Palavras do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na recepção oferecida pelo Presidente da República francesa, Jacques Chirac, por ocasião da Data Nacional Francesa – Paris, França, 14/07/2005

Primeiro, quero agradecer ao presidente Chirac e sua esposa pelo tratamento carinhoso que foi dado à delegação brasileira. Segundo, dizer aos franceses e aos brasileiros que estão aqui que, certamente, a relação França-Brasil teve, neste Ano do Brasil na França, um marco nas nossas relações. Certamente, tudo será melhor daqui para a frente.

Eu queria fazer uma confissão, aqui. Eu venho à França desde 1980, tive muita relação com o movimento sindical francês, quando eu era dirigente sindical. Depois, tive muita relação com o Partido Socialista Francês. Quando ganhei as eleições, no Brasil, e vim à França pela primeira vez, eu fiquei imaginando: “como é que será a relação do presidente Chirac com o presidente do Brasil, sabendo que eu era um sindicalista e sabendo que eu tinha uma proximidade com o Partido Socialista?”.

E, agora, o fato concreto do que aconteceu: desde a primeira vez que eu vim aqui, em 2003, na primeira reunião com o presidente Chirac, eu senti que não estava diante de um homem de esquerda ou de direita, que não estava diante de um homem preconceituoso, mas que estava diante de um estadista que sabia tratar a todos com respeito e com muita igualdade.

Foi o presidente Chirac o primeiro presidente a assumir, junto comigo, a luta para combater a fome no mundo. Foi o presidente Chirac que foi a Genebra participar de uma reunião comigo e com o presidente Lagos, do Chile. Foi o presidente Chirac que foi, a convite meu, às Nações Unidas, onde mais de 100 países estavam representados e mais de 50 chefes de Estado e de Governo compareceram, para que nós pudéssemos socializar a luta contra a fome no mundo.
Não é fácil, é muito difícil fazer com que as pessoas transformem a teoria da solidariedade na prática. É uma coisa difícil. Mas, ao mesmo tempo, eu estou convencido de que nunca, na história recente da humanidade se discutiu tanto a questão da pobreza no mundo. Só no G-8 já discutimos duas vezes. Em Davos, a fome foi tema prioritário durante dois anos seguidos.

Por isso, eu acho que nós já subimos, juntos, alguns degraus e a França, que tem uma história de solidariedade com o Brasil, está demonstrando que, independentemente de quem seja o governo, o coração e a consciência do povo francês é a solidariedade.

Por isso, presidente Chirac, para mim, será inesquecível o que eu vivi na França nesses dias, com a minha comitiva. O carinho do povo francês na rua, o carinho dos brasileiros e dos franceses no show de ontem à noite, o belo espetáculo no desfile do dia 14 de julho, e o carinho que Vossa Excelência e sua esposa dedicaram a mim e à minha esposa estarão guardados para todo o sempre na minha alma, porque os franceses estão ensinando que não existe meia democracia. A democracia tem que ser total e a França a pratica como poucos países do mundo.

Por isso, viva a França e viva o Brasil.

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