Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na Cerimônia de Abertura do Fórum Mundial do Turismo – Salvador – Bahia, 01/12/2004

Divulgação

Senhor Governador da Bahia, Paulo Souto,
Senhoras e senhores Embaixadoras e Embaixadores acreditados junto ao meu governo,
Senhor Carlos Lopes, Representante da ONU,
Meus companheiros Ministros Walfrido Mares Guia,
Companheiro Jaques Wagner,
Companheira Marina,
Companheiro Gilberto Gil
Meu caro Ronaldo Lessa, Governador do estado de Alagoas,
Meus queridos companheiros Deputados Federais, Colbert Martins, Daniel Almeida, Josias Gomes, Mário Negromonte, Reginaldo Germano, Severiano Alves, Nelson Pellegrino, Luiz Bassuma,
Prefeitos eleitos,
Meu caro Prefeito Antonio Imbassahy, de Salvador,
Meu caro João Henrique, Prefeito eleito de Salvador,
Senhor Sérgio Foguel, Presidente do Instituto de Hospitalidade,
Companheiros Deputados Estaduais,
Vereadores,
Secretários de Turismo dos estados que estão aqui presentes,

Normalmente a gente termina esquecendo o mais importante, que são as pessoas que fazem a política dos estados.

Eu queria fazer um apelo aos companheiros do teatro, que iluminam aqui, se poderiam iluminar um pouco o povo para a gente… senão, eu vou embora de Salvador sem ver a cara das pessoas que estão aqui participando, porque a gente não consegue enxergar daqui.

Vejam que ironia, toda vez que você fala por último e traz um discurso escrito, corre o risco de repetir coisas que as pessoas falaram.

Eu queria dizer a vocês, sobretudo, para os nossos visitantes, os nossos convidados, Ministros de países amigos que estão aqui, que o nosso país está vivendo um momento, eu diria, muito bom. Nós estamos vivendo um momento em que o brasileiro descobriu-se como personagem importante no planeta Terra. Nós recuperamos e estamos recuperando a nossa auto-estima.

Nós estamos deixando de enxergar o turismo como uma coisa primitiva, em que a gente só sabia dizer que tinha as melhores praias do mundo, as mais bonitas florestas do mundo, mas não dava nem um passo para transformar isso em atração turística para o nosso povo e para os povos de outros países. Até porque o turismo exige muito profissionalismo, muita competência, e exige você enxergá-lo como uma peça primordial para o desenvolvimento sustentável que os países tanto necessitam e que, muitas vezes, não o tratam com a força que ele pode ter como fonte geradora de riqueza e de empregos, sobretudo, para a juventude dos países onde nós moramos.

E quando eu digo profissionalismo no turismo, eu digo que as pessoas precisam conhecer primeiro. As pessoas precisam saber não apenas o que tem em cada região, mas precisam conhecer as condições de cada região. Porque também o turista é um ser exigente, ele paga e pelo pagamento que faz, quer ser bem tratado, quer ser bem recebido, quer comer bem, quer dormir bem, quer ser respeitado, não quer ser violentado, e essas são as coisas mínimas que nós temos que oferecer às pessoas.

No Brasil, muitas vezes, nós cometemos um equívoco, porque nós permitimos que apenas as desgraças apareçam e não apresentamos as virtudes, sem negar as desgraças que existem. Eu, por exemplo, acho que a questão da violência no Brasil é um fator que joga contra o Brasil. Muitas vezes, eu acho que a pobreza de muitos países da América Latina e da África são ingredientes contra o nosso próprio desenvolvimento na área de turismo. A gente não precisa negar isso, mas temos que mostrar as outras coisas boas que nós temos. Nós temos que fazer uma espécie de balanço, para que a gente possa atrair as pessoas para virem aqui. E é por isso que eu tenho, Governador e companheiros baianos, falado da Bahia. E tenho dito isso em regiões com outros governadores. O Governador Ronaldo Lessa estava num ato com nove governadores quando eu falei; o Ministro Walfrido é testemunha que eu tenho provocado os outros Governadores a fazerem o mesmo que a Bahia fez. Muito mais importante do que qualquer coisa, a Bahia conseguiu uma coisa extraordinária que foi transformar a “baianidade” numa auto-estima, numa coisa de valor, numa coisa importante. Está certo que tem uns artistas como o Gilberto Gil, que por si só já é um garoto propaganda da Bahia há muito tempo, tem o Caetano, tem a Bethânia, tem a Gal, tem a Margareth Menezes, tem tanta gente boa, mas um pouco de profissionalismo ajuda demais.

