Receber a chave da cidade de Libreville tem um significado muito especial para mim e para todos nós, brasileiros.
Esta cidade foi fundada por escravos resgatados de um navio negreiro. Seu nome evoca a liberdade.
Durante o vôo que me trouxe até aqui, pude evocar as palavras de um brilhante diplomata e africanista brasileiro, o embaixador Alberto da Costa e Silva.
Ao descrever o mar que separa o Brasil da África, Costa e Silva criou a imagem de um rio chamado Atlântico.
Um caudaloso rio margeado por areias brancas, por onde navegaram os homens e as mulheres que fizeram a irmandade do Brasil com este Continente.
O Atlântico não é um oceano que nos separa, mas um rio que une nossos povos e nossos destinos.
Estar aqui é, assim, ter o privilégio de visitar um dos berços do meu país.
No tempo infamante da escravidão, milhares de indivíduos desta região bantu, que é hoje o Gabão, foram embarcados para o Brasil.
Apesar do sofrimento que experimentaram no exílio forçado, eles tiveram a generosidade de doar o tesouro cultural que traziam dentro de si.
Para lá levaram a alegria de seus ritmos, a beleza de suas danças, a habilidade artística de suas mãos que são, hoje, a marca do estado brasileiro onde nasci: Pernambuco.
Por isso, senhor Prefeito, agradeço emocionado a honra que me é concedida de entrar, com minha própria chave, nesta cidade de homens livres, irmãos dos brasileiros que estão do outro lado deste rio chamado Atlântico.
Muito obrigado.

27/07/2004



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