Programa de rádio “Café com o Presidente”, com o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva – Brasília, DF, 16/01/2006

Luiz Fara Monteiro: Alô amigos em todo o Brasil, eu sou Luiz Fará Monteiro, iniciando agora uma edição especial do programa “Café com o Presidente”. Em geral, a nossa conversa com o presidente Lula tem seis minutos de duração. Mas hoje, como falamos sobre as obras que o governo está fazendo em estradas de vários pontos do país, abrimos um espaço maior para o Programa.

Nossa conversa com o presidente Lula começou pela visita que ele fará, logo mais, a trechos da obra de duplicação da BR-101 Nordeste. A primeira etapa da duplicação está sendo feita pelo Exército, enquanto a Justiça decide uma disputa entre empresas que participaram da licitação da obra. De acordo com o Presidente, o turismo nordestino depende muito da BR-101 e o governo quer evitar atrasos na duplicação da estrada.

Bom dia, amigos em todo o Brasil. Começa agora o “Café com o Presidente”, o programa de rádio do presidente Lula. Eu sou Luiz Fara Monteiro. Bom dia, Presidente.

Presidente: Bom dia, Luiz.

Luiz Fara Monteiro: Presidente, o senhor vai visitar hoje alguns trechos de duplicação da BR-101 Nordeste. O senhor vai a Natal, João Pessoa e Recife. Essa obra era esperada há anos e não tem nada a ver com a operação de emergência iniciada na semana passada, não é, Presidente?

Presidente: Essa obra é uma promessa feita para o Nordeste há muitos e muitos anos. É uma obra extremamente importante porque é um corredor turístico para o turista que queira percorrer o Nordeste. Ele vai ter uma rodovia duplicada, moderna, em que ele vai poder viajar com muita tranqüilidade. Nós, na verdade, queríamos dar início a essa obra em março de 2005. Foi feita uma licitação, várias empresas ganharam, as que perderam entraram com recursos, ganharam liminares, e nós decidimos começar a obra dando um trecho dessa obra para que o Exército brasileiro fizesse, com seu Batalhão de Engenharia.

Luiz Fara Monteiro: Por que o Exército, Presidente?

Presidente: Veja, porque não queríamos ficar esperando a briga entre as empresas. A obra toda tem 336 quilômetros de extensão, nós estamos dando para o Exército fazer 142 quilômetros. Essa obra vai custar R$ 1,5 bilhão e a parte do Exército vai ficar em R$ 520 milhões. Ele vai fazer um trecho importante da obra na Paraíba, um trecho importante da obra em Pernambuco, um trecho importante da obra no Rio Grande do Norte, enquanto nós vamos resolvendo o problema dos outros trechos, das empresas que estão em disputa judicial. Se não resolver, nós vamos dar tudo para o Exército porque o que nós queremos é garantir que as pessoas tenham facilidade para transitar no nosso país.

Luiz Fara Monteiro: Esse é o “Café com o Presidente”, o programa de rádio do presidente Lula. Nesta semana, também, o senhor inaugura uma ponte no Acre. Qual a importância dessa obra?

Presidente: Essa ponte é extremamente importante porque ela faz uma ligação entre o Brasil e o Peru. É uma ponte que vai permitir o trânsito de comércio com facilidade entre Brasil e Peru, vai permitir o trânsito de pessoas. E é uma obra que vai ser importante, na medida em que está sendo construída a Interoceânica, uma estrada que vai ligar o Norte do Brasil ao Oceano Pacífico. Isso vai gerar um desenvolvimento extraordinário em toda a região e nós estamos fazendo essa ponte porque é uma necessidade. Aliás, é a segunda ponte que nós fazemos: uma, a Bolívia-Brasil, e esta, Brasil-Peru, são as primeiras pontes ligando o Norte do Brasil a essa região da América do Sul. Portanto, eu vou inaugurar essa ponte como um passo muito importante na integração da América do Sul.