E nós temos coisas maravilhosas pelo Brasil afora que as pessoas não sabem. Eu dizia para o Governador Ronaldo Lessa: muitas vezes, a gente vê notícias de muitos estados do Nordeste, que é a minha região, pela miséria, ou quando tem muita seca, que mostra o gado morrendo, as pessoas carregando lata d’água na cabeça ou quando tem enchente, em que está todo mundo morrendo afogado. Entre a enchente e a seca não tem nada, e tem. Tem cidades maravilhosas, praias maravilhosas, recantos históricos extraordinários, e nós não mostramos isso. Então, muitas vezes, um brasileiro de classe média, por não conhecer o seu próprio país, prefere viajar para Miami, prefere viajar para outros países. É bom viajar também. Eu não sou contra viajar, porque uma viagem internacional abre a cabeça das pessoas de forma extraordinária, a pessoa fica mais sabida, mais culta, não mais inteligente, mas passa a dominar coisas que até então estavam distantes dela. Então, o turismo para mim tem esse valor. E o turismo misturado com a paz é muito mais valoroso ainda.

Por isso, não poderia ser melhor o lugar deste primeiro Encontro. Vocês que vieram de fora, ao conhecer um pouco a Bahia, vão perceber que tudo que nós falarmos da beleza desta terra é pouco, diante do que é a beleza da Bahia, sobretudo, a alma do povo baiano. Nas minhas vindas à Bahia, eu venho aqui desde 1975, mesmo nos momentos em que eu vim, de lutas, de greves, de coisas sindicais, a gente sempre encontra os baianos com motivo para dar um sorriso, com motivo para ser alegre, ou seja, eu acho que é uma coisa, é um valor brasileiro, é um patrimônio brasileiro que nós temos que colocar como vantagem comparativa nas nossas relações internacionais.

Então, meu caro Walfrido, mais uma vez eu quero te dizer que o nosso pessoal do turismo, coordenado por você, está de parabéns. Quando pensei em criar o Ministério do Turismo, já te disse isso e vou repetir, eu acho que tinha alguma coisa importante, alguma coisa maior do que a minha inteligência, que permitiu não só que a gente criasse o Ministério, dando ao turismo a importância que ele deveria ter como fator de desenvolvimento do Brasil, mas que eu encontrasse, lá nas bandas de Minas Gerais, um companheiro da tua magnitude, com teu estado de espírito, para dirigir uma área que tem que ter alegria. Se o Ministro do Turismo for carrancudo, mal-humorado, mal-educado e ainda montar um secretariado do mesmo tipo, aí meu caro, é melhor ser ministro de outra coisa. Então, eu acho que você tem esse dom. Primeiro, de gostar do que faz; segundo, de acreditar no que faz; terceiro, de acreditar de forma fervorosa que possivelmente, dentro de poucos anos, o turismo será a grande fonte de crescimento da nossa economia e a grande fonte geradora de empregos aqui. Principalmente se o Sebrae continuar ajudando a preparar, a melhorar o nosso artesanato.

Vocês estão percebendo que eu estou com a cara boa hoje, porque se o ministro do Turismo tem que estar com a cara boa, o Presidente tem que estar com a cara melhor. E eu estou feliz porque nós vamos terminar o ano, eu diria, acima do que muitos acreditavam. Nós vamos terminar o ano com a economia crescendo bem. E o nosso objetivo não é nos contentarmos com o crescimento atual, mas é transformar essa possibilidade num ciclo de crescimento sustentável para os próximos 10 ou 15 anos.

E eu acho que isso só é possível porque paira na consciência do povo brasileiro, hoje, uma idéia muito forte de auto-estima, da credibilidade que nós estamos tendo em nós mesmos, não nos achando mais seres humanos inferiores, de país de terceiro mundo. Nós, hoje, estamos numa fase boa. Eu sei que teve muita gente torcendo, quem acompanha a imprensa percebe, tem muita gente que torceu para não dar certo. Não falta, neste país, quem fique torcendo… sabe aquele negócio do ex-marido que não quer que a mulher seja feliz com outro? Aquela pessoa que fica torcendo para que o marido seja pior do que ele… eu acho que o Brasil está numa fase boa.

