Durão Barroso, Presidente da Comissão Européia,
Senhores integrantes das delegações da Comissão Européia e do Brasil,
Meus amigos e minhas amigas.
É uma satisfação muito especial poder receber novamente no Brasil o meu amigo, presidente Durão Barroso, agora como Presidente da Comissão Européia.
Nos últimos anos, o Brasil e a União Européia vêm aprofundando o diálogo e a cooperação nos campos político, econômico e da ciência e tecnologia. Temos sólida base de valores comuns: o compromisso com a democracia, o respeito aos direitos humanos, o desenvolvimento com justiça social e a primazia do multilateralismo.
Na reunião de trabalho com o presidente Durão Barroso, passamos em revista a cooperação bilateral e discutimos a criação de mecanismos de diálogo. Estamos decididos a reforçar nossa parceria em matéria social, em ciência e tecnologia, turismo, segurança energética, meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
Coincidimos que as energias renováveis, por sua importância econômica e ambiental, devem merecer nossa especial atenção. O Brasil recebeu com entusiasmo a proposta européia de um diálogo reforçado sobre biocombustíveis. Estamos prontos para intercambiar experiências, cooperar no desenvolvimento de tecnologias e promover a utilização mundial dos combustíveis renováveis. Queremos, também, avançar em programas de cooperação triangular, em benefício dos países da África e do Caribe.
Recebemos com satisfação o convite europeu para participar do Programa Galileo, de navegação por satélite, e do ITER, para a construção de um reator a fusão nuclear na produção de energia.
O Brasil acompanha com grande interesse o Programa-Quadro de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da União Européia para o período de 2007 a 2013. Queremos desenvolver um trabalho conjunto nas áreas de saúde, alimentação, biotecnologia e nanotecnologia, entre outras.
Meu caro Presidente,
A União Européia é um dos mais importantes parceiros comerciais do Brasil. Em 2005, exportamos 27 bilhões de dólares para o mercado europeu. Isso representa 22% de todas as nossas exportações. E importamos cerca de 18 bilhões de dólares, cerca de 25% das compras externas brasileiras.
Contamos com um estoque de investimentos europeus no Brasil da ordem de 150 bilhões de dólares. O Brasil reúne hoje todas as condições para atrair uma nova leva de inversões produtivas. Os esforços de ampliação e modernização de nossa indústria e da infra-estrutura abrem grandes e novas oportunidades de negócios.
Trocamos idéias sobre o processo de integração da América do Sul e da Europa. Disse ao meu amigo Durão Barroso que, apesar das vicissitudes e assimetrias, e a despeito do ceticismo de alguns, estamos construindo um espaço econômico integrado, que oferece um horizonte ampliado para o comércio e a cooperação.
Nossa região tem acompanhado com interesse a evolução da Europa no caminho da integração, seus avanços e também ocasionais recuos. A persistência e a visão de futuro que têm tido os seus líderes, em todos os momentos, mesmo os mais difíceis, servem de inspiração ao Mercosul e à Comunidade Sul-Americana de Nações.
O Brasil segue empenhado na conclusão exitosa das negociações do Acordo de Associação entre o Mercosul e a União Européia. Tenho certeza de que, com pragmatismo e realismo, chegaremos a um acordo ambicioso e equilibrado até o final deste ano.
Como indiquei ao presidente Durão Barroso, este acordo tem significado econômico e estratégico para o futuro do Mercosul e para as relações entre os dois dos maiores blocos econômicos do mundo.
Mas agora nossas atenções têm que se concentrar prioritariamente na OMC. A Rodada de Doha constitui oportunidade ímpar para tornar o comércio internacional um instrumento eficaz para o desenvolvimento. Somente com um comércio verdadeiramente livre de barreiras e subsídios distorcivos poderemos integrar milhões de seres humanos à economia mundial.
É fundamental que cada um faça a sua parte, proporcionalmente às suas capacidades. O Brasil está fazendo a sua. Mas os maiores gestos têm que vir sempre dos países ricos. O acesso aos mercados agrícolas é muito importante, mas ainda mais fundamental é a eliminação das distorções causadas pelos subsídios agrícolas.
Sabemos que o sucesso das negociações comerciais é crucial para o fortalecimento da governança global e para o desenvolvimento dos países mais pobres. O que está em jogo, em última análise, é o futuro do multilateralismo. Por isso, tenho insistido que os líderes políticos assumam plenamente suas responsabilidades neste processo. Disse ao meu amigo Durão Barroso que a reunião do G-8 é, possivelmente, a última chance de acordarmos as linhas gerais de um pacote ambicioso e equilibrado. O envolvimento dos líderes tem que dar impulso às negociações.
Meu caro amigo presidente Durão Barroso,
As relações entre o Brasil e a União Européia demonstram um nível excepcional de maturidade e dinamismo. Estamos agora trabalhando para que elas venham a atingir a condição de “parceria estratégica”. Certamente, esta visita é a melhor expressão do interesse mútuo em alcançar um patamar superior de interação e coordenação entre a União Européia, Brasil, Mercosul e América do Sul.
Muito obrigado.

31/05/2006



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