Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de embarque das tropas militares para missão de paz no Haiti – Base Aérea de Brasília, 31/05/2004

Excelentíssimo senhor José Alencar, vice-presidente da República e sua esposa, dona Mariza,
Meu caro embaixador José Viegas Filho, ministro da Defesa,
Meu caro embaixador Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores,
Meu caro Agnelo Queiroz, ministro dos Esportes,
Meu caro Waldir Pires, controlador-geral da União,
Meu caro general Jorge Armando Félix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional,
Meu caro Álvaro Costa, advogado-geral da União,
Minha querida companheira Marisa,
Almirante-de-esquadra Roberto de Guimarães Carvalho, comandante da Marinha,
General de Exército Francisco Roberto de Albuquerque, comandante do Exército, e senhora Marina Antonina Teixeira Pinto de Albuquerque,
Tenente brigadeiro-do-ar Luiz Carlos da Silva Bueno, comandante da Aeronáutica, e senhora Sônia Maria Martins Bueno,
Meus caros deputados,
Deputado Luizinho,
Deputado Arlindo Chinaglia,
Paulo Delgado,
Ricardo Zaratini,
Deputado Francisco Rodrigues,
Senhores oficiais-generais,
General Américo Salvador de Oliveira,
Dom Geraldo Ávila, arcebispo militar,
Senhores integrantes da brigada do Haiti,
Militares da Marinha, Exército e Força Aérea Brasileira que embarcam para essa missão de paz das Nações Unidas,
Meus amigos e minhas amigas, familiares dos integrantes da brigada do Haiti,
Meus amigos e minhas amigas que vieram a essa solenidade,

É com sentimentos elevados que venho me despedir de parte do contingente brasileiro que vai participar da missão de paz das Nações Unidas no Haiti.
Trago a mensagem de apoio e confiança a todos o senhores e peço-lhes que a transmitam aos que já partiram do Rio de Janeiro, no navio da Marinha do Brasil.
O Brasil sente grande orgulho pelo convite que lhe foi feito para acomodar a missão de paz no Haiti.
A comunidade internacional reconheceu a capacidade e a vontade de nosso país de dar a sua contribuição para a paz no mundo. Também tenho orgulho e satisfação de ver que nossas Forças Armadas estão preparadas e dispostas a ajudar um país irmão.
O Haiti é o terceiro país com a maior população negra nas Américas. O Brasil compartilha dessa herança africana e não poderia ficar indiferente diante dos problemas que o povo haitiano está enfrentando.
A paz e a democracia são conquistas das quais os governos e os povos latino-americanos devem orgulhar-se. Isso nos estimula a trabalhar pela promoção da paz em nível global. A instabilidade, ainda que longínqua, acaba gerando custos para todos nós. A manutenção da paz tem seu preço, e esse preço é o da participação.
Ao nos manifestarmos diante de uma crise como a que está acontecendo no Haiti, estamos exercendo nossa responsabilidade no cenário internacional. No caso do Haiti, consideramos que foram preenchidas as condições para uma operação da ONU. Como membro do Conselho de Segurança, o Brasil buscou refletir as preocupações de nossa região e interpretar os interesses do povo haitiano e da comunidade internacional.
Por esta razão, decidimos também aceitar o comando da operação de paz estabelecida pelo Conselho de Segurança que terá, entre outras tarefas, a responsabilidade de proteger civis sob ameaça, de apoiar instituições que defendam os direitos humanos, de promover a reconciliação nacional do Haiti. São desafios importantes, mas não nos intimidam.
A coragem, o sentido de dever e solidariedade e o elevado profissionalismo de nossas Forças Armadas, os preparam para enfrentar os árduos trabalhos que os esperam.
O mandato que, legitimamente, nos confere a sociedade internacional coincide com as causas que, no Brasil, defendemos.
Nosso compromisso com a paz e o desenvolvimento de um país irmão também foi bem traduzido pelo Congresso Nacional, que reconheceu a importância desse momento ao aprovar o envio de tropas brasileiras para o Haiti.
Saúdo a pronta decisão de vários países latino-americanos, sobretudo da América do Sul, de participarem dessa missão. A situação de crise no Haiti vai exigir um compromisso de longo prazo por parte da comunidade internacional em apoio à sua reconstrução econômica e institucional. Nosso objetivo é que os haitianos encontrem, no mais breve prazo, um ambiente propício à consolidação de sua democracia.
Ao longo dos próximos meses, suas famílias e amigos sentirão a distância e a saudade, mas terão também a íntima satisfação de saber que seus esposos e pais, filhos e amigos são parte de uma luta justa. Em mais algum tempo estaremos todos aqui, outra vez, reunidos. Ao seu regresso, trarão consigo a certeza de terem prestado, com honra e dedicação pessoal, a sua contribuição e a sua solidariedade a um povo amigo. Partem com o apoio de toda nossa gente, regressarão com a alegria de cada um de nós.
Meus amigos,
Há 59 anos, nesse mesmo mês de maio, terminava a Segunda Guerra Mundial. Naquele terrível conflito, a Força Expedicionária Brasileira construiu as mais belas páginas da história de nossos homens de armas. Depois disso, nos engajamos sucessivamente em missões de paz com o mesmo ardor, coragem e compromisso de nossos pracinhas. Estamos seguros que cada um de vocês, inspirados em nossas melhores tradições, será capaz de manter alto, em terras haitianas, o nome do Brasil e os valores da paz e da solidariedade que tanto inspiram o nosso povo.
Boa sorte e que Deus os protejam.

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