Sinto-me honrado em ter recebido de meus colegas Presidentes e dos altos representantes aqui presentes a incumbência de saudar aquele que o povo peruano escolheu democraticamente para conduzir os destinos do Peru nos próximos anos.
Ao conduzi-lo ao comando do país, os peruanos renovaram seu voto de confiança em um homem público dedicado ao diálogo, ao entendimento e aos interesses maiores do Peru.
Ao voltar à Presidência da República, meu caro Alan, você encontrará não só um país distinto daquele que presidiu anos atrás. Terá diante de si também uma América do Sul muito diferente. Superamos os anos sombrios do autoritarismo, vivemos hoje em toda a região um ciclo de crescimento econômico. Nossos países lograram controlar a inflação e diminuir a vulnerabilidade externa de suas economias. Todas essas conquistas obtivemos com muito sacrifício e não eliminaram os enormes desafios que temos pela frente.
Depois de mais de duas décadas perdidas, persiste ainda a pobreza e a desigualdade social. Necessitamos renovar nossas estruturas produtivas e construir uma infra-estrutura física e energética à altura dos desafios que temos pela frente.
Uma nova geração de governantes têm plena consciência de todos esses problemas. Sabemos que crescer economicamente é importante e necessário. Mas sabemos também que não é suficiente para resolver os graves problemas que a desigualdade social provoca em nosso continente.
É fundamental vincular indissoluvelmente o crescimento à distribuição de renda. É necessário, ao mesmo tempo, desenvolver programas de inclusão social capazes de dar resposta aos problemas emergenciais provocados pela exclusão.
Esses programas não são “filantrópicos” ou “populistas”, como pretendem alguns. Eles contribuem para minorar a sorte daqueles que vivem situações extremas. Ajudam na constituição de um mercado de bens de consumo de massas, na dinamização da economia.
Nossos países vivem as conseqüências de uma situação periférica no mundo. Mas apreendemos que não basta lamentarmos eternamente nossa situação e transferir para outros responsabilidades que são nossas.
As mazelas que marcam nossas sociedades são em grande parte de responsabilidade das elites políticas que nos governaram e que se beneficiaram da pobreza, da desigualdade e do autoritarismo e, inclusive, da situação de dependência que vivemos.
O que marca cada vez mais a nova geração que tem hoje a responsabilidade de governar nossos países é uma forte sensibilidade social, profundas convicções democráticas, determinação de construir economias sólidas e a convicção de que, para atingir esses objetivos, necessitamos nos integrar. A integração física, energética, produtiva, social, cultural e política é a chave para garantir nossa presença soberana e competitiva neste mundo desigual e hostil em que vivemos.
Você, meu caro Alan, é sensível a essas realidades. Governou este país, enfrentou dificuldades. Volta à Presidência com mais experiência. Tem agora a oportunidade e todas as condições para corresponder à expectativa daqueles que o conduziram à Presidência e, inclusive, de todos aqueles que votaram em outros candidatos e querem o bem do Peru.
Temos plena confiança em sua disposição de enfrentar conosco os desafios da integração sul-americana. Você tem como inspiração o ideário Victor Raul Haya de la Torre, que sempre associou o destino de seu país ao do nosso continente.
Meu caro Presidente,
Saudamos, na sua pessoa, a vocação integracionista do povo peruano. O compromisso do Peru com o ideal de uma América Latina solidária e com a consolidação de uma Comunidade Sul-Americana de Nações ganha, hoje, nova força. Para realizar essa tarefa contamos com o extraordinário potencial dos recursos naturais e humanos de nossa região e com seu empenho pessoal para a promoção da justiça social.
Sei que falo em nome de todos quando afirmo que queremos compartilhar as excelentes experiências econômicas, sociais e políticas que vêm sendo postas em prática em todo nosso continente. Saiba, portanto, que não estará só ao enfrentar os desafios à frente da nação peruana. Estamos forjando, hoje, um ambiente de diálogo e cooperação único na história sul-americana.
Foi com essa confiança, que meu governo apostou – e segue apostando com entusiasmo – em uma associação estratégica entre o Peru e o Brasil. A construção da Rodovia Interoceânica e a parceria de empresas peruanas e brasileiras simbolizam essa vontade de unir duas nações vizinhas e amigas. Ela atesta a determinação peruana em fortalecer a Comunidade Andina de Nações e em aprofundar seus laços com o Mercosul. Sobretudo, essa obra reafirma o compromisso de construirmos a infra-estrutura necessária para ligar o Pacífico ao Atlântico, integrando assim, em definitivo, nosso continente por meio de diálogo, cooperação e comércio. Mais que a ligação entre dois países, essa rodovia dá consistência a toda nossa América do Sul.
Meus amigos
Todos conhecemos a trajetória política de Alan Garcia. Alguns, como eu, mantemos relação pessoal de muitos anos, o que permitirá que nosso diálogo seja mais fluído e nossas relações políticas mais francas e produtivas.
O que posso dizer-lhe além de boa sorte, Companheiro Alan García?
É, portanto, com viva emoção que convido todos a erguer um brinde para desejar que sua gestão seja marcada por muita paz, prosperidade e justiça para todos os peruanos.

28/07/2006



Ainda sem comentários... Seja o primeiro a responder!