutenção da data previamente agendada para as eleições presidenciais (25 de setembro);

   É crescente a idéia de que grandes potências e líderes regionais devem agir e cooperar para com a melhora do clima político interno do Líbano.

 

3.2 Locais / Regionais:

 

   As eleições recém ocorridas para o Parlamento descortinam o fortalecimento do partido anti-Síria e trazem à tona clima acirrado entre partidos políticos rivais para a presidência: um apoiado por Estados Unidos e Arábia Saudita, e outro, opositor, com apoio do grupo Hezbollah, Síria e Irã;

   Cabe ao Parlamento eleger o sucessor do presidente Emile Lahoud em fins de setembro. O governo, entretanto, provavelmente não possuirá a maioria de 2/3 necessária para o preenchimento do cargo, ao passo que a oposição julga inconstitucional qualquer resultado abaixo do mesmo número;

   Cria-se um ambiente de impasse político e de insegurança quanto às eleições presidenciais e quanto à forma com que o Estado libanês será conduzido caso o novo ocupante não seja eleito antes do término do mandato do atual presidente, Emile Lahoud;

   Líderes da oposição insistem na criação de um governo de unidade nacional no qual que possam vetar a escolha do presidente. Argumentam, para tanto, que a escolha de tal deve acontecer em bases consensuais nacionais;

   A comunidade maronita se encontra dividida entre o candidato da oposição, Michel Aoun, e os da situação, Boutros Harb e Nassib Lahoud.

 

 

4. Cenários:

 

4.1. São eficazmente aumentados os esforços internacionais para a melhoria do ambiente político do Líbano e as eleições para a presidência do país são realizadas dentro do período estabelecido. O partido vencido reconhece a legitimidade do candidato vencedor.

 

4.2. A atmosfera política libanesa mantém a tensão e os partidos não logram chegar a um acordo sobre o novo presidente. Far-se-ia, então, necessária a realização de uma nova emenda na constituição que permita a algum funcionário do alto escalão governar enquanto continuar o impasse político.  Tal contexto poderia facilmente levar a um aumento do grau de instabilidade, a uma recessão econômica e, consequentemente, a um recrudescimento das tensões regionais.

 

 

5. Leituras sugeridas:

 

Departamento de Estado dos EUA (Background note: Lebanon)

http://www.state.gov/r/pa/ei/bgn/35833.htm

 

Infoplease

http://www.infoplease.com/ipa/A0107710.html

 

Agência Reuters

http://www.reuters.com/article/reutersEdge/idUSL2265665220070822?pageNumber=3&sp=true

No comments yet

Leave a Reply

Note: You can use basic XHTML in your comments. Your email address will never be published.

Subscribe to this comment feed via RSS