Retorno com grande satisfação ao Equador.
Vim a Quito para a posse do presidente Gutiérrez, pouco depois de haver assumido a Presidência do Brasil.
Quis mostrar a solidariedade que nos unia, num momento de grandes esperanças para os nossos países.
Volto agora para reafirmar aquela comunhão de ideais e de compromissos.
Passados quase dois anos, os desafios e as expectativas permanecem. Mas já avançamos muito.
Nossas economias voltaram a crescer.
Como no Brasil, o Equador adotou, sob a sua liderança, amigo Presidente, medidas duras para reduzir a vulnerabilidade externa e recuperar a credibilidade internacional.
Mas, como disse o presidente Gutierrez: “a economia deve estar a serviço do povo”; não o contrário.
De nada adianta o crescimento se não traz ganhos efetivos para a qualidade de vida dos mais vulneráveis.
Nossos governos estão tomando medidas enérgicas para que o desenvolvimento beneficie a todos.
Senhor Presidente,
O Equador é um país rico, dono de uma biodiversidade única. Localizado na metade do mundo, é porto estratégico para a navegação internacional.
Seu povo, herdeiro de grandes realizações, é o parceiro com quem meu governo deseja trabalhar.
Amigo Presidente,
Os instrumentos que amanhã firmaremos, revelam o novo estágio de nossas relações. Mostram possibilidades nos campos da saúde, da energia e de ciência e tecnologia e de infra-estrutura como um todo.
Temos importantes parcerias a comemorar. Começaram finalmente as obras da Hidrelétrica San Francisco.
O financiamento de US$ 243 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social brasileiro, permitirá a realização de um sonho de 30 anos: levar energia, água e desenvolvimento econômico para uma região carente do Equador.
A Petrobras quer contribuir para que a indústria petrolífera do Equador continue sendo um fator de desenvolvimento e de segurança nacional.
Não lograremos o desenvolvimento sem uma integração dinâmica e eqüitativa. Uma integração sem hegemonia, mas com fraterna solidariedade.
Pensamos que o comércio deve ser uma via de duas mãos.
Convidamos o Equador a participar do programa de Substituição Competitiva de Importações para ampliar suas exportações ao Brasil.
Senhor Presidente,
Nossos destinos estão ligados aos de nossos vizinhos.
Brasil e Equador estão determinados a ajudar a transformar o nosso continente em uma Comunidade Sul-Americana de Nações. Um grande espaço político e econômico da Amazônia à Patagônia.
O acordo entre o Mercosul e os países andinos abre caminho para tornar realidade o sonho de um continente economicamente próspero, socialmente justo e politicamente estável.
Estimulará negócios e projetos de cooperação que vão além da relação comercial. Fomentará a circulação de bens e serviços, mas também de pessoas.
Nosso acordo com o Peru e a Bolívia para dispensar passaportes aos cidadãos de nossos países é o exemplo que queremos seguir com outros países, como com o Equador.
O Brasil tem de mostrar ousadia, flexibilidade e generosidade. Conhecemos as assimetrias entre os nossos parceiros.
Vamos assegurar que países de menor desenvolvimento possam exercer ao máximo suas potencialidades.
Nossa comunidade não prosperará sem uma rede moderna e eficiente de infra-estrutura: transportes, energia, comunicações.
Brasil e Equador têm papel estratégico nessa tarefa. Queremos a interconexão entre as regiões amazônica e andina e aproximar o Atlântico do Pacífico.
Conforme prevê o presidente Gutiérrez, o projeto de ligação Manta-Manaus converterá o Equador em eixo central de transporte entre a Ásia e a Europa, tendo a América do Sul como ponto focal.
Meu caro Presidente,
A Nação Sul-Americana que estamos conformando se afirma no cenário internacional.
O Grupo dos 20, que contou em Cancún com uma participação ativa do Equador, vem ajudando a reescrever a agenda da Organização Mundial do Comércio em matéria de produtos agrícolas.
Nossos países estão atuando para convencer a comunidade financeira internacional a aceitar os mecanismos inovadores de financiamento propostos pelo Grupo do Rio.
Por essa razão, atribuo importância ao apoio às propostas que apresentei a líderes mundiais em favor de uma revisão dos critérios de contabilidade do Fundo Monetário Internacional.
A superação dos entraves ao desenvolvimento requer firme atuação de nossos países, em defesa de regras mais justas e equilibradas não só no comércio internacional.
Estamos fazendo a nossa parte com disciplina e maturidade. Por isso é inadmissível que países como o Equador sejam obrigados a desembolsar 40% de seu “pressuposto” para rolar a sua dívida externa.
O comportamento que estamos exigindo dos países desenvolvidos é o mesmo que impusemos a nós mesmos.
Buscamos um desenvolvimento que concilie crescimento econômico sustentável e inclusão social com aprofundamento da democracia e presença soberana no mundo.
Senhoras e senhores,
São essas as prioridades de meu governo. É com este espírito de confiança e de solidariedade que celebro a intenção comum de dar continuidade à aproximação e integração entre nossos países.
Por isso, convido a todos os presentes a erguer um brinde à saúde do presidente Gutiérrez e de sua esposa Ximena e à prosperidade do nosso querido povo irmão equatoriano.
Muito obrigado.

24/08/2004



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