Luís Fara Monteiro: Alô amigos, em todo o Brasil. Eu sou Luís Fara Monteiro e está começando mais uma edição do “Café com o Presidente”, o programa de rádio do presidente Lula.
Esta é uma edição especial, gravada na cidade de Xangai, na China.
Tudo bem, Presidente?
Presidente: Tudo bem, Luís.
Luís Fara Monteiro: Presidente, o senhor está encerrando esta viagem de vários dias à China. Que balanço o senhor faz dessa incursão do Brasil ao Oriente?
Presidente: O balanço que eu faço é o mais positivo que um governante pode fazer de uma viagem internacional. Quando nós saímos do Brasil, estávamos convencidos que pelo interesse dos empresários chineses e pelo interesse dos empresários brasileiros, essa viagem seria de total sucesso.
E por que de total sucesso? Primeiro, porque há interesse do governo chinês em transformar o Brasil num parceiro estratégico. Segundo, porque há interesse nosso, do governo brasileiro, de transformar a China num parceiro estratégico.
Ora, havendo a vontade dos dois governos, fica mais fácil trabalhar com os empresários e convencê-los a fazer parceria com empresários chineses.
Nós não queremos apenas uma política de comércio, de compra e venda, o que nós queremos na verdade é uma política chamada de complementariedade, ou seja, o Brasil produz coisas que a China não produz e a China produz coisas que o Brasil não produz.
A China tem mais tecnologia em algumas coisas e o Brasil tem mais tecnologia em outras. O que nós queremos é que as empresas chinesas e as empresas brasileiras se juntem para que possamos produzir o que o Brasil precisa no Brasil e o que a China precisa aqui na China, como está fazendo a Embraer, montando uma empresa para produzir avião aqui, em parceria com a China, ou como está fazendo a Companhia Vale do Rio Doce com a Baosteel, um acordo para produzir e construir uma nova siderúrgica no Brasil.
É esse tipo de negócio que eu acredito que seja fundamental. Eu, Luís, sou até suspeito porque o otimismo que eu vi nos empresários chineses e o otimismo que eu vi nesses quatro dias nos empresários brasileiros, me levam a concluir que nós demos um passo extraordinário para que o Brasil faça grandes e bons negócios com a China.
Eu volto para o Brasil convencido de que essa foi a viagem mais exitosa que nós fizemos. Existe um campo excepcional para que os empresários brasileiros da indústria, do comércio, do agronegócio façam bons acordos com a China e que os chineses façam bons acordos com os brasileiros.
Por isso eu saio da China muito satisfeito; saio da China orgulhoso de ver que o meu país, ver que o meu Brasil está dando passos importantes para aumentar o seu crescimento econômico, para aumentar a sua capacidade produtiva e para melhorar ainda mais a nossa balança comercial.
Luís Fara Monteiro: O senhor citou a Embraer, a Vale do Rio Doce, Baosteel. Que outros setores, Presidente, têm potencial de fazer grandes negócios, ainda, na China? Vai ter também uma feira, aqui, a Expo Brasil-China, mostrando mais produtos brasileiros. O senhor está otimista quanto a esses negócios futuros?
Presidente: Eu estou otimista, porque comércio exterior é exatamente isso. Nós não podemos ficar no Brasil esperando que as pessoas apareçam para nos descobrir. Nós é que temos que viajar o mundo para mostrarmos como nós somos e o que produzimos.
Nós, por exemplo, só para você ter idéia, poderemos ter várias parcerias na área de software, da mesma forma que os chineses estão ajudando o Brasil no lançamento de satélites, nós podemos ajudá-los na construção de aviões como estamos fazendo aqui.
Mas no Brasil, quando a Petrobrás monta um escritório seu aqui e faz uma parceria com a Sinopec, a empresa de petróleo chinesa, na perspectiva de procurar petróleo em outras terras, em outros mares, é uma demonstração de que nós estamos acreditando nessa parceria de verdade, achamos que poderemos fazer grandes negócios.
O Brasil pode vender carne para a China, o Brasil pode vender açúcar para a China, o Brasil pode vender café para a China, o Brasil pode vender etanol para a China, o Brasil pode vender máquinas, pode vender carros, pode vender ônibus, ou seja, tem um monte de coisas que o Brasil pode adentrar ao mercado chinês e eu senti nos empresários chineses uma disposição extraordinária, de forma que eu penso que um dia você deveria entrevistar os empresários que participaram dessa delegação para perceber o otimismo dos empresários.
Luís Fara Monteiro: Traduzindo para o nosso ouvinte, para o trabalhador brasileiro, Presidente, o que essa viagem pode render diretamente a esse público específico?
Presidente: Essa viagem, certamente, vai render mais possibilidade de parcerias empresariais, conseqüentemente, mais geração de empregos; vai render mais exportação do Brasil, conseqüentemente, mais produção dentro do Brasil; conseqüentemente, mais empregos e mais salários e é para isso que nós estamos viajando, para dinamizar a economia brasileira, para gerar empregos, para gerar riqueza, porque esse é o nosso objetivo: é fazer a economia brasileira crescer e gerar os empregos e distribuir renda.
A economia brasileira ficou 20 anos estagnada. Nós estamos a apenas um ano e meio no governo, ainda não fizemos tudo o que nós queremos fazer, mas podem ficar certos que nós vamos fazer muito mais do que a gente se comprometeu a fazer, porque há espaço para isso. Nós temos disposição política, o povo brasileiro precisa disso e eu acho que o mundo, hoje, está vendo o Brasil com olhos diferentes.
Luís Fara Monteiro: Obrigado, Presidente. Até o nosso próximo encontro.
Presidente: Obrigado a você, Luís.
Luís Fara Monteiro: Este foi o “Café com o Presidente” especial, gravado em Xangai durante a viagem do presidente Lula à China. Nós voltamos em duas semanas com mais uma edição e você pode acessar o nosso programa na internet: www.radiobras.gov.br

31/05/2004



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