Meu caro João Paulo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados,
Meu caro Roberto Rodrigues, ministro de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,
Meu caro Antonio Palocci, ministro de Estado da Fazenda,
Meu caro Miguel Rossetto, ministro de Estado do Desenvolvimento Agrário,
Meus companheiros deputados Arlindo Chinaglia, professor Luizinho, Luiz Eduardo Greenhalgh, Cláudio Vignati, Neide Aparecida, José Mentor, Odacir Zonta, Geraldo Tadeu, Zequinha Sarney, Virgílio Guimarães, Paes Landim,
Meu querido Cássio Casseb, presidente do Banco do Brasil,
Meus amigos e minhas amigas.
Eu acredito que depois da exposição do Wedekin e do entusiasmo mostrado pelo nosso ministro Roberto Rodrigues, nós deveríamos sair daqui com a convicção de que o que está acontecendo na agricultura brasileira, meu querido Clayton, presidente da Embrapa, é uma elevação do grau de conhecimento que nós estamos tendo sobre os nossos problemas e colhendo os investimentos que foram feitos em pesquisa neste país, para que a gente superasse alguns problemas que nos tiravam vantagens comparativas nas disputas com outros países produtores agrícolas.
Eu digo sempre que o Brasil é um país abençoado, porque Deus nos deu a vantagem comparativa, esse solo extraordinário, com uma extensão territorial fantástica, sem as intempéries que acontecem na maioria de outros países. Nós não temos vulcão, não temos maremoto, não temos vendaval, como tem em outros países, não temos neve, como tem em outros países, ou seja, nós temos todas as condições que a natureza nos deu como vantagem comparativa. O que era preciso, na verdade, era a gente fazer a nossa parte. Deus fez a parte dele, os portugueses fizeram a parte deles quando demarcaram tão bem o nosso país, e durante muitos anos ficamos esperando que nós fizéssemos a nossa parte, que o Banco do Brasil fizesse a sua parte, que o Ministro da Fazenda fizesse a sua parte, que a Câmara dos Deputados fizesse a sua parte, que o Ministro da Agricultura fizesse a sua parte, que os empresários fizessem a sua parte, e isso, graças a Deus, está sendo feito.
Eu penso que o crescimento do volume de recursos que nós estamos colocando na safra para 2004/2005, possivelmente, não seja tudo aquilo que vocês queriam, e é bom que seja assim, porque quando tiver dinheiro demais, vocês também começarão a gastar demais e, muitas vezes, não gastar nas coisas mais necessárias. É importante que o cobertor, de vez em quando, não dê para cobrir corretamente, para que a gente saiba cobrir os lugares mais necessários para enfrentar o frio.
Eu penso que, hoje, o Brasil está conquistando vantagens comparativas em setores onde estávamos atrasados. Por exemplo, nós, hoje, somos um país competitivo na área tecnológica, com muitos outros países do mundo. Isso é uma coisa que ninguém pode negar e o resultado da nossa balança comercial demonstra isso.
Da mesma forma que o Moderfrota, que foi criado há uns anos atrás, deu uma alavancagem extraordinária. Primeiro, na indústria que produz máquinas agrícolas; segundo, eu penso que o financiamento permitiu que houvesse uma demanda extraordinária. E é exatamente por conta dessa demanda que eu acho que os empresários que produzem precisam tomar muito cuidado com o aumento, porque senão, nós fazemos um benefício, e esse benefício termina não contemplando totalmente, porque muita gente pode querer ganhar tudo num ano só, e é preciso ganhar ao longo do tempo.
Eu sei que está aumentando muito os produtos, sobretudo o aço, mas é importante que a gente tenha muito cuidado, porque nós precisamos ganhar pela nossa capacidade produtiva, pelo aumento de oferta e, sobretudo, pelo aumento da demanda. E quanto mais fácil, mais demanda haverá neste país.
Eu acho que essas vantagens que nós tivemos permitiram que o Brasil, hoje, pudesse olhar para o mundo sem precisar se sentir pequeno ou país de Terceiro Mundo. Pelo menos na agricultura, nós estamos no Primeiro Mundo, não estamos em outro mundo porque ainda não inventaram um melhor do que o primeiro, senão nós estaríamos lá.
