Programa de rádio “Café com o Presidente”, com o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva – Rádio Nacional, 30/05/2005

Luís Fara Monteiro: Olá, amigos em todo o Brasil. Eu sou Luís Fara Monteiro e começa mais uma edição do programa “Café com o Presidente”, o programa de rádio do Presidente Lula. Tudo bem, Presidente?

Presidente: Tudo bem, Luís.

Luís Fara Monteiro: Presidente, domingo, oito horas da noite, e estamos gravando essa edição. O senhor chega de uma viagem ao Oriente. Doze horas de fuso horário. Como é que o senhor está?

Presidente: Primeiro, cansado porque com o fuso horário, leva uns dois ou três dias para que voltemos à normalidade. Uma viagem que dura aproximadamente 24 horas de vôo, mais duas a três horas nos aeroportos em que se pára. Então, é uma viagem extremamente cansativa. Mas é uma viagem em que o cansaço é superado pelas conquistas, pela emoção da viagem. Por exemplo, sábado, tive um dia extraordinário com os brasileiros que estão morando no Japão.
Fui à cidade de Nagóia, onde há 48 mil brasileiros. O Japão todo tem 285 mil brasileiros. Encontrei antigos amigos metalúrgicos, antigos amigos químicos e trabalhadores de várias categorias que estão no Japão tentando a sorte. Discuti muito com eles as preocupações que eles têm. O Governo brasileiro vai ter que ajudar, com o governo japonês, para resolver o problema da Previdência Social deles no Japão. Vamos ter que ajudar em convênio entre os nossos Ministérios da Saúde para resolver o problema na área da saúde.
Penso que para o Brasil foi uma viagem muito importante do ponto de vista do que temos possibilidade de conseguir com o governo japonês e com o governo da Coréia.

Luís Fara Monteiro: Agora, poderia falar um pouco sobre os protocolos assinados tanto na Coréia quanto no Japão?

Presidente: Penso que conseguimos completar um ciclo na nossa política externa, um ciclo que vem dando resultados extraordinários. Temos uma balança comercial com o Japão da ordem de 5,6 bilhões. Temos uma balança comercial com a Coréia da ordem de 3,2 bilhões de dólares. Achamos que pelo potencial do Brasil e pelo potencial dos dois países que visitamos, Coréia e Japão, poderemos fazer muito mais. Poderemos ter uma balança comercial muito mais produtiva, que possibilite a eles comprar mais produtos brasileiros, termos mais acordos no campo científico e tecnológico.
Temos acordo, por exemplo, na questão do etanol. O Protocolo de Quioto, que exige a despoluição do planeta, foi assinado em Quioto , no Japão. O Japão precisará colocar um aditivo menos poluente na gasolina. Nós, aqui no Brasil, colocamos até 25% de álcool na gasolina e o carro funciona normalmente. O Japão deve começar com 3%, a Coréia também precisa começar e o mundo inteiro vai ter que começar. E ninguém pode competir com o Brasil na produção de álcool combustível. O Brasil tem muito mais potencial, tem tecnologia já há 30 anos. E fomos lá para tentar convencê-los. Fomos discutir a questão do biodiesel, levamos as garrafinhas do biodiesel para entregar, para eles saberem o que nós poderemos produzir. E fomos lá para chamá-los a serem parceiros do Brasil.

Luís Fara Monteiro: Esse é o “Café com o Presidente”, hoje com o balanço da viagem oficial à Coréia do Sul e ao Japão.

Presidente: Qqueremos que eles sejam nossos parceiros na construção de projetos importantes, de projetos siderúrgicos, de projetos de desenvolvimento de pesquisa. O Banco de Desenvolvimento da Coréia, que é o BNDES deles, vai implantar agência no Brasil para pensar em investimentos no Brasil. Eles precisavam saber que o Brasil não é apenas produtor de soja, ou de café, ou de milho, ou de algodão, ou de açúcar, ou de álcool. Não, eles precisavam saber que o Brasil produz coisas de alto valor agregado, como por exemplo na indústria aeroespacial; que nós temos competitividade na área de software, que nós temos capacidade de discutir com eles a questão da biotecnologia.
Foi uma viagem cansativa. Quem viaja comigo sabe que não tem moleza nessa viagem. A agenda começa às oito da manhã e termina à meia-noite. Faço isso porque acho que quanto mais trabalharmos, mais o Brasil vai ter chance de crescer. Essas coisas, muitas vezes, não acontecem em um dia. Essas coisas acontecem um ano, dois anos depois. Mas o dado concreto é que esse ciclo termina de forma extraordinária.
Confesso a você, Luís, que voltei com mais gás, voltei muito mais otimista, voltei achando que quem estiver torcendo para o fracasso do Brasil vai quebrar a cara. Pode ficar certo que vai quebrar a cara. Não existe espaço para política menor neste país. O Brasil está tendo uma oportunidade histórica e eu quero dar a minha contribuição para que o Brasil se transforme definitivamente em uma economia altamente desenvolvida. Por isso, volto realizado e acho que vamos colher frutos extraordinários para o Brasil e para o Japão, para o Brasil e para a Coréia

Luís Fara Monteiro: Obrigado, Presidente, e até o nosso próximo encontro.

Presidente: Eu lhe agradeço, Luís. Obrigado aos ouvintes e até o próximo encontro.

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