Eu acho que todo mundo aqui sabe, o Walfrido me dizia ontem numa conversa que nós pegamos o Brasil na UTI. Em 2003 foi um trabalho imenso para levar o Brasil para a enfermaria. Quem já ficou internado sabe o avanço de sair de uma UTI para ir para uma enfermaria. Quem nunca foi não tem noção, acha que é apenas mudar de quarto. Mas quem já esteve internado sabe a diferença de sair de uma UTI para ir para uma enfermaria. E agora já recebemos alta, já estamos na rua andando, já estamos de cabeça erguida, cantando a música do nosso Zeca Pagodinho, “Deixa a vida nos levar”. Estamos numa fase boa e eu acho que essa fase depende do trabalho de cada de um de vocês e depende, sobretudo, do que nós fizermos daqui para a frente para transformar essa fase boa numa fase ainda melhor.

Já fizemos tudo? Não. Tem muita coisa para fazer. E isso é que nem dar dinheiro para filho: quanto mais você dá, mas ele quer. Eles são insaciáveis. E eu acho que o país é assim, o país tem muitos problemas, como todos os países da América Latina que estão aqui e outra parte do mundo, mas nós precisamos ser perseverantes, precisamos acreditar no que fazemos e saber que as coisas podem dar certo.

No turismo – eu pensei que o nosso companheiro Walfrido ia falar para diminuir o meu tempo, aqui – não tem possibilidade de ter turismo se não tiver como as pessoas transitarem. O turismo selvagem, o Tarzan acabou, o turismo selvagem só para meia dúzia de inusitados, porque quando nós falamos de turismo, nós estamos fazendo, na prática, aquilo que é preciso ser feito. Só a Infraero, dos 66 aeroportos que ela administra – quem viajar pelo Brasil, hoje, quem for a São Paulo, a Santos Dumont, a Salvador, a Recife, a Maceió, a Goiânia vai perceber que é difícil chegar numa cidade em que o aeroporto não está sendo reformado. É difícil chegar numa cidade em que os aeroportos não estão reformados. Por quê? Porque, eu não sei se vocês percebem, a primeira impressão de alguém que chega cansado, depois de viajar numa classe econômica, apertado, por 12, 13 horas de viagem, a primeira impressão que fica, quando a pessoa abre o olho, é a que ela vai levar para o resto da vida, que vai contar para os amigos quando regressar. Então, se você não tiver aeroportos condizentes com a aspiração do viajante, ele se depara com o aeroporto todo quebrado, banheiro sujo, pessoal da alfândega mal-encarado. E ficando três, quatro horas na fila, ele fala: “Ah, neste lugar eu não volto mais.”

Eu falo francamente, quem já foi num país onde as pessoas colocam cachorro policial para ficar te cheirando, não quer nunca mais voltar. Nós temos que tratar bem as pessoas. Eu dizia, agora, para o nosso Ministro, nós temos que convencer os nossos Governadores que cada vez que chegar um avião, seja de turista interno, seja externo, nós temos que ter uma comissão de recepção, pessoas bem-humoradas, pessoas conversando, mostrando a cultura local. Essa é a impressão, senão as pessoas voltam para o seu país e falam: “ah, no Brasil teve um assassinato; no Brasil teve um assalto na praia.” Ora, isso tem em tudo quanto é lugar. Acontece que nós aprendemos a disseminar o ruim e o que é bom.

Então, se vocês quiserem fazer uma experiência, quando chegarem na casa de vocês, num domingo, quem tem quatro ou cinco filhos como eu tenho, coloquem um monte de comida na mesa, e vocês vão perceber que os filhos começam dizendo: “está faltando isso, está faltando aquilo.“ Tirem tudo e perguntem para eles: “e agora?” Eles vão perceber que o que tinha era extraordinário. Nós, no Brasil, temos coisas extraordinárias, temos coisas fantásticas e temos os nossos problemas. Vamos divulgar as coisas extraordinárias que temos, sem negar os nossos problemas, e vamos divulgar os problemas que temos, sem negar as coisas boas que temos. Nós temos que aprender esse poder de atração que este país tem.