Luiz Fara Monteiro: Você está acompanhando o “Café com o Presidente”, o programa de rádio do presidente Lula. Presidente, e as obras de emergência que começaram na semana passada para recuperar as estradas em piores condições? Eu queria saber como está o andamento do projeto e como é que o senhor vê algumas acusações, dizendo que essa obra é eleitoreira?

Presidente: Primeiro, eu queria aproveitar a oportunidade para dizer aos nossos ouvintes e a todo o povo brasileiro algumas coisas que precisam ser ditas. O Brasil tem 58 mil quilômetros de estradas federais. Durante muitos e muitos anos, os motoristas brasileiros são prova do descaso que se fez com a manutenção dessas estradas. Quando nós tomamos posse, nós pegamos praticamente 37 mil quilômetros totalmente deteriorados, nós não tivemos dinheiro no ano de 2003, muito pouco, nós tivemos apenas 2 bilhões e 500 em 2004, e somente em 2005 é que nós tivemos 6 bilhões de reais empenhados. Eu vou dar um exemplo porque tem muita gente dizendo que nós não utilizamos o dinheiro da Cide.

Luiz Fara Monteiro: Só lembrando aos nossos ouvintes, Presidente, a Cide é o imposto cobrado sobre os combustíveis para a manutenção das estradas.

Presidente: Luiz, a Cide, em 2005, arrecadou 7 bilhões e 700 milhões de reais. Desses, 29% foram passados para os estados. Ficaram com a União 5 bilhões e 400. Nós empenhamos, no transporte, 6 bilhões de reais em 2005 e tem no orçamento, agora, mais 6 bilhões para 2006. Portanto, somente agora é que nós temos os recursos para fazer aquilo que deveria ter sido feito dez, 15 anos atrás, ou no meu primeiro ano de governo. Como a gente não teve o dinheiro, e era preciso juntar dinheiro para fazer isso, bem… Agora nós estamos fazendo aquilo que é obrigação do governo fazer.

É importante lembrar à população, ainda, o seguinte: nós temos 26 mil quilômetros de estradas deterioradas agora, porque quase 10 mil já foram consertados. Desses, 19 mil quilômetros, já estão licitados e contratados para fazer restauração, nós estamos trabalhando nisso desde junho, muitas das obras foram contratadas no mês de outubro. Então, desses 19 mil que já estão licitados e contratados, faltam praticamente 7 mil e 400 quilômetros que não têm licitação. É importante lembrar que desses 7 mil e 400 que estamos contratando, 5 mil quilômetros são de estradas que foram estadualizadas ainda no governo passado, e foi passado 1 bilhão e 800 milhões de reais para os estados fazerem 14 mil quilômetros de estradas. Acontece que, mesmo passando a Cide para alguns estados, eles não fizeram as estradas que tinham sido contratadas pela Medida Provisória 82, feita ainda no governo passado.

Luiz Fara Monteiro: Esse é o Programa “Café com o Presidente”. Você está ouvindo o presidente Lula explicar porque houve dificuldade de manutenção de estradas que foram transferidas, em 2002, da área federal para os estados. E como resolver isso, Presidente?

Presidente: Veja, nós estamos resolvendo porque nós não podemos permitir que essa briga judicial, essa briga de compreensão de quem é a responsabilidade, entre o governo federal e o governo estadual, possa prejudicar o povo. Então, nós assumimos a responsabilidade de fazer essas estradas. Nós estamos fazendo a restauração de 19 mil quilômetros e estamos fazendo uma operação “tapa-buraco” naquela parte que está mais deteriorada das estradas. Ou seja, você tem uma estrada que precisa ser consertada, mas em que ainda dá para transitar, e nessa mesma estrada tem lugares que têm tanto buraco que não dá mais para um carro transitar porque pode quebrar a ponta de eixo de um caminhão, pode estourar o pneu de um caminhão, o que vai ficar muito mais caro para o motorista.
E o que nós estamos fazendo? Estamos tentando pegar aquelas coisas emergenciais e estamos fazendo um “tapa-buraco”. Nós sabemos que é uma questão emergencial. É como se um cidadão tomasse um tiro, fosse ferido. Qual é a primeira atitude que o médico toma quando o cidadão está perdendo muito sangue? É estancar o sangue, depois leva para a cirurgia, para fazer o tratamento adequado. Nós estamos fazendo esse estancamento inicial para depois fazer a cirurgia definitiva, que é a restauração. Por isso eu estou convencido de que alguns que estão fazendo críticas – eu tenho acompanhado pela imprensa, tenho visto na televisão, no rádio, e o povo compreende – ou seja, se nós não fizéssemos eles estariam criticando que nós não tínhamos feito. Nós estamos fazendo, e eles estão criticando que nós estamos fazendo. Entre não fazer e ser criticado, e fazer e ser criticado, eu prefiro fazer.

