Para Josué de Castro, brasileiro e cidadão do mundo, “a fome é expressão biológica de males sociológicos”.
Ela é um flagelo fabricado pelos homens, contra os homens.
Essas idéias guardam atualidade.
Fiz do combate à fome prioridade de meu governo.
É luta que expressa desafio maior: promover o desenvolvimento com justiça social e democracia política.
É o que estamos tratando fazer no Brasil.
Temos estabilidade econômica.
Reencontramos o crescimento sustentado.
Expandimos emprego, distribuição de renda, financiamento à agricultura familiar e às pequenas empresas.
Em 2004 organizei, junto com meus colegas da França, Chile e Espanha, reunião de alto nível para promover Ação Internacional contra a Fome e a Pobreza.
Sessenta Chefes de Estado e de Governo e mais de 100 delegações responderam positivamente.
Hoje damos continuidade a um debate iniciado na Cúpula do Milênio.
Queremos que essas metas sejam alcançadas.
O relatório Sachs mostra que esses objetivos são possíveis.
O debate sobre fontes inovadoras de financiamento do desenvolvimento deixou de ser tabu.
A ONU trouxe o tema para o centro de sua agenda.
O BIRD,o FMI e o G8 sensibilizaram-se para a questão.
Este debate e os eventos paralelos relacionados às Metas do Milênio refletem a força da mobilização.
Para cumprir aqueles objetivos a comunidade internacional necessita engajar-se.
Ir mais rápido. Passar da palavra à ação.
Aprofundar parcerias entre governos, empresários e sociedade civil.
No ano passado, sugerimos mecanismos para obter recursos adicionais, que permitissem ajuda mais eficiente, em bases estáveis e previsíveis.
Este ano, o grupo técnico, mais Alemanha e Argélia, discutiu iniciativas de curto prazo.
Caminhamos para a execução de projetos-piloto em torno de algumas dessas idéias.
Apóio a proposta de meu amigo Chirac, de uma contribuição solidária sobre passagens aéreas.
Sei que outros países, como o Chile, já caminham nessa direção.
No Brasil, determinei que meu Governo apresse estudos para que a medida possa ser adotada rapidamente.
Esse mecanismo arrecada-rá recursos significativos. Mais importante será seu efeito de demonstração.
Com criatividade e solidariedade, seremos capazes de encontrar fórmulas inovadoras para o combate à pobreza extrema.
Iremos propor à Assembléia-Geral a redução dos custos das remessas internacionais dos emigrantes.
Queremos que elas cheguem integralmente a seus destinatários.
Isso ajudará a gerar renda e emprego para as famílias daqueles que deixaram o lar em busca de oportunidades.
Senhor Presidente,
Estou convencido de que a contribuição maior do Brasil à erradicação da fome no mundo é o esforço inédito que estamos fazendo no nosso próprio país.
As ações que integram o Fome Zero são parte de uma grande transformação em curso no Brasil.
Contribuem para realizar cinco dos oito objetivos do Milênio.
O programa Bolsa-Família garante renda a 7,5 milhões de famílias e, no fim de 2006, alcançará todos brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza.
Cerca de 37 milhões de crianças e adolescentes hoje se beneficiam de programas de alimentação escolar.
Transferimos não apenas renda, mas o direito à educação e à saúde.
Condicionamos o benefício à freqüência escolar e ao acompanhamento da saúde das gestantes e das crianças.
O programa de aquisição de alimentos da agricultura familiar favorece hoje 120 mil agricultores.
O campo, que sempre alimentou os demais brasileiros, deixará de revelar os piores índices de fome.
O Brasil contribui para a superação da pobreza e das desigualdades, quando promove discussões sobre a necessidade de maior equilíbrio e justiça no comércio internacional.
Escandalosos subsídios aos agricultores dos países industrializados representam seis vezes o adicional de 50 bilhões de dólares necessários anualmente para cumprir as Metas do Milênio.
Neste mundo instável em que vivemos, estou convencido de que a erradicação da fome é condição indispensável para construir uma ordem internacional estável e pacífica.
A hora de agir é agora.
Muito obrigado.

14/09/2005



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