E é por isso que nós discutimos a questão da integração da América Latina. Agora, integração não é um discurso que se faz desde o tempo de Bolivar, há 200 anos. Agora, integração não é uma palavra mágica que nós, latino-americanos, gostamos de falar nos microfones, em campanha. Não tem um, Gil, não tem um candidato, de qualquer país da América Latina, que não termine o seu discurso: “porque nós precisamos de integração”. Agora, integração não é uma palavra, integração são gestos. É por isso que nós, enquanto governo brasileiro, acreditamos na necessidade de recuperar o Mercosul, e hoje o Mercosul está mais consolidado. É por isso que nós estamos, enquanto governo brasileiro, financiando pontes e estradas na Bolívia, no Peru, no Paraguai, porque entendemos que sem integração, sem estradas, sem pontes, sem hidrovias, sem telecomunicações, sem aeroportos, nós não vamos a lugar nenhum. O que vai fazer o turista do Equador vir ao Brasil, se ele tem que ir até Miami para vir ao Brasil? Ele já fica em Miami. Ou se um companheiro da África, para vir ao Brasil, ou do Irã, ou de qualquer outro país árabe, tem que ir para Paris, já fica lá.

Então, nós não temos empresas de aviação que fazem a ligação da maioria dos países, aqui, que têm fronteira conosco. Essa é uma coisa que nós estamos discutindo com muita seriedade. O Brasil sozinho não pode dar jeito. Nós temos que pensar numa política conjunta. O cidadão quer conhecer os Andes? Ótimo; quer conhecer o tango? Ótimo. Mas dá uma passadinha no samba, dá uma passadinha para ver como é a Bolívia. Nós poderemos fazer, se tivermos uma política conjunta, com outros países, porque senão, sozinho, cada um vai cuidar só do que é seu. E aí não dá certo.

Eu temo que nós não tenhamos, no mundo, a grandeza de entender o que o turismo pode fazer por nós, o que o turismo pode ajudar no desenvolvimento e pode ajudar na questão da paz. Eu não vou nem falar, Walfrido, da quantidade de gente que já cresceu este ano. Este ano, em comparação ao ano passado, já foram 14% a mais de turistas estrangeiros que vieram ao Brasil. Certamente, o número de passageiros transitando internamente foi muito maior, infinitamente maior. Agora, nós precisamos, porque como somos um país grande, temos várias regiões ao mesmo tempo… Temos a época para ir para o Norte, para ir para o Sul, para ir para o Nordeste, para ir para o Centro-Oeste. Agora, isso tem que ser pensado junto com o governo federal e os governos estaduais para que a gente tenha uma política uniforme e todo mundo possa ganhar. Todo mundo tem que saber que pode ganhar um pouco. Agora, nós temos que acreditar. E eu quero dizer para vocês que eu acredito.

Tinha duas coisas que eu achava, não burrice, porque eu não acho que tenha alguém burro no mundo, mas são duas coisas que eu nunca consegui entender. Eu fiquei sabendo no Congresso do Rio de Janeiro, que o Ministério do Turismo brasileiro, na década de 50, era ligado ao Ministério da Agricultura. Por último era o Esporte, como se fosse a mesma coisa. Eu não entendi porque não tinha turismo, porque não tinha pesca.

Esses dias eu fiz uma reunião com um grupo de governadores estrangeiros e eles me perguntavam se o Brasil exportava. Eu falei: o Brasil importa peixe, importa do Chile, importa do Peru, importa de outros países, com 8 mil quilômetros de costa marítima. Nós não tínhamos… a pesca era um departamento do Ministério da Agricultura, com o potencial turístico extraordinário que tem hoje a agricultura brasileira, sobretudo, a quantidade de fazendas, hotéis, a quantidade de pesqueiros, a quantidade de área de lazer que se criou.

Eu acho, Walfrido, que você tem uma tarefa extraordinária. Primeiro, tratar os nossos convidados bem, sorrindo sempre. Não precisa pagar o jantar, porque vai dar despesa para o governo e nós estamos fazendo um superávit razoável. Mas tratar muito bem, porque eu acho que as pessoas vão sair daqui de Salvador conhecendo um pouco a beleza deste estado e tem outros estados com beleza igual.

Eu quero desejar a vocês toda sorte do mundo. Eu acho que o turismo pode ser uma grande fonte de geração de empregos para os jovens do mundo, sobretudo, nos países pobres, onde o jovem tem mais necessidade. Com formação profissional não é difícil, a molecada tem a cabeça boa, o sorriso bonito. Então, se a gente cuidar disso, pode ter uma extraordinária fonte geradora de riquezas.

E você, meu caro Maurício de Souza, pode ajudar a contribuir fazendo com que a Mônica fale do turismo, com que o Cebolinha fale do turismo. E todo mundo ganha com isso.

