Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de comemoração do Dia do Diplomata e formatura das turmas de 2003-2005 e 2004-2005 do mestrado em Diplomacia e do curso de Formação do Instituto Rio Branco – Palácio Itamaraty, Brasília – DF, 20/04/2006

Meu caro embaixador Celso Amorim, Ministro de Estado das Relações Exteriores,
Senhores embaixadores estrangeiros acreditados junto ao meu governo,
Senhores Ministros de Estado,
Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, Secretário-Geral das Relações Exteriores,
Embaixador Fernando Reis, diretor do Instituto Rio Branco,
Embaixador Everton Vieira Vargas, paraninfo da turma Wladimir Murtinho,
Professor Antonio Cançado Trindade, paraninfo da turma Afonso Arinos,
Meus caros oradores, secretário Lauro Beltrão, secretária Patrícia Wagner Chiarello,
Senhores diplomatas,
Formandos,
Familiares,
Minha esposa,
Esposa do Celso, do Samuel,

Vocês estão percebendo o volume do discurso aqui. Se eu estivesse numa solenidade no Itamaraty, certamente a diplomacia me obrigaria a tomar a decisão de não ler isto aqui. Eu vou deixar para os anais do Itamaraty, mas eu sinto a necessidade de dizer umas palavras para vocês.

Primeiro, meus parabéns. Ao escolherem a carreira de diplomata, vocês escolheram uma carreira para defender o nosso país num mundo cada vez mais disputado, onde cada milímetro das coisas discutidas no Planeta, hoje, exige perseverança, exige competência e, sobretudo, exige que nós acreditemos em nós mesmos antes de partirmos para os embates.

Quero agradecer aos familiares de vocês. Vocês devem saber do orgulho da mãe, do pai, quando vocês anunciaram que iam prestar concurso e se transformar em diplomatas brasileiros.

Nesses quatro anos, eu aprendi a conhecer um pouco a diplomacia brasileira. Não foram poucas as mesas de negociações, não foram poucos os momentos em que a gente pensava: não vai dar certo, o jogo acabou. E depois a gente descobria que o jogo não tinha acabado, era apenas um intervalo que não estava previsto pelo juiz.

E hoje nós estamos aqui, pelo menos na última data dos diplomatas brasileiros, no meu mandato presidencial. Eu queria dizer para vocês algumas coisas sobre o que foi feito nesses quatro anos.

Eu penso que vocês já perceberam que o primeiro grande gesto (está tão grosso que a pasta não fecha; não seria diplomático, mais correto, ler tudo isso, quando os familiares de vocês estão ali atrás, esperando o almoço que vocês prometeram ), a primeira decisão que eu tomei, quando ganhei as eleições, foi tentar fortalecer o Itamaraty, colocando como Ministro das Relações Exteriores alguém do quadro de carreira do Itamaraty. Tomei a decisão de ouvir três embaixadores, cada um por mais de uma hora, às vezes até um hora e meia, muitas vezes o Marco Aurélio presente comigo. Tomei a decisão de escolher o companheiro Celso Amorim para ser Ministro das Relações Exteriores. Possivelmente fosse o que eu conhecesse menos, mas foi o que bateu uma química melhor. Eu falei: para fazer o que nós temos que fazer, acho que o Celso é o homem certo, porque para fazer política internacional com uma certa independência é preciso ousadia, é preciso coragem para não ceder diante do primeiro editorial, da primeira matéria de jornal ou da primeira crítica. Era preciso acreditar que o que nós íamos fazer poderia melhorar o patamar de participação do Brasil na chamada política internacional.

Eu me lembro de quando nós fomos, no dia 10 de dezembro de 2002 – já eleito presidente e não empossado – conversar com o presidente Bush. Nós chegamos à Casa Branca e encontramos um homem que, a cada duas palavras que ele falava, uma e três quartos era sobre a questão do Iraque, a questão do terrorismo, era quase uma obsessão, e nós sabíamos o que significava o 11 de Setembro na cabeça do povo americano e o que aquilo implicava na decisão do governo. Depois que o presidente Bush falou, tentando enfaticamente nos convencer da importância da guerra, eu disse: “Presidente, olhe, eu queria dizer a Vossa Excelência que a minha guerra no Brasil é outra, eu estou muito distante do Iraque e a minha guerra é contra a miséria e a pobreza no Brasil. Então, nós vamos privilegiar essa guerra nossa, tentando criar as condições para o mundo acreditar que é possível acabar com a fome”. E eu senti uma certa frustração, porque havia uma necessidade de se estabelecer a luta contra o Iraque.

