Excelentíssimo senhor AlejandroToledo, presidente da República do Peru,
Meu querido companheiro Jorge Viana, governador do estado do Acre
Meu caro José de La Rosa del Maestro Rios, presidente regional de Madre de Deus,
Ministros do meu governo,
Companheiro Antonio Palocci, ministro da Fazenda; Alfredo Nascimento do Transporte; Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário; Marina Silva, ministra do Meio Ambiente; Silas Rondeau, ministro de Minas e Energia,
Meu querido companheiro Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral das Relações Exteriores,
Ministros de estado peruanos e integrantes da comitiva do Peru,
Meu caro Tião Viana, nosso querido senador,
Meu caro Siba Machado, nosso senador da república,
Minha querida companheira deputada Perpétua Almeida,
Deputado Júnior Betão, Zico Bronzeado,
Parlamentares, não estão todos os nomes aqui portanto eu não posso repeti-los todos. Eu sei que meu companheiro Nilson Mourão estava aí, mas …não está ouvindo? Sinta meu coração que vocês vão ouvir o que eu estou falando.
Meu querido Manuel Almeida, prefeito de Assis Brasil,
Meu querido Mário Monte, prefeito de Iñapari,
Senhoras e senhores deputados estaduais, prefeitos da região, Leila Galvão de Brasiléia; Francisco Déda de Rodrigues Alves e José Ronaldo de Passolândia,
Meus companheiros, minhas companheiras,
Irmãos e irmãs do Peru, do Acre e do Brasil,
Em agosto de 2004, ao lado do Presidente Toledo e do Presidente Carlos Mesa, da Bolívia, vim aqui para lançar a pedra fundamental da obra que hoje estamos inaugurando. Cumprimos a promessa que fizemos naquela ocasião: deixar de fazer discursos vazios sobre a integração e começar a construir uma aliança concreta entre nossos países.
Esta ponte sobre o Rio Acre é o símbolo maior da Aliança Estratégica que Peru e Brasil forjaram no ano de 2003.
Estamos tornando realidade um imenso potencial de cooperação e parceria. Habilitamos nossos cidadãos e nossos produtos a transitar livremente entre vizinhos que começam a se conhecer melhor.
Esta ponte, construída pelo governo do Estado do Acre com o apoio do Governo Federal, é o primeiro passo na realização de outro sonho antigo: a ligação sul-americana entre o Pacífico e o Atlântico.
Há quatro meses, participamos, em Puerto Maldonado, do lançamento das obras da Rodovia Interoceânica.
Ela está sendo executada graças à iniciativa do Presidente Toledo, com apoio do meu Governo e da iniciativa privada brasileira.
Muitas vezes a natureza separou nossos países por rios.
Muitas vezes, ainda, faltou aos governantes a determinação necessária para superar esses obstáculos e forjar caminhos capazes de unir nossos povos.
A iniciativa que hoje celebramos, com esta inauguração, mostra que estamos fazendo a nossa parte.
É por isso que quero reconhecer de público o empenho e visão das lideranças dos dois lados do Rio Acre e, em particular, do meu querido e companheiro Jorge Vianna.
Com entusiasmo e determinação, eles viabilizaram essa primeira ponte que une o Peru e o Brasil ao longo de mais de 3 mil quilômetros de fronteira.
Com igual obstinação, vamos transformar em realidade os anseios da comunidade amazônica: – faremos desta região um espaço de integração, aproximando nossa gente e promover uma rica convivência no coração do sub-continente.
A inauguração desta obra é também o início de um novo capítulo na história dos povos da Amazônia. Uma história de busca por maior participação no desenvolvimento econômico, social e político de nossos países.
No início do século passado, Euclides da Cunha já descrevia o contraste entre a exuberância da região e seu flagrante atraso econômico e social.
Estamos trabalhando para que a Amazônia deixe de ser uma região “À Margem da História”, como denunciou Euclides da Cunha em seus escritos. Esta região de riquezas incomparáveis está destinada a ocupar um papel central na vida de nossas nações.
Peru e Brasil estão mostrando que – juntando os esforços e vontade – é possível alavancar o progresso ao longo de nossa fronteira comum, e respeitar o meio ambiente e sobretudo as populações indígenas.
