A crise das bolsas, por PET – iREL UnB
1. Objeto de análise:
Recente crise financeira que tem causado abalos em bolsas de todo o mundo.
2. Informações de referência:
2.1 Palavras-chave:
– bolsa de valores;
– “bolha imobiliária”;
– especulação financeira;
– análise de riscos;
– crédito “subprime” (de alto risco);
– inadimplência financeira;
-falta de crédito;
2.2 Cronologia:
- 31/07 – A American Home Mortgage Investment anuncia que não tem mais recursos para garantir créditos imobiliários e pode liquidar ativos.
- 09/08 (quinta-feira) – O banco francês BNP Paribas suspendeu resgates em três fundos, alegando incerteza quanto aos efeitos sobre os investimentos dos fundos da crise no mercado de hipotecas de risco nos EUA (estopim da crise).
- 10/08 (sexta-feira) - A empresa Countrywide Financial anuncia que enfrenta problemas “sem precedentes” no mercado de hipotecas que devem afetar seus resultados de forma “desconhecida”.
- 14/08 (terça-feira) - A Management Group congela os investimentos que administra, que chegam a US$ 1,5 bilhão, alegando que muitos investidores tentaram retirar seu dinheiro.
- Nasdaq -1,7% ; Dow Jones -1,57%; Ibovespa -2,23%; Londres -1,12%;
- 15/08 (quarta-feira) - As ações da empresa Countrywide Financial caem 19%.
- Fed disponibiliza a US$ 7 bilhões para o sistema bancário americano.
- Nasdaq -1,61%; Dow Jones -1,29%; Ibovespa -3,19%; Londres -0,56%; Tóquio -2,19%; Hong Kong -2,87%.
- 16/08 (quinta-feira) – A empresa Countrywide Financial, maior financiadora imobiliária dos EUA, foi obrigada a tomar US$ 11,5 bilhões para se prevenir contra uma possível falta de crédito.
- O Departamento do Comércio informou hoje que a construção de casas nos EUA teve queda de 6,1% em julho.
-Nasdaq -0,32%; Dow Jones -0,12%; Ibovespa -2,58%; Londres -4,1%; Paris -3,26%; Tóquio -2%; Seul -7%; Hong Kong -3,7%.
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17/08 (sexta-feira)
- Senador dos EUA cobra exame das agências de rating
- Bolsas têm alta após anúncio do Fed de recuo na taxa de redesconto dos bancos.
- Federal Reserve libera US$ 6 bi para o sistema bancário.
- Ações da Countrywide mostram recuperação com alta de 13%
- Nasdaq +2,20%; Dow Jones +1,82%; Ibovespa +1,13%; Londres +3,5%; Paris +1,86%; Mumbai +3,06%; Tóquio -5,42%; Seul -3,1%; Xangai -2,28%; Cingapura -4,99%; Hong Kong -6%.[V1]
20/08 (segunda-feira)
– Nasdaq +0,14%; Dow Jones +0,32%; Ibovespa +1,33%; Londres +0,24%; Paris +0,67%; Tóquio +3%; Xangai +5,3%; Hong Kong +5,9%;
- 21/08 (terça-feira)
- Fed anuncia que vai usar “todas as ferramentas disponíveis” para conter a crise no mercado financeiro.
- O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson diz que a economia global é forte e que a normalidade nas Bolsas voltará quando os investidores se acalmarem
- O banco francês BNP Paribas anuncia que pode descongelar os resgates em três fundos expostos a investimentos em papéis ligados ao mercado de créditos de risco dos EUA.
- Nasdaq +0,51%; Dow Jones -0,23%; Ibovespa +0,84%; Londres +0,12%; Paris +0,36%; Tóquio +1,07%; Xangai +1%; Hong Kong +0,62%;
- 22/08 (quarta-feira) - Nasdaq +1,25%; Dow Jones +1,11%; Ibovespa +3,87%; Londres +1,81%; Paris +1,83%; Tóquio -0,01%; Xangai +0,5%; Hong Kong +2,8%;
3. Contextualização e repercussão:
Os créditos subprime por serem de alto risco e, portanto, mais rentáveis para os bancos (por causa dos altos juros) começam a ser largamente concedidos por instituições privadas no mercado norte-americano.
A grande quantidade de inadimplentes começa a afugentar novos fundos para empréstimo que, juntamente com o não-pagamento dos empréstimos concedidos, provoca a retração da oferta de crédito.
A situação torna-se preocupante e a crise que nem ainda havia estourado já possuía um nome (“crise das bolsas”) e era esperada pelo mercado financeiro.
O estopim acontece em 09/08 quando o banco francês BNP Paribas congela o saque de três de seus fundos de investimentos que tinham recursos aplicados em créditos gerados a partir de operações hipotecárias nos EUA. A instituição alegou dificuldades em contabilizar as reais perdas desses fundos.
Desde então a crise financeira tem-se alastrado por todas as bolsas de valores do mundo, ao mesmo tempo em que várias financiadoras americanas anunciam prejuízos, tomam empréstimos e/ou decretam falência.
No entanto, nos últimos dias, devido a ações do Fed e de vários bancos centrais do mundo, assim como a aparente reconquista de confiança do mercado imobiliário norte-americano demonstrada pelo descongelamento dos resgates de três fundos baseados em investimentos em papéis ligados ao mercado de créditos de risco dos EUA tem provocado uma certa estabilidade nas bolsas de valores de todo o mundo.
a) Curto prazo:
Bancos europeus e americanos cortaram o crédito a empresas, mesmo as de primeira linha, enquanto vários bancos centrais do mundo começaram a injetar muito dinheiro no mercado.
Os investidores externos ao deixarem de receber o dinheiro que emprestaram a seus clientes nos EUA, tiveram de vender ativos (ações, títulos etc.) em outros países para cobrir os prejuízos, fazendo, assim, bolsas de valores do mundo inteiro retraírem-se.
b) Médio prazo:
Espera-se que haja maior rigidez na concessão de crédito.
4. Cenários:
Cenário Otimista:
Se a crise ficar restrita a uma pequena parcela do setor de crédito nos EUA, pode-se esperar que a mesma não se estenda até a economia real, não afetando, assim, salários, preços, compra e venda, etc.
Cenário Pessimista:
A desconfiança pode manter-se, causando uma desaceleração mundial, que derrubaria o preço das commodities e reduzindo o comércio global.
[V1]Bolsas fechadas antes do anúncio do FED.