E dali surgiu a segunda coisa na minha cabeça: a necessidade de fazer a mudança nas Nações Unidas, de criar um fórum internacional com a respeitabilidade das Nações Unidas, com mais poder de decidir coisas que os países precisam acatar, porque senão nós ficaremos órfãos e tudo será muito pior na política internacional. Não havia consenso para aquela guerra, não tinha uma decisão das Nações Unidas e, assim, ela aconteceu porque provou que o multilateralismo estava moribundo, não estava saudavelmente representado.

Começamos a discutir com outros países, e nem sei se vamos conseguir, mas o dado concreto é que não é pouca força a junção Brasil, Alemanha, Índia, Estados Unidos, mais África do Sul, mais Argélia, mais Nigéria. Não são poucos os compromissos assumidos pelos países de tentar forçar a abertura das Nações Unidas.

Um outro momento importante que me ensinou muito na diplomacia, Celso, foi a primeira reunião que eu tive com a FAO. O Celso falou de dever, aqui, vocês não levaram muito em conta, mas eu recebi o diretor geral da FAO, ele falou “bom dia” e começou cobrando o dinheiro que o Brasil devia para a FAO. Quer dizer, eu fui me dar conta de que há muito tempo o Brasil não pagava nenhum dos fóruns de que ele participava, sobretudo as Nações Unidas. Em 23 de setembro de 2003, quando eu fui falar grosso na ONU – vocês sabem que o presidente Bush fala depois de mim, o Brasil fala depois do Secretário-Geral – eu estava falando grosso com medo de o Secretário-Geral pegar o microfone e falar: “oh, baixinho, paga primeiro, para você falar grosso, para ficar propondo mudança, para ficar propondo novos países, para mudar o Conselho de Segurança, paga primeiro o que você deve”.

Então, nós vamos terminar o mandato sem dever absolutamente nada. Vocês, que estão iniciando a carreira profissional, vão poder transitar nos corredores de qualquer instituição multilateral de cabeça erguida, sem nariz empinado, mas muito orgulhosos e orgulhosas, de dizer: somos diplomatas brasileiros, cumprimos as nossas obrigações, gostamos de respeitar os outros, mas também exigimos que nos respeitem.

Outra coisa extremamente importante foram as críticas que recebemos quando resolvemos fortalecer a nossa relação com a América do Sul, depois com a América Latina, depois com a África, depois com o Oriente Médio, porque havia um certo vício de se pensar o mundo apenas olhando a potência americana ou a potência da União Européia, se esquecendo que o mundo é muito mais que isso. Ou seja, você tem a potência econômica, você tem a potência tecnológica, você tem a potência militar, mas você tem a potência política, o valor de cada nação, o valor cultural que precisa ser colocado na mesa toda vez que estamos discutindo qualquer assunto com qualquer país do mundo.

E aí eu me dei conta da pobreza do Itamaraty, eu me dei conta que este prédio maravilhoso, bonito… eu entrei pela primeira vez aqui em 1975, quando eu fui eleito presidente do Sindicato do Metalúrgicos e vim num congresso de Previdência Social, e abriram para uma visitação. Eu nem sabia como entrar, de tão bonito que era isso aqui. Pois bem, mas havia um contraste entre a pujança do nosso Itamaraty, motivo de orgulho e elogios de todos os visitantes que vêm aqui, e a pobreza das nossas embaixadas em muitos países do mundo, sobretudo nos países mais pobres. A gente nunca tinha a quantidade de funcionários necessários, a gente nunca recebia a quantidade de informações necessárias, nunca tinha dinheiro, às vezes não tinha o dinheiro para pagar a mensalidade da escola, às vezes não tinha dinheiro para pagar aluguel.

Ninguém consegue fazer as coisas corretas se não tiver, pelo menos, a tranqüilidade de exercer a sua função, ninguém consegue, por mais herói que seja. E era preciso criar as condições para o Itamaraty voltar a ser o grande Itamaraty. O Itamaraty não poderia mais ser tratado como o Ministério em que o presidente da República eleito quer agradar um companheiro e convida um companheiro para ser Ministro das Relações Exteriores, tentando chegar aqui e impor a um dos melhores conjuntos de pessoas do Estado brasileiro orientações que, às vezes, nem se coadunam com aquilo que é a formação e o acúmulo da história deste Ministério e do nosso Itamaraty.

Nós precisamos aprender a valorizar as coisas que nós criamos. Eu acho que poucos lugares do mundo… e olha que eu conheço muitos diplomatas hoje. Eu, que não sou diplomata, já conheço mais do que vocês, muitos diplomatas. E posso dizer para vocês, sem medo de errar: tem poucos países do mundo que têm uma diplomacia igual à nossa, com a competência da nossa.

