Presidente da República da Colômbia, Senhor Álvaro Uribe,
Excelentíssimo Ministro de Comércio, da Indústria e Turismo da Colômbia, Jorge Botero,
Meu caro companheiro Celso Amorim, Ministro de Estado da Relações Exteriores no Brasil,
Meu caro Márcio Fortes de Almeida, Ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
Meu caro Jorge Garavito, Embaixador da Colômbia no Brasil,
Embaixadora Maria Celina de Azevedo Rodrigues, Embaixadora do Brasil na Colômbia,
Senhor Luiz Guilhermo Plata, presidente do ProexPort,
Meu caro amigo Cláudio Lemos, vice-governador do estado de São Paulo,
Meus Senhores e minhas Senhoras,
Empresários,
Diplomatas presentes nesse evento,
Eu, antes, gostaria de pedir a vocês a compreensão para que, neste ato oficial de dois países importantes na América do Sul, pudéssemos homenagear um líder brasileiro, uma grande figura política brasileira que morreu ontem à noite. Eu queria pedir um minuto de silêncio pela morte do ex-governador Leonel Brizola.
Muito obrigado.
Tenho satisfação de estar aqui, juntamente com o Presidente da Colômbia, para inaugurar esta rodada de negócios Brasil-Colômbia.
Ela se soma à macro-rodada de negócios que se iniciará amanhã e que reunirá empresários dos demais países da América do Sul, em um grande esforço para fortalecer nosso comércio regional.
Ontem, o presidente Uribe e eu mantivemos uma produtiva reunião de trabalho. Esse encontro é parte do esforço que ambos os governos têm desenvolvido para o fortalecimento dos laços que nos unem.
É também expressão da prioridade que meu governo atribui às relações com os países irmãos da América do Sul.
Brasil e Colômbia têm trabalhado juntos para lograr esse objetivo. É fundamental que os empresários de ambos os países se associem ativamente a esse esforço do governo.
Esta rodada de negócios é uma clara demonstração do propósito de abrir caminhos para a prosperidade de nossos povos e de nossa região. Brasil e Colômbia têm especial responsabilidade nesse sentido, pois os dois países são os mais populosos da América do Sul, onde têm grande peso econômico, político e cultural.
Somos o primeiro e o segundo exportadores mundiais de café e temos coordenado esforços para fortalecer a comercialização do produto nos mercados internacionais.
Nosso comércio bilateral está muito aquém de suas possibilidades e é fortemente assimétrico. Nossas trocas comerciais alcançaram 847 milhões de dólares em 2003.
Desse montante, as exportações brasileiras representaram 748 milhões de dólares. As exportações da Colômbia para o Brasil, por sua vez, somaram apenas 98 milhões de dólares.
O Brasil é somente o vigésimo quinto destino das exportações colombianas. Não convém, em nosso próprio benefício, deixar essa situação perdurar.
Tornou-se, portanto, uma necessidade ampliar o intercâmbio econômico-comercial, muito além do setor cafeeiro, no qual nossa cooperação é antiga.
O presidente Uribe e eu estamos convencidos disso. É exatamente por isso que estamos aqui.
Ontem, o presidente Uribe, logo após chegar a São Paulo, encontrou-se com grupo representativo de investidores brasileiros, interessados em oportunidades de negócios na Colômbia. Essas são iniciativas que devemos saudar. Considero muito positivo que se incremente o volume de investimentos brasileiros na Colômbia.
É um esforço de grande significado para a integração de nossas economias, no campo bilateral, e da América do Sul, em sentido mais amplo.
Queremos contribuir com ações concretas para que essas iniciativas gerem resultados para fortalecimento de nossos laços.
Na verdade, já é expressiva a presença de investimentos brasileiros na Colômbia, onde estão presentes a Petrobrás, a Odebrecht, a Marcopolo, a Busscar e a Varig, para citar algumas empresas.
A Petrobras, que chegou ao país ainda nos anos 70, é hoje a segunda maior empresa estrangeira do setor de petróleo na Colômbia, o que muito nos orgulha como brasileiros. Produz 40 mil barris diários e faz investimentos próximos a 500 milhões de dólares.
O trabalho desenvolvido por essas empresas, ao longo de anos em meu país, tem sido sinônimo de progresso, de produção e de riqueza.
Estou seguro de que aquelas que agora pensam ingressar na Colômbia muito contribuirão para a prosperidade de seu povo, gerando empregos e elevando os níveis de renda e de bem estar. Esse é o sentido da integração que estamos sabendo construir.
Este movimento de antigos e novos investidores brasileiros no mercado colombiano aumenta as perspectivas do crescimento do fluxo comercial.
Seus efeitos positivos se somarão aos do acordo de livre comércio entre a Comunidade Andina de Nações e o Mercosul. A construção de uma infra-estrutura comum e uma forte integração econômico-comercial são os alicerces para realizarmos nosso sonho de uma Comunidade de Nações Sul-americana, um Continente mais integrado, mais próspero e mais unido.
Esse projeto é parte de um esforço mais amplo de ampliação da presença dos produtos dos países em desenvolvimento no comércio internacional.
Precisamos construir uma nova geografia econômica e comercial dos países em desenvolvimento. Na verdade, essa “nova geografia” já está sendo conformada com o extraordinário aumento do fluxo comercial entre países em desenvolvimento nos últimos anos.
