Senhor Ali Al-Saidi, ministro da Indústria da República Árabe do Egito,
Presidente Eduardo Duhalde,
Embaixador Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores,
Senhor Luiz Fernando Furlan, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, senhores ministros de Estado, governadores de Estado, senadores e deputados, membros da comitiva que me acompanha na visita ao Egito,
Senhor Gamal Al Nasser, presidente da Associação de Empresários Egípcios,
Embaixadora do Egito no Brasil Shadia Farak,
Senhores empresários,
Senhoras e senhores,
É grande minha satisfação em participar do encerramento deste Encontro Empresarial Brasil-Egito.
Espero que esses dias de trabalho no Cairo abram perspectivas concretas de negócios. O comércio e os investimentos podem ser poderosos veículos para aproximar nossas economias e melhorar as condições de vida de nossos povos.
Brasil e Egito são países de projeção regional e global. Temos muitos interesses comuns.
Nossas ações de governo devem criar condições para inaugurar novos ciclos de desenvolvimento econômico que eliminem as desigualdades sociais.
Existe um potencial de complementariedade entre nossos países a ser explorado. É de nosso mútuo interesse estratégico aproveitar plenamente este potencial. Precisamos identificar parcerias e oportunidades fora dos círculos tradicionais de poder no mundo. Não queremos deixar de lado nossas relações com o mundo desenvolvido. Devemos aprofundá-las.
Mas isso não nos impede de estabelecer laços econômicos e comerciais mais fortes com os países em desenvolvimento. Esse novo movimento exige vontade política para mudarmos padrões a que nos aferramos por muito tempo.
Minha viagem ao Oriente Médio expressa essa vontade política. Venho acompanhado de expressivo grupo de empresários brasileiros, cuja presença na comitiva muito agradeço.
Análises econômicas indicam claramente haver espaço para sensível melhoria entre Brasil e Egito.
Junto aos produtos que tradicionalmente constituem objeto de intercâmbio, como o açúcar e o minério de ferro brasileiro, o algodão e os tapetes egípcios, vemos somar-se, nos últimos tempos, outros setores em nossas trocas bilaterais. São exemplos os campos da agricultura e da irrigação, da fabricação de medicamentos e da aviação civil e militar.
Outros produtos estão sendo progressivamente identificados, como parte do esforço, inclusive, desta missão empresarial.
A realização da reunião da Comissão Mista bilateral em 2004 deverá ampliar o leque de possibilidades.
Este evento permitirá o exame mais detido da variada gama de oportunidades existentes no mercado brasileiro para os exportadores egípcios.
Mas o comércio tem que ser uma via de duas mãos. O Brasil encontra-se aberto e pronto para acolher visitas de delegações comerciais do Egito, que encontrarão em nosso país e nos demais membros do Mercosul boas oportunidades para seus negócios e investimentos.
Temos fortes elos a nos unir. Basta recordar o contingente de dezenas de milhares de brasileiros de origem árabe que atuam nas mais diversas cadeias produtivas.
No agronegócio são grandes as possibilidades de cooperação ao longo de toda a cadeia produtiva: da plantação à comercialização de café, milho, soja, trigo ou produtos de criação animal.
A assinatura de instrumento de cooperação entre o Instituto Brasileiro de Frutas (IBRAF) e a HELA (Associação para o Aperfeiçoamento da Exportação Hortifrutícula) prevê treinamento de agrônomos e transferência de tecnologias entre nossos países.
Há aí ampla margem para aproveitamento de vantagens comparativas brasileiro-egípcias, seja nos mercados internos, seja em terceiros países e regiões, como na Europa e na Ásia.
A abertura a terceiros mercados é um fator capaz de beneficiar todos os interessados em investir no Brasil e no Mercosul. A proximidade de outros mercados sul-americanos e as facilidades proporcionadas pela união aduaneira do Mercosul constituem estímulos aos investimentos em projetos de interesse comum.
Dou destaque à presença, em minha delegação, do ex-presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, hoje à frente da Comissão Permanente de Representantes do Mercosul.
Senhores empresários,
Há avanços nas negociações para lograr uma maior liberalização comercial em toda a região. Negociações com a Índia e África do Sul aproximarão o Mercosul ainda mais de outros importantes mercados.
Estou seguro de que a Cúpula de países da América do Sul e do Mundo Árabe, que pretendemos realizar em 2004, no Brasil, oferecerá oportunidade única para promovermos uma genuína aproximação entre nossas regiões.
Queremos os empresários dessas duas regiões firmemente engajados nessa empreitada. Serão eles, juntamente com nossos governos e a sociedade, que darão vida aos projetos de aproximação que certamente nascerão naquele evento.
Senhoras e senhores,
O Egito é hoje um importante parceiro comercial do Brasil no Oriente Médio. O comércio já atinge cerca de 500 milhões de dólares e tem potencial para aumentar ainda mais. É o país com o qual o Brasil tem registrado o seu maior superávit na região.
Reitero nosso desejo de identificar formas de aumentar as vendas de produtos egípcios no Brasil.
Mas existem outras áreas em que o intercâmbio pode prosperar, como o turismo, em que o potencial, de lado a lado, é enorme.
Temos que fazer um esforço concentrado para alargar a base tradicional do comércio Brasil-Egito. Precisamos acrescentar à pauta outros produtos para dar abrangência e densidade às relações dos dois países.
A criação do Conselho Empresarial Brasil-Egito servirá de instrumento para que encontremos os modos de impulsionar nosso relacionamento econômico. Com esse horizonte, empresários de ambos os países poderão criar parcerias proveitosas.
O governo brasileiro está empenhado em colaborar nessa construção. A própria realização deste encontro evidencia as perspectivas promissoras desta nossa aproximação.
Antes de terminar, não posso deixar de dar uma palavra sobre o sentido desta minha viagem a cinco países árabes. Para além do significado político e afetivo deste reencontro, queremos contribuir para uma mudança efetiva nos padrões de relacionamento econômico-comercial que prevalecem até hoje.
Brasil e Egito têm cooperado em vários organismos internacionais e são duas lideranças importantes no recém-formado G-20, o qual influencia e continuará a influenciar, de maneira positiva, as negociações comerciais da OMC, especialmente no combate aos subsídios agrícolas.
Mas temos que trabalhar juntos com o objetivo de aumentar os fluxos de comércio e investimentos entre os países do Sul, de forma a criar uma nova geografia econômico-comercial do mundo. Uma geografia que não despreze as relações com o mundo desenvolvido, mas que crie um equilíbrio justo de forças, interesses e benefícios para todos.
Estou certo de que contarei com o entusiasmo dos homens e mulheres de empresas do Egito e do Brasil para esta reconstrução.
Muito obrigado.
/mcpro
Observação: por problemas na transmissão do áudio, este texto não contém a parte improvisada do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

08/12/2003



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