Quando nós entramos aqui, vocês estão lembrados, vocês eram todos quatro anos mais jovens, havia uma guerra de que o mundo ia acabar se não fosse implantada a ALCA. Nós perpassamos vários anos, antes de ganhar as eleições, quem ia contra a ALCA era anti-americano, quem era favorável à ALCA era comunista, e vai daí para fora. O que nós fizemos? Não precisamos comprar nenhuma briga com os Estados Unidos. Nós apenas tivemos a ousadia de apresentar propostas diferentes para este país. E, hoje, nem os Estados Unidos falam mais em ALCA. E nem alguns setores conservadores da imprensa brasileira publicam mais editoriais defendendo a ALCA, como publicavam naquele tempo. “Ou faz como os Estados Unidos, ou acabou o mundo”. Não é verdade. Nós jamais deixaremos de reconhecer o papel que tem a relação dos Estados Unidos com o Brasil, do ponto de vista político, do ponto de vista militar, do ponto de vista tecnológico e científico, e do ponto de vista comercial. Mas nós sabemos que o mundo tem muitas outras oportunidades e nós não podemos ficar chorando o leite derramado. Perdemos uma coisa aqui, vamos buscar outra em outro lugar. E quanto mais plural for a nossa relação, mais independentes nós seremos.

Vocês estão acompanhando pela imprensa essa história da TV digital. Há três meses, parecia que estava resolvido. “Ah, já está resolvido, vai estar tudo isso aqui, vai ser assim que vai acontecer”. E nós descobrimos que através da TV digital nós poderemos abrir uma discussão mais importante no mundo, com os Estados Unidos, com a Europa e com o Japão. Era a hora de o Brasil dizer o que ele queria para fazer parceria, para fazer negócios, para discutir modelos, era a hora de a gente dizer quem está disposto a jogar mais sério com o Brasil. Nós não queremos apenas ser compradores de produtos fabricados lá fora. Nós queremos ter, neste país, a capacidade de termos um parque de semicondutores para que a gente possa, através da microeletrônica, se transformar numa nação tão importante quanto eles já são. E nós só iremos fazer isso se tivermos sabedoria de aproveitar o momento político para negociar, e estamos conversando. O Brasil está sendo procurado; todo dia alguém quer que o Brasil visite um país, uma fábrica, e com muita humildade, com muita tranqüilidade, sem bravata, nós vamos ter que medir cada passo para que o que a gente faça traga resultado benéfico para o Brasil daqui a cinco anos, dez anos, 15 anos ou 20 anos. Isso você só faz quando tem força política, e a força política você só constrói se tiver autoridade moral, se você se respeitar e, sem desrespeitar os outros, respeitar a si mesmo em primeiro lugar.

Eu acho que o momento que estamos vivendo, de política externa, é glorioso. Alguns saudosistas não gostam. Ah, porque tem gente que acha que nós precisamos pedir licença aos outros todo dia, nós não podemos fazer nada sozinhos, porque a nossa balança comercial está crescendo, porque a economia mundial está crescendo. Todo o resultado da nossa balança comercial, pega o mapa das nossas viagens e veja que a balança comercial brasileira cresce muito acima da média da balança comercial mundial, cresce junto aos países pobres, cresce para os Estados Unidos, e cresce com a União Européia, mas ela cresce para o Oriente Médio. Como nós fomos ao Oriente Médio e fizemos uma Feira que custou 500 mil dólares, não faltaram críticas, neste país, de que estávamos gastando 500 mil dólares para fazer uma Feira. Ninguém perguntou quanto nós ganhamos depois daquela feira, porque não interessam os bons acontecimentos.

A dificuldade de fazer relação com a Argentina, a descrença na América do Sul, algumas pessoas diziam: “ah, é tudo pobre, pobre com pobre só dá miséria, pobre com pobre não dá nada”. E as pessoas se esquecem de que cada país tem um potencial, cada país tem alguma coisa para vender ou para comprar, por melhor que seja um país. E um país que quer ter liderança tem que exercer esse papel, sem hegemonia, mas esse papel de construir parcerias.

Daí porque era necessário melhorar as pessoas, a situação do Itamaraty. Era preciso contratar mais gente, era preciso abrir mais embaixadas, era preciso colocar mais funcionários. “Ah, isso custa caro!” Custa, é verdade que custa. Mas no Brasil, de vez em quando, nós temos que perguntar não o quanto custa fazer, mas o quanto custa não fazer as coisas neste país; quanto custou a este país não fazer a reforma agrária na década de 50; quanto custou a este país não acabar com o analfabetismo na década de 50. Tem gente que fala: “nossa, mas esse pessoal vai investir na embaixada, isso é gastar dinheiro; vai mandar um diplomata para tal lugar, vai gastar dinheiro”. É sempre assim que funcionam as coisas no Brasil. Nós estamos sempre nivelando por baixo, estamos sempre apostando na desgraça, estamos sempre apostando na miséria. É como se você preparasse toda a família para sair no domingo, ir para um lugar bonito, passar um domingo numa cachoeira, e chegasse um vizinho: “o carro vai quebrar”. No Brasil é assim, o cara não te dá o direito de ser feliz.

