Esta dissertação analisa o processo de reaproximação política do Brasil e do Paraguai que teve lugar no período de 1954 a 1973. Defende-se que esses anos podem ser considerados marcos fundamentais para o relacionamento bilateral: em 1954, o general Alfredo Stroessner ascende ao poder no Paraguai e instaura uma ditadura baseada no tripé Governo – Forças Armadas – Partido Colorado; em 1973, é firmado o Tratado de Itaipu, que, ao viabilizar juridicamente a construção da usina hidrelétrica de Itaipu, converteu em resultados práticos os entendimentos a respeito do aproveitamento compartilhado por Brasil e Paraguai do potencial hidrelétrico do rio Paraná. O objetivo deste trabalho é buscar compreender como a conjugação de alguns elementos contribuiu para a reconstrução do relacionamento bilateral brasileiro-paraguaio a partir de 1954, após décadas de afastamento desde a Guerra da Tríplice Aliança. Para isso, a pesquisa lança mão de ferramentas teóricas oriundas da geopolítica e da concepção do homem de Estado – duas disciplinas completamente distintas, mas que se mostraram atuantes e pertinentes para o estudo em tela. Após as considerações de ordem teórica, são mostradas variáveis essenciais dos antecedentes do relacionamento bilateral: o pós-Guerra da Tríplice Aliança, a formação dos partidos políticos no Paraguai, além de breve biografia de Stroessner. Em seguida, o trabalho discute essa reaproximação em termos de realização de obras de infra-estrutura no Paraguai com a ajuda do Brasil, no momento no qual predominavam as relações bilaterais. Defende-se que o Paraguai pretendia beneficiar-se das políticas brasileiras sem, contudo, abandonar sua política pendular com a Argentina. O Brasil, por sua vez, tinha objetivos de expansão de sua área de influência geopolítica na região do Prata. No momento seguinte, cuja marca foram as relações regionais, a posse da região de Sete Quedas transformou-se em uma questão conflituosa e exigiu negociações mais intensas, e, nesse contexto, a Argentina logrou obrigar Brasil e Paraguai a discutirem os temas da bacia com todos os demais ribeirinhos. Apesar disso, o Paraguai, ao alcançar entendimentos com o Brasil nesse ponto, optou definitivamente por entrar na esfera de influência geopolítica brasileira. Nesse contexto, a assinatura do Tratado de Itaipu em 1973 concretizou em um projeto binacional eqüitativo e estratégico a reaproximação iniciada a partir da ascensão de Stroessner, em 1954.
Acesse a dissertação completa – Brasil-Paraguai : marcos da política pragmática na reaproximação bilateral, 1954-1973: um estudo de caso sobre o papel de Stroessner e a importância de Itaipu

12/08/2007



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