Eu penso que a melhor política é, primeiro, apresentar as pessoas do Brasil que vieram para este encontro com investidores, aqui, nos Estados Unidos. Bom, vocês estão vendo a placa, não precisa apresentar os ministros que estão, aqui, na mesa: Guido Mantega, do Planejamento,
Palocci, da Fazenda,
Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio,
O nosso companheiro Celso Amorim, do Ministério das Relações Exteriores,
O nosso embaixador Roberto Abdenur,
Aqui estão presentes os nossos ministros do Turismo, companheiro Walfrido dos Mares Guia,
O companheiro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos,
O nosso companheiro da Agricultura, Roberto Rodrigues,
A nossa companheira de Minas e Energia, Dilma Rousseff,
Estão presentes, aqui, representantes das agências reguladoras brasileiras,
Estão os representantes, aqui, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Portanto, o que não falta, aqui, são pessoas que conhecem com profundidade as questões brasileiras.
Quero cumprimentar os empresários e as empresárias que estão participando deste evento,
Quero cumprimentar os embaixadores,
Quero dizer para vocês que esta reunião é resultado de uma estratégia de política externa do nosso governo, de política comercial do nosso governo.
Quando nós tivemos uma reunião em Genebra, com investidores europeus, o ministro Furlan teve a idéia de fazermos, aqui, nos Estados Unidos, um debate igual àquele que fizemos em Genebra, para apresentarmos aquilo que o Brasil tem de oportunidades para investidores.
Como vocês sabem, nós estamos completando ou vamos completar, no dia 1º de julho, um ano e seis meses de governo, um ano e meio. E, neste um ano e meio de governo, nós resolvemos colocar em prática algumas ações que podem permitir, no longo prazo, que o Brasil possa ter uma economia definitivamente equilibrada e um desenvolvimento sustentável capaz de oferecer a todos nós a certeza de que nós não estamos inventando absolutamente nada de novo, estamos apenas cumprindo com as nossas obrigações de bem administrar recursos públicos, fazendo com que o Estado, ao exigir seriedade da sociedade, o Estado aja com seriedade, sobretudo na administração dos recursos públicos brasileiros que não são muito grandes, são pequenos.
Isso nos impõe uma política fiscal dura, porque não podemos gastar mais do que arrecadamos e, ao mesmo tempo, não poderemos aumentar a arrecadação às custas de aumento de tributos que tornam os produtos brasileiros menos competitivos no mercado internacional.
Nós estabelecemos uma estratégia de política externa onde prevalece a ousadia do Brasil em ser um ator privilegiado e não um coadjuvante à espera das sobras das negociações praticadas pelos chamados países desenvolvidos.
Nós, então, resolvemos, primeiro, ter uma política de recuperar uma boa relação com a América do Sul, porque estávamos próximos e, ao mesmo tempo, muito distantes, na medida em que havia desconfiança política, na medida em que nós não tínhamos uma infra-estrutura que permitisse a nossa integração física, ou seja, ficávamos muito no discurso e na retórica da integração mas nada foi feito, durante muitos anos, para que houvesse essa integração. E hoje, para surpresa de muita gente, no Brasil e no mundo, nós estamos alcançando um resultado que parecia inalcançável há oito meses, que é a integração de toda a América do Sul no Mercosul.
A começar pela Comunidade Andina, envolvendo Peru, Venezuela, Equador e Colômbia. Eu duvido que algum especialista em comércio exterior acreditasse que fosse possível, em tão pouco tempo, a Comunidade Andina estar participando do Mercosul e, hoje, nós podemos dizer para vocês que chegaremos ao final do ano com o Mercosul integrando toda a América do Sul, o que é um passo extremamente importante porque isso pode ser um mercado atrativo para os investidores estrangeiros e, ao mesmo tempo, uma possibilidade enorme dos países da América do Sul sonharem e não ficarem parados, como ficamos no século XX, do ponto de vista da nossa política externa.