Estamos nos associando para favorecer investimentos produtivos na Amazônia. Da interconexão energética até a exploração sustentável da mais rica biodiversidade do planeta estamos descobrindo sinergias e afinidades.
A ponte Assis Brasil – Iñapari traz benefícios imediatos para essas duas cidades irmãs.
Mas, sobretudo, ela abre perspectivas de desenvolvimento e de inclusão social. Agiliza o acesso das comunidades locais aos principais centros urbanos.
Torna mais competitivas as exportações da região para os mercados internacionais do Pacífico e do Atlântico.
Facilita a presença do Estado em regiões antes isoladas, coibindo a exploração ilegal de madeira e levando às comunidades locais saúde, educação e esperança.
Meu querido amigo e companheiro Presidente Toledo,
Nossas relações bilaterais atravessam um período excepcional.
P
rova disso são as ações concretas de cooperação e a intensificação de nosso intercâmbio em todos os campos.
Nossa Aliança Estratégica gerou compromissos fundamentais.
Pela via do comércio estamos entrelaçando duas economias cada vez mais complementares.
A multiplicação de missões empresariais e a assinatura do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Peru farão o intercâmbio bilateral ultrapassar o valor recorde de 1,4 bilhão de dólares alcançado em 2005.
Hoje, aprofundamos esta integração. O acesso do Peru aos sistemas SIVAM-SIPAM amplia nossos conhecimentos sobre a Amazônia e reforça sua segurança. O Acordo que assinamos de dispensa do uso de passaportes aproxima os nossos povos.
Meu querido Presidente Toledo,
O que estamos fazendo aqui hoje se repete em todos os cantos de nossa região. Multiplicam-se as iniciativas de integração física, política e econômica da América do Sul. Sob a inspiração de Vossa Excelência estamos construindo o compromisso que assumimos em Cusco de constituirmos a Comunidade Sulamericana de Nações. Sua proposta de criação de mecanismos de financiamento inovadores no âmbito da IIRSA começa a dar frutos. Hoje, os organismos financeiros internacionais reconhecem a importância de os Estados investirem em obras cruciais para o desenvolvimento de nosso continente e o bem-estar de nossos povos.
O encontro que estamos celebrando sobre a ponte que agora liga nossos dois países nos deixa mais próximos do ideal que une o conjunto de nossa querida América do Sul. Estamos fazendo renascer a esperança de peruanos e brasileiros no crescimento com justiça e na vizinhança solidária.
Meu querido presidente Toledo, queridos ministros peruanos e brasileiros, queridos deputados peruanos e brasileiros, queridos companheiros brasileiros e peruanos, jornalistas peruanos e jornalistas brasileiros.
Muita gente estranha quando, em alguns momentos, falamos da importância da obra que estamos realizando e, muitas vezes, somos obrigados a falar pela primeira vez. Mas é indescritível que um país que tem o potencial que tem o Brasil, que tem a economia mais rica da América do Sul, que tem a indústria mais forte da América do Sul, não tenha, há 100 anos, pensado em construir uma ponte singela como esta para permitir que os nossos povos, que os nossos produtos, que a nossa cultura possam transitar livremente entre dois países, fazendo com que a economia cresça tanto no Peru quanto no Brasil.
É indescritível que, durante muitos séculos, um país da importância do Brasil e, certamente um país da importância do Peru, tiveram dirigentes muito mais voltados para a Europa e para os Estados Unidos do que voltado para os seus próprios vizinhos, que poderia ajudá-los a crescer muito mais.
Eu tenho 36 meses de governo, Toledo está terminando o seu mandato, mas tenho certeza, companheiro Toledo, que a história irá dizer alto daqui a alguns anos que esta geração de governo representada por você, por mim, por Kirchner, por Tabaré, por Nicanor, pelo agora recém-eleito Evo Morales, pelo companheiro Uribe, pelo governo do Equador, pelo presidente Lagos. Eu tenho certeza que a história irá registrar que nós fizemos, em poucos anos, para a integração da nossa América do Sul, mais do que tantos que passaram fizeram em um século.