A tendência natural é melhorar. Vocês perceberam que os instrumentos de financiamento que foram anunciados têm como objetivo melhorar. Certamente, o Banco do Brasil vai ser mais ágil na liberação dos recursos, nós vamos trabalhar para que o Banco do Brasil cumpra mais agilmente, mais do que já cumpriu este ano, com a liberação dos recursos.
Vocês perceberam que o Palocci, cada vez que conversa com o Roberto Rodrigues, o Roberto consegue amolecer um pouco o Palocci e o dinheiro vai fluindo, não tanto quanto o Roberto desejaria, mas também não tanto quanto o Palocci gostaria, mas a gente vai equilibrando essas coisas.
De forma, meu querido Roberto, que eu estou satisfeito porque algumas coisas que são pequenas, muitas vezes, têm um resultado extraordinário. Eu me lembro da viagem à Índia e da questão dos embriões para renovação do nosso rebanho bovino, uma coisa que jamais poderia ter sido paralisada; de 1964 até este ano, estava praticamente proibido importar embriões da Índia, porque tinha uma Lei que proibia, feita no governo Castelo Branco. Hoje, isso está superado, eu penso que a gente teve um ganho extraordinário.
Eu não preciso dizer para vocês o que isso significa para o Brasil, mas nós vamos continuar trabalhando e eu quero dizer a vocês que um setor que tem um ministro da qualidade do Roberto Rodrigues não tem porque se queixar. Pode até não ter tudo o que queriam ter mas, certamente, eu acho que poucos na história da República Federativa do Brasil tiveram um ministro nessa área, sem desmerecimento dos outros que já passaram por aqui, tão competente e tão compromissado com o setor, como nós temos o companheiro.
Eu espero que esses elogios fortaleçam o Roberto Rodrigues na hora de negociar com a Fazenda.
Este é o segundo Plano Safra do meu governo. E estamos mais do que felizes porque os objetivos do primeiro Plano foram plenamente alcançados, como explicou ali o nosso companheiro Wedekin.
Tenho certeza de que caminhamos no rumo certo. Alcançamos, em 2003-2004, uma produção de 120 milhões de toneladas, com um aumento de cerca de 3 milhões de hectares na área plantada.
Na pecuária, a produção de carne bovina também cresceu, atingindo 7 milhões e 600 mil toneladas. Hoje, o Brasil tem o privilégio de ser o maior exportador de carne do mundo. O setor avícola mostra, igualmente, um desempenho notável, chegando a 7 milhões e 700 mil toneladas. Não é à toa que o Furlan vive rindo à toa, porque o setor avícola também cresceu de forma extraordinária.
Nós todos aqui sabemos da força do nosso país no campo. O Brasil é o líder mundial na comercialização externa de diversos produtos agropecuários, café, suco de laranja, açúcar, soja, carne e aves e, quem sabe, se ganharmos a briga do algodão, poderemos logo, logo, também ser o primeiro colocado na venda de algodão; e se tudo acontecer como estamos pensando, quem sabe, logo, também estaremos exportando etanol para este mundo todo ficar menos poluído do que é hoje.
Se tudo der certo, Roberto, nós também seremos, ainda, um grande exportador de biodiesel para ver se nós despoluímos um pouco o Planeta.
Em 2003, exportamos no setor 30 bilhões e 600 milhões de dólares, obtendo um extraordinário superávit de 25 bilhões e 800 milhões, ou seja, 27% a mais do que o saldo apurado no ano anterior.
Agora, temos um desafio ainda maior pela frente: fazer com que o Brasil continue aumentando sua safra e conquistando novos patamares na geração de alimentos e na exportação do agronegócio.
Apesar das dificuldades de recursos do país, o governo vai garantir para o novo Plano Safra – somando agronegócio e agricultura familiar – um volume de crédito rural de R$ 46 bilhões e 450 milhões de reais, ou seja, 43% a mais do que o destinado no período anterior.
Estamos expandindo o crédito de custeio e comercialização e vamos promover um aumento ainda mais expressivo em recursos para investimento.
Além disso, no Moderfrota, que tem por finalidade a renovação da frota de tratores e colheitadeiras, o total de recursos, como disse o Wedekin, pula dos humildes 2 bilhões de reais, em 2003-2004, para 5 bilhões e 500 milhões de reais, em 2004-2005.
Idêntico esforço nós estamos dedicando à expansão da agricultura familiar, cujo Plano Safra estaremos lançando, aqui, no dia 28 deste mês.