Precisamos, isto sim, ampará-la e promovê-la. A “nova geografia” é nossa resposta às oportunidades abertas pela aceleração dos fluxos de comércio e investimentos decorrentes da globalização. Ela não significa substituir fluxos tradicionais de intercâmbio Norte-Sul. Queremos, sim, criar novas oportunidades e encorajar parcerias que explorem as complementaridades entre as economias do Sul.
Por tudo isso, meu caro presidente Uribe, estou convencido de que a rodada de negócios que estamos abrindo aqui em São Paulo, cidade cosmopolita, símbolo da produção industrial no Brasil, é um passo de grande importância para nossas relações.
Convido os presentes a juntarem-se aos esforços em favor da nossa aproximação.
Desejo a todos os participantes desta rodada muito êxito e que seu trabalho se reverta em maior prosperidade para o Brasil e a Colômbia, com benefícios palpáveis à população dos dois países.
Eu quero, meu caro amigo presidente Uribe, empresários da Colômbia, empresários do Brasil, dizer a vocês que no que depender do governo brasileiro, no que depender das instituições de financiamento do Brasil, nós iremos fazer todo o esforço que estiver ao nosso alcance para que a gente possa aumentar essa parceria entre Colômbia e Brasil.
Eu tenho desafiado os empresários brasileiros a não terem medo de virarem empresários multinacionais. E o mesmo vale para os empresários da Colômbia.
Nós precisamos explorar, nos nossos países e nos países vizinhos, todas as oportunidades de investimentos que pudermos fazer, porque se não fizermos isso, nós correremos o risco de atravessar mais um século vendo a América do Sul ser um Continente ainda em vias de desenvolvimento.
Eu penso que o que estamos fazendo neste momento, aqui em São Paulo, com esta reunião, é um passo a mais na política de integração que tanto sonhamos para a América do Sul. Uma integração do ponto de vista cultural, uma integração do ponto de vista político, uma integração do ponto de vista industrial, uma integração do ponto de vista econômico e comercial, uma integração, enfim, que possa fazer com que todos nós nos sintamos numa única pátria, estando na América do Sul.
O Brasil pode e deve contribuir para que os países mais necessitados tenham, no Brasil, o financiamento necessário. Nós sabemos quais as necessidades de cada país. Todos vocês sabem que o Brasil também é um país com problemas muito sérios no campo social, e ainda temos muito o que fazer para resolver os nossos problemas internos. Mas todo mundo também sabe que resolver os nossos problemas internos significa contribuir para ajudar a resolver problemas em outros países.
E eu acho que a recíproca é verdadeira, se analisarmos a quantidade de empresários colombianos que estão aqui. Nós estamos, no fundo, no fundo, convencidos de que os gestos que estamos fazendo em São Paulo, hoje, ou os gestos que fizemos quando propusemos a integração da América do Sul, ou os gestos que fizemos quando propusemos a integração da Comunidade Andina com o Mercosul são gestos que, em menos de 18 meses, estão se tornando políticas concretas, em coisas práticas que darão ao nosso povo mais otimismo e mais certeza de que a integração é uma coisa definitiva a ser buscada por nós, que estamos governando o Brasil e a Colômbia, neste momento.
Quero agradecer presidente Uribe pelo carinho da sua relação com o Brasil. Quero agradecer a participação dos empresários colombianos neste evento e, também, agradecer a participação dos empresários brasileiros.
O que nós acreditamos é que, a partir deste evento, vocês possam se conhecer melhor, vocês possam descobrir as oportunidades de investimentos, aqui e na Colômbia, vocês possam discutir as políticas de complementaridade entre o Brasil e a Colômbia, para que a gente possa, ajudar uns aos outros. É essa política que vai determinar uma nova “geografia comercial” no mundo.
Cada um dos nossos países tem uma relação privilegiada com a União Européia e tem uma relação privilegiada com os Estados Unidos que, no caso do Brasil, é o maior parceiro comercial individual. Nós queremos mantê-la e queremos aperfeiçoá-la. Mas, ao mesmo tempo, nós precisamos procurar novos parceiros, nós precisamos procurar aqueles que, como nós, têm muito a receber de nós e muito a dar, em função dos nossos interesses. Por isso é que nós resolvemos trabalhar fortemente a integração da América do Sul.
É por isso que, em fevereiro ou em abril, vamos ter um grande evento no Brasil entre todos os chefes de Estado do mundo árabe e com todos os presidentes dos países da América do Sul. Possivelmente, se esse encontro tiver o sucesso que eu espero que tenha, quem sabe vai se tornar um hábito fazer reuniões de chefes de Estado de outro Continente com a América do Sul, para que eles descubram definitivamente que nós, o presidente Uribe e eu, não vamos jogar fora a oportunidade que o povo nos deu de dirigir os nossos países tentando construir, em poucos anos, a base de desenvolvimento que nós, durante tantos e tantos anos, deixamos de aproveitar.
Boa sorte aos empresários brasileiros e colombianos. Meu caro presidente Uribe, muito obrigado pela sua presença no Brasil. Eu tenho certeza que esse é um passo concreto, uma demonstração viva de que quando nós falamos em integração, não é apenas retórica, mas é um discurso recheado de ações concretas, como este evento que estamos realizando aqui.
Boa sorte.

22/06/2004



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