Meu caro amigo Eduardo Duhalde, ex-presidente da Argentina e coordenador do Mercosul
Demais ministros líbios,
Ministros brasileiros,
Governadores de Estado do Brasil,
Deputados federais,
Deputados estaduais
Senadores do Brasil,
Companheiros diplomatas dos dois países,
Empresários aqui presentes,
É, para mim, um grande prazer participar do encerramento deste encontro de negócios.
O seminário dá continuidade ao esforço que iniciamos em julho último, com o envio da primeira missão empresarial brasileira em mais de uma década.
Estou certo de que esse encontro já representa um importante passo no aprofundamento das relações econômicas e comerciais entre Líbia e Brasil.
O grande número de empresários brasileiros que me acompanham nesta visita é símbolo do interesse que os negócios com a Líbia desperta em meu país. Os empresários também percebem o genuíno interesse do meu governo de intensificar os laços com a Líbia nesta nova fase de plena integração desse país na economia mundial.
Os nossos países compartilham a herança cultural, africana e árabe. Enfrentamos o desafio do desenvolvimento e de uma ordem internacional com muito desequilíbrio. Compartilhamos o desejo de participar de um comércio internacional mais justo. Um comércio que não seja distorcido pelo arsenal de medidas protecionistas adotadas por muitos de nossos parceiros no mundo desenvolvido.
Tenho afirmado a importância de os países em desenvolvimento adotarem estreita coordenação das negociações internacionais. Foi o que o Brasil procurou fazer na reunião de Cancun, por meio do G-20, que hoje se afirma como um interlocutor indispensável nas organizações comerciais.
Senhoras e senhores, não temos tempo a perder. O comércio entre o Brasil e a Líbia encontra-se em um patamar muito inferior ao seu potencial. A recente recuperação econômica de nossas economias e o fim das sanções econômicas internacionais, que afetaram o comércio exterior líbio, criam as condições para que o comércio de investimentos bilaterais volte a crescer superando os níveis que alcançamos no passado.
É desejo do meu governo desenvolver, com a Líbia, um relacionamento amplo, produtivo e equilibrado. Desejamos vender nossos bens e serviços. Estamos dispostos também a contribuir para o aumento do acesso dos produtos líbios ao mercado brasileiro.
É do nosso interesse que os fluxos de comércio e de investimentos intensifiquem-se nos dois sentidos, criando vínculos duradouros entre nossos países.
O potencial de nosso relacionamento não se limita às nossas economias domésticas. A Líbia pode ser excelente porta de entrada para o acesso de produtos brasileiros aos mercados do norte da África, da mesma forma que o Brasil pode ser a porta de entrada para os produtos líbios no Mercosul e na América Latina.
Na América do Sul, nos engajamos num ambicioso empreendimento, a construção de um espaço econômico e comercial integrado. O Brasil está implementando, com seus vizinhos, um programa de obras de infra-estrutura física que acelerará a conformação de uma zona de livre comércio no continente sul americano e que oferecerá interessantes oportunidades de investimento.
Para avançarmos, precisamos aumentar o conhecimento mútuo. Nós brasileiros, apesar da nossa herança árabe, ainda temos muito a aprender sobre a cultura local, suas práticas e convenções. O empresário brasileiro que quiser fazer negócios neste país enfrentará a concorrência de empresas locais estrangeiras, sobretudo européias, que atuam neste mercado há muito tempo.
Por isso, será preciso muita persistência, mas estou certo de que o esforço valerá a pena. Teremos de construir nosso relacionamento sobre a base da afinidade entre os nossos povos e do respeito mútuo. A área da construção civil, em que já há contratos assinados ou em fase de negociação, representa apenas uma, entre tantas outras, com grande potencial de desenvolvimento, desde a agricultura e a pecuária até a comercialização de máquinas e equipamentos e até mesmo aeronaves.
Senhoras e senhores, o comércio e os investimentos são formas efetivas de integração entre os países, mas a globalização, sozinha, não é capaz de trazer prosperidade econômica de forma equilibrada, com inclusão social e com geração de empregos.
A lógica econômica da globalização precisa ser complementada com a lógica social, capaz de distribuir renda e eliminar a pobreza. A relação entre o Brasil e a Líbia deve contribuir para aproximar não apenas os povos líbios e brasileiros, mas também os da América do Sul e do mundo Árabe.
Por isso, tomamos a iniciativa de realizar em 2004, no Brasil, uma cúpula de países sul americanos e árabes. Esta será uma grande oportunidade para aproximarmos as duas regiões, sem forçar nossos esquemas de cooperação, melhorar nosso diálogo e criar novas e melhores oportunidades para o relacionamento econômico.
Queremos que os empresários dos dois países, participem ativamente de eventos ligados à cúpula. Esperamos que os contatos mantidos no seminário possam florescer e criar novas oportunidades de negócios em benefício de ambos os países.
Muito obrigado.

10/12/2003



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