Há muito tempo o governo não destina tantos recursos para investimento no campo com estamos fazendo nestes dois últimos anos. Essa é uma vitória da qual todos nós devemos nos orgulhar. Nós estamos conseguindo fazer crescer, e muito, as nossas duas agriculturas, a do agronegócio e a familiar, ambas indispensáveis e complementares ao desenvolvimento do Brasil, gerando cada vez mais trabalho, renda e riqueza.
Meus companheiros e minhas companheiras,
Meus amigos e minhas amigas,
O ministro Roberto Rodrigues já detalhou as principais inovações introduzidas neste Plano Safra, voltadas para ampliar o crédito ao agronegócio e aprimorar os instrumentos tradicionais de apoio à comercialização e garantia de renda.
Quero chamar a atenção para aspectos que mostram, claramente, como a agricultura e a pecuária têm impulsionado a nossa economia.
O uso intensivo de tecnologia tem multiplicado a produtividade rural e elevado a qualidade de nossas mercadorias.
Estamos conquistando novos mercados para nossas exportações, apesar do protecionismo e das barreiras tarifárias e não-tarifárias, injustamente erguidas pelos países desenvolvidos contra os produtos brasileiros e de outros países em desenvolvimento.
E já estamos colhendo os frutos da intensificação do intercâmbio comercial tanto com os países em desenvolvimento, quanto em relação aos países ricos.
Os negócios que foram feitos durante a nossa recente viagem à China se somaram aos que já tínhamos obtido na visita à Índia, ao Oriente Médio, à África e à América Latina, sem falar daqueles que realizamos nos Estados Unidos e na Europa, nestes quase 18 meses de governo.
Temos atuado de modo sereno, mas firme, para garantir acesso cada vez maior aos mercados e vender muito mais os nossos produtos, alcançando resultados importantes.
Um bom exemplo é o da recente vitória na OMC – que, me parece, está sendo julgada hoje, e vamos torcer aqui, como se estivéssemos esperando uma final de Copa – hoje consolidada em relação aos subsídios dos Estados Unidos à produção de algodão, o que deverá repercutir em outros segmentos do comércio mundial.
A nossa agricultura é muito competitiva e continuaremos fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para aumentar mais ainda a sua extraordinária contribuição ao povo brasileiro.
Meus amigos e minhas amigas,
Quando o Roberto Rodrigues me falou da briga na OMC, que os nossos produtores de algodão também resolveram fazer, e nós obtemos uma vitória dessas, é importante saber a contribuição que o Brasil está dando, não apenas aos nossos produtores internos, mas ajudando outros países que não teriam condições de brigar na Organização Mundial do Comércio – países africanos, sobretudo, muitos deles têm na exportação de 180 milhões de dólares, 190 milhões de dólares de algodão, a sua maior receita para a economia daqueles países.
Eu penso que o Brasil vem conquistando isso porque houve uma definição de estratégia política com relação à nossa ação externa, de não ficar esperando as pessoas nos descobrirem. Nós já fomos descobertos há quinhentos anos. Agora, nós é que temos que sair pelo mundo vendendo aquilo que nós temos ao mundo. Foi com esse objetivo que nós fizemos, nestes 18 meses, viagens para todos os países que nós considerávamos os mais importantes e que poderiam se transformar em novos mercados para o Brasil. Sem falar dos Estados Unidos, que é o nosso principal parceiro comercial, ou da União Européia, que estão aí numa relação comercial de mais ou menos 26%, cada um. Mas era preciso tentar procurar novos mercados, sobretudo, com aqueles países em que pudéssemos adotar políticas de complementaridade, ou seja, o que nós temos que aquele país não tem, o que eles têm que nós não temos, o que ele produz que nós não produzimos, para que possamos estabelecer uma relação comercial, é verdade, mas também uma relação que leve em conta a afinidade política, a afinidade cultural e, sobretudo, a consolidação de um novo bloco de negociação neste país.
O Roberto Rodrigues e o Furlan sabem o carinho que eu tenho por eles, pela sua dedicação. O Celso Amorim também sabe, pelo esforço que eles fazem. Eu nunca vi, não sei se na história do Brasil teve ministros que se dedicaram tanto a vender a boa imagem do Brasil lá fora como esse tripé, Roberto Rodrigues-Furlan-Celso Amorim, cada um na sua função.