Veja outra coisa: nós estamos fazendo e alguns estão dizendo que são obras eleitoreiras. Mas, se nós não fizéssemos, continuariam sendo eleitoreiras, para eles, porque aí todos eles já estariam fotografando, todos eles já estariam filmando para colocar em seus programas de televisão. Ora, entre a briga partidária e o povo, eu vou ficar com o povo. Sabemos que o povo tem razão de reclamar, porque quando o cidadão sai com o caminhão, com uma carga, ele quer chegar inteiro. Ele não quer chegar atrasado, ele não quer estourar pneu, ele não quer quebrar mola, ele não quer quebrar eixo de caminhão, ele quer chegar inteiro. Com o carro, a mesma coisa, o cidadão sai com sua família para passear, ele quer chegar inteiro com a família, ele não quer ter acidente.

Mas, além dessas emergências, é importante lembrar que depois de muitos e muitos anos, depois de muitas promessas, nós estamos fazendo com muita rapidez a BR-101-Sul, ligando Palhoça a Osório, que vai completar a ligação com a BR-116, garantindo que as cargas do Mercosul possam transitar com mais facilidade e, sobretudo, os passageiros, os seres humanos, os turistas brasileiros que vão para a Argentina, Uruguai e os uruguaios e argentinos que vêm para o Brasil vão poder transitar com muito mais facilidade. Além disso, nós terminamos a BR-381, que liga Minas Gerais a São Paulo, que estava há 13 anos para ser concluída. Nós concluímos a BR-116, faltando só a Serra do Cafezal, que vai ser licitada agora para a empresa que vai administrar a estrada. Então, nós estamos fazendo, Luiz, aquilo que é necessário e vital fazer neste momento.

Luiz Fara Monteiro: Você está ouvindo o “Café com o Presidente”, o programa de rádio do presidente Lula. O senhor acredita que vai chegar ao fim deste mandato com as estradas em mínimas condições para os motoristas, Presidente?

Presidente: Nós vamos chegar com as estradas em melhores condições. Certamente, não vamos chegar ao ideal, porque são 26 mil quilômetros de estradas que estamos cuidando agora, que estão em situação… em estado de precariedade. Desses, 19 mil já estão contratados, portanto, quero dizer aos caminhoneiros do Brasil, quero dizer aos motoristas que percorrem as estradas brasileiras: estejam certos de que se nós não fizemos antes foi porque não pudemos fazer antes. E estamos fazendo agora porque agora temos dinheiro para fazer. Vou repetir os números: em 2005, empenhamos R$ 6 bilhões e vamos, outra vez, empenhar R$ 6 bilhões em 2006. Se nós continuarmos colocando essa quantidade de dinheiro, certamente, em poucos anos teremos as estradas brasileiras todas consertadas e muitas estradas novas.

Luiz Fara Monteiro: Obrigado, Presidente, e até a segunda-feira que vem.

Presidente: Obrigado a você, Luiz.

Luiz Fara Monteiro: O “Café com o Presidente” fica por aqui. Um abraço a você que nos acompanhou e até a próxima semana. Acesse o Café na internet, o endereço é www.radiobras.gov.br

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