É com muita satisfação que reencontro meu amigo, o General Emile Lahoud, com quem estive em Beirute, no final do ano passado. Aproveito este momento para recordar a fraternal acolhida que a Delegação brasileira e eu recebemos durante nossa estada no Líbano. Com o mesmo sentimento de amizade e a mesma emoção, o Governo e o povo brasileiro lhe estende sua mais calorosa boa-vinda.
Senhor Presidente,
Durante sua visita ao Brasil, Vossa Excelência terá a oportunidade de constatar o impacto positivo da comunidade de descendentes de libaneses, nos mais variados campos de atividade social. Estes brasileiros fazem parte de uma comunidade energética e empreendedora, que soube conciliar o orgulho que sente por suas origens, com a dedicação patriótica à construção de uma sociedade democrática e plural.
Os libaneses que aqui se estabeleceram e seus descendentes tem prestado contribuição inestimável para o nosso desenvolvimento. Quero manifestar o reconhecimento da Nação pelo muito que fizeram e fazem pelo Brasil.
Com muita luta construímos no Brasil uma democracia plena e conquistamos o ambiente de diversidade e tolerância em que vivemos. No entanto, ainda temos muitos desafios a enfrentar. Os imigrantes libaneses trouxeram para o Brasil sua determinação em trabalhar por uma sociedade justa, onde todos tenham oportunidade para progredir por conta do próprio esforço. É este também o espírito que anima meu Governo. Vamos reduzir as desigualdades sociais, de forma a dar a todos os brasileiros condições de vida dignas.
Com a criação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, poderemos melhor implementar programas, como o Fome Zero e o Bolsa Família, que já estão mudando a vida de milhões de brasileiros.
Ao mesmo tempo, com os sacrifícios do primeiro ano de meu mandato criamos as condições para o crescimento sustentado da economia e a melhoria do nível de emprego e renda de todos os brasileiros.
Posso afirmar que nunca estive tão otimista quanto ao futuro do Brasil.
A construção de uma ordem mais justa e solidária é o que o Brasil defende também no plano internacional. Buscamos a redução das desigualdades entre os povos e o reforço do multilateralismo e do primado do direito internacional sobre o uso da força.
Queremos o fortalecimento das Nações Unidas, por meio de reformas que a tornem mais representativa dos interesses dos povos. Não há outro caminho para garantir maior estabilidade e segurança nas relações internacionais.
Queremos que a paz e o diálogo prevaleçam no lar de nossos parentes e antepassados. No Brasil, onde etnias e confissões convivem em harmonia, estamos convencidos de que a paz é alcançável. Acompanhamos, com grande interesse e preocupação, os acontecimentos no Oriente Médio, em particular na Palestina. A paz entre palestinos e israelenses é uma tarefa de toda a comunidade de nações. Defendemos um papel ativo das Nações Unidas na região e a efetiva aplicação de suas resoluções, enquanto expressão da vontade coletiva internacional.
Apoiamos, com confiança e expectativa, as iniciativas em curso para reaproximar os povos do Oriente Médio por meio do diálogo e do entendimento. Repudiamos a repressão desmesurada nos territórios árabes ocupados bem como todas as formas de violência que alimentam o círculo vicioso de retaliação mútua.
A construção de uma ordem mais justa e solidária passa também pela reforma da geografia comercial internacional. Acreditamos que o G-20 é bom exemplo de como podemos juntar nossas forças em defesa dessa causa.
Foi com a mesma determinação que propusemos a realização da Cúpula América do Sul – Países Árabes, no Brasil. Em dezembro próximo, aqui no Brasil, teremos uma extraordinária oportunidade para enriquecer e dinamizar os laços históricos que unem nossas regiões. Tenho certeza de que a Cúpula será um marco definitivo no estreitamento das relações entre o Mundo Árabe e as nações sul-americanas e servirá também para aumentar o comércio e os fluxos de investimentos, em benefício da prosperidade e desenvolvimento de nossos povos .
Senhor Presidente,
Reitero o que afirmei em Beirute: queremos que o Líbano seja nosso parceiro privilegiado nessa empreitada. A receptividade que encontrei por parte das autoridades libanesas reforça minha profunda confiança no quanto podemos fazer juntos. Nos inspiramos nos laços de sangue e de história que nos unem, mas não nos contentamos com gestos retóricos.
Foi esse o sentido de minha viagem ao Líbano, quando assentamos as bases para relançar nossas relações. A visita, agora, de Vossa Excelência nos permitirá consolidar esses avanços. A Comissão Bilateral de Cooperação de Alto Nível, que deve reunir-se pela primeira vez ainda este ano, em Brasília, tornará permanente esse diálogo. E a linha aérea regular que vamos estabelecer entre nossos países reforça a certeza de que nossas Nações estão unidas por laços indissolúveis de sangue pela vocação – inaugurada no passado por nossos patrícios – de encurtar distâncias e ligar povos.
Sou otimista quanto ao potencial das nossas relações, pois tenho muita fé no futuro do Líbano. Um Líbano forte, livre, democrático e plural, cujo processo de reconstrução é um exemplo da força do seu povo.
É com esse espírito, meu caro Presidente Lahoud, que proponho um brinde à felicidade de Vossa Excelência, sua esposa, a senhora Andrée Amadouny, e à amizade entre nossas nações e ao promissor futuro de nossas relações.
Muito obrigado.

17/02/2004



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