Luiz Fara Monteiro: Olá, amigos em todo o Brasil. Eu sou Luiz Fara Monteiro e começa agora mais uma edição do “Café com o Presidente”, o programa de rádio do Presidente Lula. Estamos gravando esta edição neste domingo, dia 14 de maio, às oito e meia da noite. Eu estou no estúdio da Radiobrás em Brasília e vamos falar com o presidente Lula em São Bernardo do Campo. Tudo bem, Presidente?
Presidente: Tudo bem, Luiz.
Luiz Fara Monteiro: Presidente, o senhor chegou hoje de uma viagem à Áustria, onde aconteceu a Cúpula União Européia e América Latina. Algum resultado positivo nesse encontro, Presidente?
Presidente: Luiz, o que é importante nessas cúpulas é que permitem que você tenha contatos bilaterais para resolver problemas que estão pendentes entre os países. Em Viena, tive a oportunidade de ter um bom encontro com o Primeiro-Ministro Tony Blair. Tive oportunidade de ter um encontro com a Chanceler Angela Merkel, da Alemanha. Esses dois encontros foram importantes porque estamos acertando algumas coisas que podem resolver o acordo da Organização Mundial do Comércio. O que é importante é que nós temos clareza que tem uma responsabilidade do G-20, representado pelo Brasil, tem uma responsabilidade dos Estados Unidos e tem uma responsabilidade da União Européia. Se cada um cumprir a sua função, poderemos, em julho, quando estivermos em São Petersburgo, marcar uma reunião em Berlim ou em qualquer outro lugar da Europa e firmar o acordo definitivo da OMC, o que eu acho que será um avanço para os próximos 20 ou 30 anos na questão do comércio internacional. Qual é a solução? Veja, os Estados Unidos têm uma responsabilidade que é a de resolver os subsídios. A União Européia tem o compromisso de permitir o acesso ao mercado agrícola para os países pobres, os países em desenvolvimento. E o Brasil e o G-20 têm a responsabilidade de flexibilizar o acesso a bens industriais para os países mais desenvolvidos, Estados Unidos e União Européia. Se os três blocos conseguirem configurar esse triângulo de objetividade que temos de cumprir, nós poderemos surpreender o mundo com um acordo que parecia impossível. Estou convencido de que se cada um assumir a sua responsabilidade poderemos, finalmente, assinar um grande acordo comercial no mundo, que possa permitir que os pobres possam vender seus produtos agrícolas nos países mais ricos.
Luiz Fara Monteiro: Agora, Presidente, por falar em acordo comercial, em Viena também o senhor se encontrou com o Presidente da Bolívia, Evo Morales. Afinal de contas, Presidente, como é que está a relação comercial entre Brasil e Bolívia?
Presidente: Pois bem, ao decretar a nacionalização do gás, houve toda uma polêmica, houve muito discurso, houve muitas interpretações equivocadas, às vezes afirmações equivocadas. Sempre acreditei que o bom acordo é aquele em que os dois, quando estão fazendo negócio, saem satisfeitos. O que eu disse ao Presidente Evo Morales é que nós reconhecemos que a Bolívia é dona do seu gás e eles, bolivianos, reconhecem que o Brasil é o maior consumidor. Então, nós somos dois países que precisamos estar em paz, precisamos ter tranqüilidade e precisamos, na renovação dos acordos que temos que fazer, levar em conta, primeiro, o contrato que nós temos; segundo, um preço que seja justo para os bolivianos e, ao mesmo tempo, seja justo para os brasileiros que consomem o gás. Estou convencido de que nós iremos terminar isso garantindo ao povo brasileiro, como eu posso garantir ao Programa, Luiz, que não haverá falta de gás, que os táxis continuarão funcionando a gás, que as casas que têm gás encanado continuarão recebendo gás e que as indústrias que estão produzindo continuarão, até porque o Brasil precisa se preparar nessa questão energética. Nós temos que ser donos do nosso nariz. O Brasil tem condições e, portanto, nós vamos trabalhar para que o Brasil seja auto-suficiente. Isso não implica que não continuemos importando gás da Bolívia, desde que o gás da Bolívia seja conveniente, do ponto de vista de preço, para o povo brasileiro.
Luiz Fara Monteiro: Esse é o “Café com o Presidente”, o programa de rádio do Presidente Lula. Agora, Presidente, falando em política interna, o governo federal liberou 1 bilhão e 400 milhões de reais na última semana para a agricultura. Para que vai servir essa verba?
Presidente: Luiz, a agricultura brasileira tem sido responsável, nos últimos anos, pelo crescimento da economia brasileira, tem sido responsável pelo crescimento das nossas exportações, mas a agricultura fica muitas vezes vulnerável às intempéries. Se chove mais, se chove menos, se não chove, se produzimos mais, cai o preço. O governo precisa assumir a responsabilidade de garantir uma certa equidade desses preços. Por isso, nós já tínhamos feito um pacote no mês passado e este mês estamos liberando 1 bilhão e 400 milhões para os agricultores, que é para garantir o preço mínimo aos agricultores. Quero trabalhar de forma que possamos garantir tranqüilidade a todos aqueles que no campo produzem, sejam empresários, seja a agricultura familiar. Essa liberação de recursos que nós fazemos é para garantir o preço mínimo da soja e vamos continuar discutindo a agricultura porque, para nós, a agricultura é a válvula principal do coração deste país.
Luiz Fara Monteiro: OK, Presidente. Obrigado e até a semana que vem, com mais um Programa.
Presidente: Obrigado a você, Luiz. Obrigado aos nossos ouvintes.

15/05/2006



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