Qual é a coisa importante, o resultado que nós estamos colhendo? Vocês, que são homens de negócios, sabem que não existe na relação negocial nenhum interlocutor que respeite o outro se ele ficar de cabeça baixa, ninguém respeita quem anda de cabeça baixa. Ninguém respeita quem não se respeita e o que nós estamos fazendo não é uma política de afronta contra qualquer país do mundo, contra qualquer competidor. O que nós estamos fazendo é, pura e simplesmente, fazer com que sejamos respeitados por aquilo que nós somos e estamos nos apresentando ao mundo como interlocutor capaz de criar uma nova geografia comercial no mundo.
E por que isso? Porque a geografia comercial entre Brasil e Estados Unidos e Brasil e União Européia, como já é muito grande, quanto mais cresce, mais vai ficando limitado o nosso campo de ação e eles têm problemas políticos enormes com os seus produtores agrícolas.
A França não muda o subsídio, não é porque o Chirac não gosta de nós, ele não muda porque ele gosta mais dos produtores agrícolas dele, que têm um poder de pressão política muito grande. Da mesma forma, o governo americano, qualquer que seja ele, democrata ou republicano. Eles têm que ter uma política especial porque os agricultores têm um peso, não só na economia mas um peso político.
Eles estão cada vez mais limitados na nossa relação, então nós precisamos procurar outros parceiros. Se vocês forem na minha sala, vão perceber que tem um mapa mundi muito grande, onde nós temos que procurar o seguinte: onde é que nós não fomos ainda? Onde é que nós não estamos vendendo? Onde é que nós estamos vendendo menos do que deveríamos vender? Onde é que nós não estamos comprando?
Também tem uma coisa: se depender do Roberto Rodrigues e do Furlan, eles só querem vender, eles não querem comprar. Eu tenho dito que em política comercial, a gente tem que vender um pouco e comprar um pouco, porque não existe isso de só querer ter superávit, de vez em quando você tem que ter um déficit com algum país, para poder justificar o ganho com o outro.
Eu acho que nós estamos colhendo o que nós plantamos. Ontem, eu recebi, Palocci, um informe do Furlan, de que a Tex montou um grupo de trabalho que está na China, o grupo viajou depois da nossa vinda da China e, ontem, eles já tinha fechado negócios de 350 milhões de dólares com os empresários da China.
Então, qual é a novidade que nós estamos fazendo? Nós não ficaremos sentados no nosso gabinete esperando que alguém venha atrás de nós, nós temos que sair pelo mundo, há espaço a ser conquistado, há espaço em mercados extraordinários a serem conquistados e o Brasil só vai conquistar se os nossos empresários forem ousados, se os nossos ministros forem ousados, se o nosso governo for ousado, se a nossas empresas de pesquisa forem ousadas e saírem pelo mundo vendendo aquilo que nós temos de mais sagrado, que é a nossa capacidade competitiva, que é a nossa capacidade de produzir e, sobretudo, com avanço tecnológico, com a qualidade dos produtos que nós conseguimos tirar no campo.
Por isso, eu estou feliz neste dia de hoje, porque nós não estamos apenas anunciando uma coisa mirabolante que a gente vai ver num futuro longínquo; nós estamos, aqui, felizes porque já colhemos este ano o que plantamos no ano passado e, certamente, estamos plantando mais este ano porque queremos colher mais, no ano que vem.
Ainda falta um pequeno componente para nós, que também é apenas uma questão de tempo, que é colocarmos mais valor agregado nos produtos que nós produzimos. Nós precisamos aprender a ganhar mais dinheiro e por isso, vai ser preciso mais investimento, mais tecnologia e mais industrialização, para que a gente possa, definitivamente, não mais ser visto como um país em desenvolvimento, mas como um país desenvolvido que não exporta apenas produtos in-natura, que exporta minérios, que exporta produtos agrícolas; nós vamos, quem sabe, se a Embrapa nos ajudar, ser exportadores de conhecimento, porque aí sim, nós estaremos consagrados enquanto nação desenvolvida.
Meus parabéns Roberto, meus parabéns a todos vocês e vamos pedir a Deus que nos ajude com o tempo, para que a gente possa colher muito mais do que colhemos este ano.
Obrigado, e boa sorte.

18/06/2004



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