E não fizeram isso porque não sabiam que precisava, não fizeram isso porque não sabiam a extensão dos nossos rios; não fizeram porque tinham a cabeça colonizada, mesmo depois da conquista da independência. Eram dirigentes que acreditavam que, da Europa e dos Estados Unidos, viria o nosso desenvolvimento; eram dirigentes que acreditavam que não poderíamos abrir as nossas fronteiras, fazermos a interligação porque os pobres dos vários países iriam transitar para os Estados mais ricos e que, portanto, ao invés do desenvolvimento iríamos ter problema com pobres peruanos vindo para o Brasil, e pobres brasileiros indo para o Peru, com pobres brasileiros indo para a Bolívia e pobres bolivianos vindo para o Brasil, e assim sucessivamente em cada país.
O que nós estamos fazendo hoje, ao vermos este povo atravessar aquela ponte e depois assistirmos dois caminhões que estão aí carregados, aguardando para fazer a primeira travessia, levando produtos brasileiros para Puerto Maldonado, é a demonstração de que o Brasil e o Peru resolveram, depois de muitos séculos, andar pelas suas próprias pernas, falar pela sua própria boca, pensar e decidir pela sua própria cabeça.
Nós temos consciência de que o século XXI será o século da América do Sul. Nós temos consciência de que, se a Europa se transformou no que se transformou no século XIX, se os Estados Unidos se transformaram no que se transformaram no século XX, a pergunta que eu faço é “por que o século XXI não pode ser o século da América do Sul e da América Latina?” Não será se continuarmos a ter, no nosso Continente, governantes que pensem de forma pequena e de forma desrespeitosa com o seu próprio povo, imaginando que tudo o que vem dos Estados Unidos é bom para nós, ou que tudo o que vem da Europa é bom para nós.
Nós, peruanos e brasileiros, queremos ter a melhor relação com o mundo inteiro, a melhor relação, a mais democrática, a mais respeitosa, mas também queremos dizer ao mundo: “queremos ter o mesmo direito de crescermos, de nos desenvolvermos e de poder gerar riqueza suficiente para garantir que neste século o povo pobre deste Continente possa ganhar a mesma cidadania que os americanos e os europeus conquistaram há séculos”.
Queremos garantir que este Continente, muito rapidamente recupere o tempo perdido. Esqueçam o tempo da subserviência e ajam em cada país, pensando de forma soberana e pensar de forma soberana será a gente reconhecer que não basta a economia crescer, não basta o nosso PIB crescer, é preciso estar crescendo o dinheiro no bolso da parte mais pobre da população, de cada um de nossos países. É preciso saber se a educação está chegando na parte mais pobre da população, é preciso saber se os empregos estão contemplando a necessidade de trabalhar da gente mais pobre de cada um dos nossos países.
Por isso, quero dizer a vocês, duas alegrias incontáveis na minha vida: a primeira, quando fui à Brasiléia com o nosso querido Jorge Viana e o presidente da Bolívia, inaugurar uma pequena ponte, e o Toledo também estava presente, só passa um carro de cada vez. Alguém que não conhece poderia dizer: mas um presidente vir inaugurar esta ponte pequena? Ela era pequena, mas foi a primeira construída entre Brasil e Bolívia para que o povo pudesse transitar.
Outros podem dizer: mas o presidente Toledo e o presidente Lula inaugurando esta ponte, poderia ficar para o governador, porque eles quando inventaram de fazer uma ponte que o Jorge disse aqui de 745 metros para um rio de 150 metros, possivelmente esses metros todos fossem para justificar a vinda dos presidentes. Nós não olhamos o tamanho da ponte, nós olhamos a necessidade da ponte e essa nossa ponte não tem os 745 metros projetados anos atrás. Essa ponte tem apenas o tamanho da nossa consciência, da nossa honestidade e da necessidade do povo do Peru e do Povo brasileiro.
Que Deus te abençoe companheiro Jorge Viana, que Deus te abençoe, porque o Jorge Viana trabalhou como um leão para que essa ponte pudesse ser feita. Nós exigimos demais dele. As fotografias dessa ponte mostram que a mão dos trabalhadores dos dois países foram sacrificadas para que a gente pudesse, hoje, depois de 14 meses, estarmos aqui inaugurando.
Portanto, meu querido Jorge, não tem medalha, não tem comenda que Toledo e eu possamos te dar que seja maior do que o respeito e a admiração que Toledo e eu temos por você.
Boa sorte meu querido e até a outra ponte.

21/01/2006



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