Luiz Fara Monteiro: Bom dia a você, em todo o Brasil, começa agora o “Café com o Presidente”, o programa de rádio do Presidente Lula. Tudo bem, Presidente?
Presidente: Bom dia, Luiz.
Luiz Fara Monteiro: Presidente, o senhor esteve, sábado, na Bahia e foi inaugurada mais uma fábrica de biocombustível. O biodiesel, assim como o álcool, são substitutos viáveis do petróleo e isso interessa a todos os países. Quais são as perspectivas do Brasil nessa área, Presidente?
Presidente: O Brasil vive um momento muito interessante, um momento auspicioso, porque detém a tecnologia da produção de álcool como nenhum outro país do mundo. Nós estamos hoje não apenas produzindo 16 bilhões e meio de litros de álcool no Brasil e utilizando 23% de álcool na gasolina, como nós estamos em uma frente de trabalho muito forte, do governo e dos empresários, na tentativa de convencer o mundo desenvolvido a colocar álcool na gasolina para diminuir a emissão de gases que tanto poluem o planeta Terra e tanto preocupam os países do mundo e os ambientalistas.
O Brasil saiu mais um passo na frente, com o começo da produção de biodiesel, ou seja, de diesel construído à base de mamona, à base de pinhão manso, à base de dendê, à base de girassol, à base de caroço de algodão, à base de soja. Nós estamos, outra vez, na frente mostrando ao mundo que é possível ter um combustível renovável, menos poluente, muito mais barato, muito mais rentável e muito mais gerador de empregos, porque você contrata isso da agricultura familiar.
Todos nós assistimos o relatório divulgado pela ONU, do aquecimento do Planeta, são mudanças nos oceanos, são mudanças… chove mais em algum lugar do que choveu alguns anos atrás, faz mais calor em outros do que fazia algum tempo atrás. Então, nós estamos diante de um problema da Humanidade, ou seja, nós queremos preservar ou não o Planeta que nós vivemos? Nós não podemos destruir o nosso habitat natural, o nosso meio ambiente.
Luiz Fara Monteiro: Você está ouvindo o “Café com o Presidente”, o programa de rádio do Presidente Lula. A ministra Marina, do Meio Ambiente, fala muito em desenvolvimento sustentável. É possível isso mesmo, Presidente, desenvolver um país, principalmente países mais pobres, mantendo o meio ambiente em ordem?
Presidente: É possível. Não só é possível como é necessário e é inteligente. Se você pegar o projeto que nós fizemos da construção da BR-163, que liga Santarém, no Pará, a Cuiabá, no Mato Grosso, você vai perceber que em torno dela há um projeto de exploração da floresta que pode gerar até 100 mil empregos. Com o manejo correto da floresta, você podendo tirar as árvores e, ao mesmo tempo, tendo obrigação de plantar outras árvores, você vai poder utilizar a floresta com mais inteligência, com mais sabedoria, e você vai poder manter a floresta praticamente intacta, tirando apenas aquilo que você pode tirar e replantando aquilo que você tirou.
Então, tudo que nós fizermos para o desenvolvimento do País tem que ter uma combinação perfeita entre a melhoria da qualidade de vida das pessoas, levada pelo desenvolvimento, e a preservação ambiental, que é um item da qualidade de vida que as pessoas precisam ter para viver bem. E isso o Brasil está fazendo com muita responsabilidade. Nós estamos cumprindo a nossa parte, nós estamos contribuindo para despoluir o Planeta e nós precisamos exigir que os países ricos, que são responsáveis pela emissão de 70% do gás carbônico jogado no mundo, diminuam essa poluição.
Luiz Fara Monteiro: Pois é, o senhor vem defendendo uma campanha para sensibilizar esses países mais ricos a entrarem nesse jogo de preservar o meio ambiente. O senhor já conseguiu sensibilizar alguns líderes mundiais, Presidente?
Presidente: Olha, não é uma coisa fácil, porque isso tem uma ligação direta com a questão econômica de cada país. Mas eu vou dar um exemplo. A Embrapa fez um estudo comparando o desmatamento da floresta existente 8 mil anos atrás ao que nós chegamos agora. Só para ter uma idéia, a Europa inteira, hoje, tem apenas 0,3% da mata que ela tinha 8 mil anos atrás. O Brasil tem 69%. Os Estados Unidos, ou melhor, a América do Norte toda tem 32%, por causa do reflorestamento do Canadá para produzir papel e celulose.
Então, o Brasil tem autoridade moral e política para exigir que os países ricos, ao invés de ficarem produzindo protocolos que depois não assinam, cumpram com a sua obrigação de despoluir o Planeta. Nós faremos a nossa parte. Agora, é preciso que eles façam a deles.
Luiz Fara Monteiro: Presidente, no dia 9 de março o senhor recebe o Presidente dos Estados Unidos aqui no Brasil, o George Bush. O meio ambiente vai entrar na pauta desse encontro?
Presidente: Vamos conversar. Esse é um dos assuntos que vamos conversar com o Presidente Bush. Esse é um assunto que nós vamos conversar no G-8, eu já estou convidado para ir à Alemanha, no mês de julho. Os países pobres não podem aceitar a tese dos países ricos, apenas, de que eles criam um fundo para ajudar os países que não desmatam, ou seja, nós não desmatamos e eles continuam poluindo o Planeta.
O que nós queremos é, além de preservar as nossas matas, que é obrigação nossa para melhorar a garantia de vida do nosso povo, explorar a floresta da forma mais civilizada possível, com o manejo correto da floresta e, ao mesmo tempo, fazer uma forte cobrança para que os países ricos diminuam a emissão de gás carbônico.
Luiz Fara Monteiro: Ok, Presidente. Obrigado, um abraço e até a semana que vem.
Presidente: Obrigado a você, Luiz, e obrigado aos nossos ouvintes.
Luiz Fara Monteiro: Valeu você que acompanhou o nosso Programa. A gente volta na segunda-feira que vem. Obrigado pela sua companhia e até lá. Acesse o Programa também na Internet: www.radiobras.gov.br

12/02/2007



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