Nós, agora, estamos tratando e certamente o Guido Mantega irá falar um pouco, sobre a integração física da América do Sul. Nós tivemos um trabalho imenso para, com os nossos companheiros chefes de Estado dos outros países, mostrar que a integração definitiva só se daria quando nós tivéssemos as telecomunicações, o serviço de energia elétrica, as hidrovias, as ferrovias e as estradas construídas interligando os nossos países, porque um presidente de algum país, às vezes, tem que vir aos Estados Unidos para depois ir ao Brasil e isso facilitaria ele fazer negócios nos Estados Unidos e não no Brasil.
Então, nós estamos tratando isso com um carinho excepcional. Já fizemos um grande encontro entre o nosso Banco de Desenvolvimento e a CAF, Corporação Andina de Fomento, para estabelecer os dois principais projetos de interligação entre dois ou mais países da América do Sul, para que possa haver a integração definitiva.
Depois, nós tivemos uma ação muito forte também com relação à África. A África tem países com riquezas extraordinárias e está tão próxima do Brasil – o que nos divide é apenas o Oceano Atlântico, e não é tão largo assim – mas, muitas vezes, para um brasileiro ir à África ele tem que ir à Paris, como, muitas vezes, um africano para ir ao Brasil tem que ir a Paris, ou seja, ele já faz negócio por lá mesmo, não tem que ir ao Brasil. Então, nós temos que garantir o direito dessas pessoas se locomoverem, se quisermos servir de atração.
No debate da tarde, cada ministro vai poder explicar o que está acontecendo depois desse ciclo de viagens que nós fizemos para esses países e vamos culminar essa nossa estratégia com um grande encontro que teremos em fevereiro ou abril, falta definir a data apenas, entre todos os chefes de Estado e presidentes dos países árabes com todos os presidentes da América do Sul, para que a gente possa discutir possibilidades de investimento. Nós queremos que o mundo árabe descubra o Brasil, descubra a América do Sul como um pólo de investimento, tanto no turismo quanto na indústria.
Estabelecemos uma parceria estratégica com a África do Sul, com a Índia e com China. Agora, em outubro, vamos nos encontrar com o presidente Putin, da Rússia, e aí nós teremos, na verdade, concluído uma integração entre os chamados países em desenvolvimento. Nós estabelecemos a idéia de que era preciso criar uma nova “geografia comercial” no mundo. Era preciso ter uma espécie de política de complementaridade – o que cada país pode atender o outro naquilo que o outro não consegue produzir e vice e versa, para que a gente pudesse ter, essa é a palavra correta, mais força nas negociações com o chamado mundo desenvolvido, sobretudo, quando nós discutimos os subsídios agrícolas.
Nós descobrimos que negócios são negócios, amizade à parte; ou seja, por mais que nós gostemos uns dos outros, quando se trata de negócio o que prevalece são as vantagens comparativas que nós possamos oferecer a alguém. E isso está acontecendo, acontece até agora, porque eu acho que nós conseguimos um intento razoável nessa nossa política. Para que isso desse certo, era preciso que desse certo a nossa tarefa interna, ou seja, todo mundo aqui sabe como nós pegamos o Brasil, portanto, eu não preciso falar.
Todo mundo aqui sabe qual era a perspectiva que o Brasil tinha de inflação, de endividamento externo, de exportação, os créditos. E tudo isso com muito sacrifício. É bom confessar a vocês que foi com muito sacrifício que nós resolvemos assumir a responsabilidade de pagar o preço que tínhamos que pagar para dar ao Brasil a oportunidade de não ter apenas o chamado crescimento eventual ou uma bolha de crescimento em época eleitoral. Nós queremos provar que é possível o Brasil ter um crescimento sustentável, contínuo e, ao mesmo tempo, ter uma política social mais ousada. Por isso nós assumimos a responsabilidade (falha na transmissão/gravação) atender uma transferência de renda às 11 milhões de famílias que estão abaixo da linha da pobreza, totalizando 44 milhões de pessoas. E isso, eu estou convencido de que vamos cumprir.