Então, eu quero dizer para vocês, que estão entrando hoje, eu estou gratificado com a política externa do nosso país. Nós nunca desrespeitamos nenhum Chefe de Estado. Às vezes, eu fico cansado e brigo muito com o Celso, com o Marco Aurélio e com o Samuel, porque todo Ministro que vem aqui, eles querem que eu tome um cafezinho. Às vezes, eu falo: eu vou virar diplomata, eu vou ficar só atendendo as pessoas. Aí eles não me querem, querem o Presidente, mas eu estou orgulhoso. Eu estou orgulhoso porque eu sinto na cara das pessoas, eu sinto na conversa com as pessoas o quanto o Brasil consolidou de respeitabilidade lá fora. E eles sabem que nós vamos lá para dizer o que é preciso dizer.
Eu não ia fazer mais nenhuma viagem internacional até o final do ano. Não ia, eu ia ficar por aqui, porque tem coisa que vai acontecer por aqui, eu queria ficar por aqui. Mas, de qualquer forma, eu não vou resistir a duas viagens que eu tenho que fazer. Uma delas é a Viena, porque eu estou convencido de que esgotou o limite técnico para fazer a grande Rodada de Doha. Acabou, não tem mais debate técnico, agora tem que ser decisão política, e decisão política tem que ser tomada pelos presidentes dos países e pelos primeiros-ministros. Tenho provocado desde dezembro – tenho telefonado para o presidente Bush, para o Tony Blair, para a Alemanha, para a França – tenho os provocado. Não vamos nos esconder atrás dos nossos ministros de Relações Exteriores. Não vamos nos esconder atrás dos negociadores da União Européia. Vamos colocar a nossa cara, para saber quem é que quer fazer um mundo mais justo, sem terrorismo, o que não acontecerá se não diminuirmos a miséria que está estabelecida na maioria da Humanidade.

E vou a Viena para cobrar isso. E já fui convidado para o G-8, em julho. Também vou lá para o G-8 para cobrar isso. Eles têm que saber que a decisão agora é política, não é mais técnica. A França não abre mão do subsídio, não é por uma questão econômica, que não representa muito para a França, é por uma questão eminentemente política. E política eleitoral interna, ainda. Então, eu vou fazer mais essas duas viagens para que a gente possa ver se consegue mudar.
Quero dizer para vocês que esse orgulho será muito maior se, depois que formos embora, tiver valido a pena fazer o que fizemos, porque eu fui muito a embaixadas antes de ser Presidente. Como eu perdi muitas eleições e eu viajava muito o mundo… O Marco Aurélio era o viajante comigo, e o Itamaraty sempre nos tratou muito bem, viu, Celso? Sempre. Não tenho queixa de nenhum… de ninguém. A gente via a desmotivação das embaixadas. Uma vez, eu fui perguntar a um Embaixador porque o Brasil tinha aceitado a caída do Bustani. Ele representava o órgão lá, que o Brasil não dava dinheiro, não sei. Bom, mas ele tinha sido eleito. Eu fui perguntar para um colega dele porque o Brasil não tinha reagido. Ele falou assim para mim: “os Estados Unidos queriam, Presidente”. Ora, os Estados Unidos queriam, mas nós não queríamos. Ora, se um presidente da República ou Ministro das Relações Exteriores cede para um país tirar um cidadão nosso, eleito democraticamente pelo fórum, porque isso interessa àquele país… E o Bustani estava certo: não tinha arma química no Iraque. Ele estava certo.

Eu quero dizer para vocês apenas o seguinte, o único conselho que eu posso dar a vocês, e eu vou dar: ninguém na face da Terra, nem a mãe de vocês, nem o pai de vocês respeitarão vocês se vocês não se respeitarem. Toda vez que vocês estiverem em uma mesa de negociação, lembrem-se de que o interlocutor do outro lado só irá respeitá-los se ele perceber que vocês estão de cabeça erguida, que vocês não estão dispostos a ceder por ameaça, por grito ou por truculência. Se eles perceberem que vocês estão de cabeça erguida, se eles perceberem que vocês estão cheios de razão, que conhecem o que estão discutindo, que estão defendendo a Nação de vocês e que preferem não fazer acordo a ceder, como já cederam muitas vezes neste país, podem ficar certos de que o futuro de vocês será tão brilhante quanto o futuro dos diplomatas que vocês aqui homenagearam.
Muito obrigado, boa sorte a todos vocês.

Ainda sem comentários... Seja o primeiro a responder!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Gravatar
WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 1.201 other followers