Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de lançamento do Jato Comercial Embraer 190 – São José dos Campos – SP, 09/02/2004

Excelentíssimo senhor Geraldo Alckmin, governador do estado de São Paulo,
Excelentíssimo senhor João Paulo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados,
Diretores da Embraer,
Meu caro Maurício Botelho, presidente da Embraer,
Meu caro Viegas, ministro da Defesa,
Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores,
Antonio Palocci, ministro da Fazenda,
Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome,
Meu caro Furlan, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio,
Meu caro Eduardo Campos, ministro da Ciência e Tecnologia,
Meu caro Jorge Armando Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional,
Senadores Aloísio Mercadante, líder do Governo no Senado; Eduardo Suplicy, Romeu Tuma,
Meus caros deputados federais e estaduais,
Deputadas,
Meus caros companheiros representantes dos trabalhadores Mário Hipólito e Paulo César Lucas, representantes dos trabalhadores no Conselho da Embraer,
Meu caro Tenente-Brigadeiro do Ar, Luís Carlos Silva Bueno, Comandante da Aeronáutica,
Meu caro Carlos Wilson, presidente da Infraero,
Meu caro Emanuel Fernandes, prefeito de São José dos Campos,
Minhas senhoras,
Meus senhores,
Prefeitos, vereadores, jornalistas e empresários participantes deste ato de inauguração do 190 da Embraer.

Eu queria primeiro dizer ao presidente da Embraer que nestes 13 meses de Governo, pelo mundo afora, só não andei de macacão da Embraer, porque o protocolo não permitia. Mas sou testemunha de que o ministro Celso Amorim, o ministro Furlan e outros ministros que me acompanharam nessa viagem trabalham como se fossem garotos-propaganda da Embraer. E trabalham porque acreditam na capacidade tecnológica da Embraer, porque acreditam que temos condições de produzir aviões de melhor qualidade do que os nossos concorrentes. E trabalham porque têm a certeza de que os engenheiros e sobretudo os trabalhadores e as trabalhadoras da Embraer estão qualificados em qualquer parte do mundo.
Se tem uma coisa da qual nós governantes temos que nos orgulhar, é da capacidade dos trabalhadores brasileiros. Eu mesmo trabalhei numa empresa que produzia peças, que competia em qualidade com outros países. E toda vez que chegavam as peças produzidas em outros países, nós trabalhadores tínhamos orgulho de verificar que as nossas tinham melhor qualidade, melhor acabamento, e quem sabe até precisão. Eu não tenho dúvida nenhuma que os trabalhadores e trabalhadoras são privilegiados, do ponto de vista do trabalho, porque eu fico imaginando quantos milhões de brasileiros gostariam de ter a chance de trabalhar nesta empresa e quando visse um avião da Embraer sobrevoando os ares do Brasil ou de outro país qualquer do mundo ele se sentiria muito mais orgulhoso por saber que ali tinha a sua mão e parte da sua inteligência.
Por isso, meus parabéns aos trabalhadores e aos engenheiros da Embraer, meus parabéns à Direção da Embraer pelo nível que nós chegamos na disputa internacional. Eu não tenho dúvida que basta algum tempo para que nós sejamos efetivamente, quem sabe, uma das maiores empresas produtora de avião do mundo. Por isso é motivo de orgulho para a indústria brasileira e para todo o país, o lançamento desse novo avião da Embraer, que revigora nossa capacidade de competir – de igual para igual – nos mais avançados mercados do mundo.
O fato de possuirmos indústrias do porte e da sofisticação da Embraer – que já ocupa a destacada posição de quarto maior fabricante mundial de aviões comerciais – significa que estamos nos afirmando cada vez mais internacionalmente como um país moderno, possuidor de know-how científico e tecnológico.
O Brasil, além de já ser vitorioso como produtor agrícola e exportador de matérias-primas, está conquistando novos mercados e aumentando cada vez mais as exportações de produtos com valor agregado.
Parabéns, portanto, à Embraer, pelos investimentos realizados, pelos empregos gerados e pelos resultados obtidos – e por ser uma das empresas que mais contribuíram para o formidável saldo de 25 bilhões de dólares em nossa balança comercial no ano passado.
Talvez muita gente no nosso país não saiba que a Embraer está há mais de 30 anos no mercado, já produziu cerca de 5 mil e 500 aviões, e tem sido líder de exportações nos últimos anos. Foi a maior exportadora brasileira entre 1999 e 2001, a segunda maior em 2002, e a terceira em 2003.
E possui subsidiárias nos Estados Unidos, França, Austrália, China e Cingapura. Nada menos de 125 companhias aéreas de 30 países utilizam aeronaves produzidas por essa empresa brasileira. Recentemente, é bom lembrar, vendeu 6 jatos “ERJ 145”, de 50 lugares, à China, que aumentou para 11 a sua frota desses aviões.
Além disso, considero importante destacar que a atuação direta da Embraer dinamiza toda uma cadeia produtiva.
Somente a produção em série da família “EMBRAER 170/190” conta com 22 parceiros industriais, dentre os quais empresas de renome internacional, e cerca de 120 pequenas e médias indústrias fornecedoras de peças.
Hoje a empresa possui 12 mil 941 funcionários, quase todos – 12 mil e 86 – trabalhando no Brasil. Com o lançamento do “Embraer 190”, deverão ser gerados, a médio prazo, cerca de mil novos empregos.
Minhas amigas e meus amigos,
Gostaria também de agradecer à EMBRAER por sua decisão de aderir ao Fome Zero. Ela vai contribuir com a doação, anunciada aqui pelo Maurício Botelho, e eu só espero que os passageiros que entrem na Embraer sejam todos bem gordos para que possamos receber muito mais alimentos. A empresa vai utilizar uma fórmula que considero muito original, ou seja, dá a contribuição ao programa em função da quantidade passageiros que conseguirem voar nos seus vôos. E todos nós pretendemos que ela venda neste ano, em que planeja exportar cerca de 160 aeronaves. Deveremos receber algo em torno de 800 toneladas de alimentos, o que é muito significativo, tanto em termos de exportação de aviões, como em termos de doação de gêneros de primeira necessidade.
Tenho salientado que somente com a participação cada vez mais ampla da sociedade seremos capazes de enfrentar e acabar com a fome no nosso país.
E a sociedade está respondendo a esse apelo ético e político de uma forma como nunca se deu antes na História do Brasil.
Um forte e amplo movimento nacional de solidariedade está possibilitando o atendimento emergencial de milhões de pessoas que sofrem com a falta de alimentos e não podem ficar esperando – subnutridas – os resultados das mudanças que estamos realizando na estrutura econômica e social do nosso país.
O governo vai ampliar cada vez mais o número de beneficiados pela transferência de renda do Bolsa-Família e continuar executando programas e ações para combater as causas profundas da fome e da extrema pobreza no nosso país.
Neste ano, a retomada do crescimento econômico e a geração de empregos vão impulsionar – e muito – esse trabalho.
Para isso, os investimentos e a contribuição de empresas como a Embraer são essenciais. Tenho certeza de que as suas exportações este ano serão ainda maiores e que os seus aviões continuarão a pousar e a decolar por este mundo afora, contribuindo de forma significativa para que o Brasil vença os seus grandes desafios.
Muito obrigado.

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