No mais, meus companheiros, boa sorte. Walfrido, boa sorte. Governadores Paulo Souto e Lessa, cuidem dos seus estados, porque vocês têm a responsabilidade de fazer com que os estados de vocês nos atraiam para lá.

Eu só queria lembrar o seguinte: eu estou vendo, aqui, algumas pessoas interessantes. Não sei se a dona Zilda Arns está aí, estou vendo lá. Eu estou enxergando bem. Mas eu fico imaginando o seguinte: a dona Zilda Arns está sentada na casa dela, vendo televisão, às sete horas da noite, e ela pensa assim: “Bom, eu vou fazer uma viagem.” Ela começa a falar: “Onde eu vou? No Nordeste só tem seca, no Rio de Janeiro só tem violência, em São Paulo só tem seqüestro. Eu vou ficar em casa vendo televisão.” E fica. Viaja pela tela da televisão brasileira o tempo inteiro.

Por que eu estou dizendo isso, meus queridos Governadores? É porque se vocês não fizerem com que o cidadão ou cidadã que está em casa vendo televisão receba, da mesma forma que recebe uma mensagem de um produto qualquer para o seu consumo, ele tem que receber uma mensagem dos seus estados. Vocês têm que colocar na televisão as coisas boas que tem no estado. Venha conhecer Alagoas por causa disso. Não vai falar do Collor, fala das coisas bonitas de Alagoas, Lessa, fala das coisas boas.

Se cada estado fizer isso, vocês podem ter a certeza que a gente pode, num curto espaço de tempo, praticamente dobrar o turismo interno no nosso país.

Então, vocês sabem que tem uma classe média brasileira que pode viajar e ela tem que ser atraída, se vocês não atraírem, as pessoas vão para outros países. Então, primeiro, tem que conhecer o Brasil para depois conhecer os outros países.

E aí nós estamos fazendo duas coisas importantes. Nós, sexta-feira, vamos ao Rio Grande do Sul e a Santa Catarina entregar a ordem de serviço da BR-101, que é a famosa rodovia do Mercosul. Só quero lembrar a vocês que a ordem de serviço já foi entregue em 26 de junho de 1998 e não aconteceu nada, porque era um ano eleitoral. O Presidente foi lá entregar, na época, mas depois não aconteceu nada. Nós já vamos entregar e vamos ficar vendo se a obra vai começar de verdade.

E também vamos começar a BR-101 Nordeste. Eu não sei, nós temos, acho que três estados onde os projetos executivos estão prontos, viu Lessa, e nós vamos começar pelo Rio Grande do Norte e pela Paraíba ou por Pernambuco, porque os projetos executivos já estão prontos. Faltam os projetos executivos de Alagoas e de Sergipe para chegarmos na Bahia, que já tem uma rodovia boa, que vai até Sergipe. A Linha Verde pode ser melhorada. E nós achamos que a construção dessa BR-101 vai possibilitar que o turismo cresça muito no Nordeste brasileiro. E essa será uma rodovia criada com dinheiro público, financiada pelo orçamento, porque quando a estrada é rentável economicamente, você faz PPP, você faz parceria; quando ela não é, o Estado tem que assumir de fazer, porque nós achamos que o Estado, como indutor, não tem que ficar esperando ter viabilidade econômica. A estrada pode ser a viabilidade econômica do desenvolvimento mais rápido dessa região extraordinária do Brasil, que durante tantos anos foi tratada como se fosse de segunda classe.

Por isso, meus companheiros, nós vamos fazer a nossa parte e eu penso que se cada governador der um pouco daquilo que podem dar, cada secretário, cada prefeito… Nós precisamos aprender uma coisa, nós precisamos aprender a não ficar reclamando dos outros. Você vai perceber, viu João Henrique, você vai tomar posse, você não vai ter tempo de ficar falando do Imbassahy, porque o mandato é tão curto que você vai ter que trabalhar que nem um louco para cumprir o que você acredita. Você não vai ter tempo. Nós precisamos parar de ficar reclamando a vida inteira. Sabe aquela madona chorona, que só fica reclamando? Reclama quando chove, reclama quando faz sol, reclama quando nem chove, nem faz sol, quando o tempo está nublado, reclama quando tem onda, quando não tem onda, ou seja, nós precisamos nos contentar com alguma coisa. Da mesma forma que eu me olho no espelho todo dia, Gil, e não adianta eu ficar achando que sou feio. Eu sou isso que sou. Eu tenho que gostar de mim assim. E do país, a gente tem que gostar dele do jeito que é.

Boa sorte!

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