Primeiro, queria, de público, agradecer o companheiro Evo Morales, o povo boliviano e o povo de Cochabamba pelo carinho que nos foi dado nesses dois dias. Desde a mais humilde funcionária do hotel até as pessoas nas ruas de Cochabamba. Penso que poucas vezes nós, presidentes, vimos um tratamento tão carinhoso como o que recebemos aqui. Então, gracias, Evo, gracias ao povo da Bolívia e gracias ao povo de Cochabamba.
Segundo, dizer para vocês que a reunião da Comunidade Sul-Americana de Nações me dá a certeza de que temos muitas coisas para acertamos, temos muitas divergências, mas também temos muitas convergências. E podem ficar certos de que aqui, na América do Sul, nós não levaremos 50 anos, como levou a Europa, para se unificar. Vamos fazer em menos tempo, porque temos vontade política, temos necessidade e queremos transformar a América do Sul e, quiçá, a América Latina, em um pólo de desenvolvimento e de justiça social. Nós não perderemos o século XXI. Já perdemos o século XIX e o século XX. O século XXI tem que ser da América do Sul e vai depender da nossa capacidade.
Se a imprensa analisar corretamente, vai perceber que o povo da América do Sul está produzindo mudanças mais rápido do que nós, os dirigentes. Ou seja, poucas pessoas no mundo acreditavam que em tão pouco tempo o povo elegeria, na América do Sul, tanta gente comprometida com as causas populares. Penso que o desafio que está colocado para nós, depois de realizarmos uma reunião como esta que realizamos, é um só: nós, os presidentes, que participamos hoje da governança da América do Sul, não temos o direito de falhar com os pobres deste Continente. Não temos o direito.
Todo mundo sabe que governamos para todos, mas que dentro da nossa política a preferência é para que os pobres conquistem cidadania, é para que os pobres possam estudar, e é para que os pobres possam ter acesso aos bens materiais produzidos por eles próprios.
Temos muito a fazer. Quero terminar dizendo a vocês que eu, particularmente, estou convencido (e tenho certeza de que todos os companheiros também estão) que não há saída individual para nenhum país da América do Sul ou da América Latina. Ou nos juntamos e fazemos da integração uma integração política; econômica; comercial; industrial; cultural, ou não temos muita possibilidade. O mundo avançou e nós, durante muito tempo, retrocedemos.
Quem duvidar, quem tiver qualquer dúvida do avanço da América do Sul, deve apenas olhar para quem dirigia este Continente há dez anos atrás e quem dirige este Continente hoje. Houve uma mudança extraordinária feita pelo povo da América do Sul e isso nos obriga a sermos cada vez mais responsáveis e a pensarmos cada vez mais em uma política de inclusão social, de inclusão cultural, de inclusão digital, e, sobretudo, de inclusão política para as maiorias da nossa sociedade.
Querido Evo, quero dizer que estou me retirando agora, quero pedir desculpas de não ir ao estádio, porque tenho um problema sério para resolver no Brasil, mas quando hablares com el povo de Cochabamba, transmita um abraço meu.
Gracias, querido, por tudo. Obrigado Chávez, obrigado Nicanor e até outro dia.

09/12/2006



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