Para que isso aconteça, é preciso que estes meninos que estão aqui e estes que estão aí façam o seu trabalho corretamente, façam o seu trabalho de forma madura. Nós não estamos pensando o Brasil eleitoralmente. Isso é importante frisar, nós estamos pensando o Brasil para vinte ou para trinta anos e, para isso, nós temos que fazer o alicerce sólido agora. Não queremos fazer nenhuma pequena aventura. Não queremos inventar a roda e não queremos criar um plano daqueles que tenha um crescimento de 7% ao ano e, depois, tenha uma queda de 7%. Não queremos. Nós preferimos crescer menos, mas crescer de forma sustentada. Obviamente que vamos tentar, para trabalhar, crescendo o máximo, de acordo com as nossas possibilidades.
Por isso estamos aqui, para uma conversa franca, para uma demonstração do que estamos fazendo, para discutir com vocês o que já fizemos e para convencê-los de que o Brasil é um bom negócio par quem quer fazer bons investimentos. E eu quero dizer para vocês, já que os Estados Unidos são o maior parceiro comercial e também de investimento no Brasil: confiem mais, invistam mais, porque haverá possibilidade de vocês ganharem mais. Nós queremos discutir o que estamos fazendo, mostrar para vocês as regras que estabelecemos no nosso país. Elas são claras, não tem surpresa às altas horas da madrugada, não tem surpresa pela primeira página dos jornais. O que nós queremos é que jogo seja o mais franco, o mais aberto e o mais produtivo possível. Até porque nós passamos e o país continua, e nós queremos é que o país dê certo e possa progredir de forma extraordinária.
____________: (ininteligível)
Presidente: Aí você vai falar. Não, é que o Furlan gosta que eu fale da questão dos investimentos.
Uma coisa que nós descobrimos, no Brasil, é que muitas vezes um cidadão ou uma cidadã, um investidor que quer investir no Brasil, uma empresa, ao chegar ao Brasil ele tem que freqüentar tantas repartições, tantos ministérios e tantas autarquias, e ao invés de sair de lá com a solução dos seus problemas, ele sai com um pacote de problemas tão grande para resolver, que ele pensa: bom, porque eu haveria de investir no Brasil, se aqui só tem problemas?
Nós criamos uma sala de situação para investimento, definimos política industrial, coisa que, no Brasil, há vinte anos, diziam que o Brasil não precisava de política industrial. E nessa sala de situação, quando o investidor chegar ao Brasil, ele vai encontrar numa única repartição todas as instituições que ele deveria visitar, e nós mesmos vamos tratar de encaminhar as soluções para os problemas que possam existir, em função desse investimento. Nós, na verdade, queremos facilitar a vida de quem quer investir no Brasil, ou seja, quanto menos cansada a pessoa estiver, quanto mais bem tratada for, mais vontade de investir ela terá, no Brasil. Se ela já começar a ficar cansada no primeiro contato, ela pode investir menos. E nós queremos fomentar as pessoas a investirem mais.
O Walter Cover, que está aqui, que é o nosso companheiro que vai cuidar dessa sala de situação, vai ficar diretamente no Palácio do Planalto e, portanto, mais próximo da gente, para que possamos cobrar dele um resultado da nova política de investimento que nós queremos fazer no nosso país.
Bem, eu agora quero, já que eu estou falando de que as coisas tem que acontecer mais rapidamente, passar a palavra para o companheiro Antonio Palocci, o nosso ministro da Fazenda, para que ele possa, no menor prazo possível, com a maior precisão possível, mostrar que o que estamos fazendo justifica a nossa presença, aqui, para convencê-los a fazer bons negócios com o Brasil. Palocci.

23/06/2004



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