Foi com grande prazer que aceitei o convite de Vossa Excelência para vir a este país irmão,em retribuição à sua visita ao Brasil em 2002.
Desde que assumi o cargo de Presidente do Brasil, decidi que as relações com a África estariam dentre as prioridades de meu governo.
A África influenciou decisivamente a formação da identidade nacional brasileira.
Na visita que faço a este belo país, retorno às origens de nosso povo. Ressalto a contribuição bantu na cultura brasileira.
O maculetê, a capoeira, o próprio samba brasileiro nasceram nesta região, onde está situado o Gabão, e foram levados para o Brasil pelos cerca de 700 mil bantus que chegaram às terras brasileiras entre 1680 e 1830.
Quando menino, no meu estado natal, Pernambuco, assisti o maracatu, dança popular trazida pela gente bantu.
Senhor Presidente,
Brasil e Gabão compartilham opiniões sobre temas importantes da agenda internacional.
Acreditamos no multilateralismo.
Ele é o caminho para chegarmos a um mundo mais democrático e justo.
O Brasil defende a reforma das Nações Unidas, em particular do Conselho de Segurança.
Vossa Excelência foi o primeiro presidente africano a defender, ainda em 1977, um assento permanente para a África.
Aproveito para agradecer o apoio do Gabão à aspiração brasileira de um lugar permanente nesse Conselho.
Também gostaria de cumprimentá-lo pela eleição do ministro Jean Ping, à Presidência da Assembléia Geral das Nações Unidas em 2004.
Trata-se de justo reconhecimento ao dinamismo da política externa de Vossa Excelência e às qualidades pessoais de seu Chanceler.
Caro amigo Presidente,
O desenvolvimento dos povos é condição prioritária para a paz e para a preservação da democracia.
É necessário que a comunidade internacional se comprometa em erradicar a fome e a pobreza.
Não é possível permanecer indiferente e impassível diante do espetáculo de populações famintas perambulando por um mundo rico em recursos.
Conto com a presença de Vossa Excelência no Encontro de Líderes Mundiais sobre o Combate à Fome e à Pobreza, em 20 de setembro próximo, em Nova York. Vamos lá discutir soluções concretas e realistas para combater esses flagelos.
Senhoras e Senhores,
Desejo expressar meu reconhecimento à Comunidade Econômica dos Estados da África Central, e a meu anfitrião, em particular, por seus esforços na mediação de conflitos no Continente.
O Brasil entende que a paz é condição necessária para o desenvolvimento dos povos da África.
Este Continente conta com vasto patrimônio de recursos naturais.
Mais do que isso, conta com valiosos recursos humanos e com a capacidade e a maturidade de seus povos para idealizar e implementar seu futuro.
Verifico, com satisfação, os progressos da Nova Parceria para o Desenvolvimento Africano (NEPAD), corajoso compromisso da sociedade africana com seu próprio destino.
Senhor Presidente,
O aprofundamento de nossas relações com a África, além de um dever moral, é necessidade estratégica.
A ordem econômica mundial apresenta dificuldades e desafios que só poderão ser superados por meio da aproximação solidária dos países em desenvolvimento.
Quando articulamos nossas posições, nossa capacidade de influir sobre as decisões internacionais é enorme.
Provamos isso em Cancún, na Conferência da OMC.
Unidos, pudemos dar novo rumo a essas negociações, de acordo com nossos interesses nacionais e regionais.
Devemos continuar a agir assim.
Presidente Omar Bongo,
São muitos os campos em que podemos estabelecer parcerias, no melhor espírito da cooperação Sul-Sul.
A experiência brasileira em mineração, construção de estradas em meio tropical e geração de energia elétrica pode ser útil para o Gabão.
Vejo com agrado a presença da Companhia Vale do Rio Doce na exploração de manganês em seu país.
Estou seguro de que essa empresa tem condições de levar a cabo a tarefa que lhe foi confiada.
A conclusão do acordo de renegociação da dívida gabonesa com o Brasil estimulará empresas brasileiras a participarem em obras públicas do Gabão.
Acabamos de estabelecer um primeiro projeto de cooperação para o combate à malária. Ele tem significado especial. Representa um passo na estratégia maior do combate à pobreza.
Sou portador de uma doação de medicamentos produzidos no Brasil contra o vírus HIV/SIDA, este inimigo implacável que ameaça o continente africano.
O Protocolo de Intenções sobre Pequenas e Médias Empresas, entre nossos países, permitirá a formação, no Brasil, de técnicos gaboneses nos setores que seu país considere prioritários.
Finalmente, é motivo de grande satisfação para mim a cooperação agrícola que o Brasil pode desenvolver com o Gabão, sobretudo no cultivo da mandioca.
Os instrumentos internacionais que assinaremos reforçarão uma cooperação que desejo ver ampliada sempre mais.
Meu caro amigo Presidente,
Disse ao Chanceler Jean Ping, em nosso recente encontro em Brasília, que desejava que minha visita ao Gabão pudesse representar uma nova fase nas relações entre os nossos países.
Vamos ampliar nosso diálogo, intensificar nossos contatos econômicos, reforçar a cooperação bilateral, revitalizar os vínculos culturais forjados pela história.
Agradeço a Vossa Excelência a calorosa acolhida com que fui recebido em minha chegada a Libreville.
Desejo saudar esta nova etapa da amizade brasileiro-gabonesa. Convido os presentes a brindarem – em meu nome e no nome do povo brasileiro – à felicidade pessoal de Vossa Excelência e à prosperidade do povo gabonês.
Muito obrigado

27/07/2004



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