Excelentíssimo senhor ministro da Economia, Al Qasimi,
Excelentíssimo senhor presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Dubai,
Ministros brasileiros,
Meus companheiros,
Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim,
Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Furlan,
Ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia,
Ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes,
Nosso querido companheiro, ex-presidente da Argentina e presidente da Comissão de Representantes do Mercosul, Eduardo Duhalde,
Ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Félix,
Meu querido Marconi Perillo, governador do Estado de Goiás, e sua esposa,
Meu querido governador do Ceará, Lúcio Alcântara,
Meu querido governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, e sua esposa,
Minha querida governadora do Rio Grande do Norte, Wilma Faria,
Senador Ramez Tebet e senador Ney Suassuna,
Deputados federais do Brasil, Paulo Pimenta, Ricardo Izar, Nélson Trad, Simon Sessim, Devanir Ribeiro, João Hermann, Vicente Casioni,
Embaixador do Brasil nos Emirados Árabes Unidos, Flávio Sapha,
Presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Paulo Sérgio Atallah,
Presidente da Apex, Juan Quirós,
Meus amigos e minhas amigas, empresários emiráticos,
Companheiros e companheiras, empresários brasileiros,
Meus amigos e minhas amigas do Brasil e do mundo árabe,
É uma satisfação participar da abertura da Semana Brasil nos países árabes e do Encontro de Negócios Brasil-Emirados Árabes Unidos. É, sobretudo, uma honra inaugurar as duas maiores exposições já montadas no mundo árabe dedicadas exclusivamente ao Brasil.
Esses exemplos mostram um pouco do Brasil e põem em evidência as possibilidades que se abrem para a nossa cooperação com os Emirados e com o mundo árabe.
Aqui, os visitantes conhecerão aspectos da cultura e da realidade brasileira. Poderão perceber o quanto temos em comum e o quanto poderemos realizar juntos. Descobrirão que o Brasil é um país cosmopolita, de vocação universal, mas que preserva e valoriza as suas raízes. Vão saber como mais de 10 milhões de brasileiros descendentes de árabes ajudaram a construir um país e a forjar nossa cultura e nossa história.
O número de visitantes e homens de negócios aqui presentes reforça essa minha convicção. É grande o interesse que os Emirados despertam na comunidade empresarial brasileira. São inúmeras as oportunidades que se abrem para o nosso intercâmbio com o mundo árabe.
Essa atração explica o dinamismo de nossas relações comerciais. Com importações anuais de cerca de 700 milhões de dólares, os Emirados já são o principal destino dos produtos brasileiros na região. A rapidez com que o intercambio aumentou nos últimos anos – era de apenas 100 milhões, no começo da década – nos permite sonhar ainda mais alto.
Ainda estamos longe de realizar o enorme potencial que resulta da forte complementaridade entre nossas economias e de nossas posições estratégicas nos respectivos continentes. Os empresários que me acompanham vêem boas perspectivas para elevar ainda mais as nossas exportações de alimentos, açúcar e mobiliário e até mesmo petróleo.
Queremos explorar novas oportunidades de fornecimento de equipamentos brasileiros da mais alta qualificação nos campos da infra-estrutura, dos transportes urbanos e aéreos, além dos sistemas de defesa.
Os Emirados sediam algumas das mais prestigiosas feiras internacionais, são uma verdadeira plataforma para alcançar toda a região. Mas essa deve ser uma via de duas mãos. E por isso estamos empenhados em que nossas trocas possam ser mais equilibradas, por meio da boa cooperação entre as Câmaras de comércio de Abu Dhabi, Dubai e a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira vamos encontrar as respostas para este desafio. Os bons negócios que o Brasil está fazendo nos Emirados resultam, em parte, de uma assídua e crescente participação de empresas, entidades brasileiras em feiras e eventos promocionais. Uma maior presença de autoridades e empresários dos Emirados em exposição em nosso país abrirá oportunidades comerciais para empreendimentos dos Emirados no Brasil.
Conhecemos o grande interesse do presidente Zayed por projetos agrícolas para conquistar o deserto. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa – pode compartilhar sua experiência bem sucedida no plantio de soja em regiões semi-áridas e arroz em área irrigadas. Os Emirados constitui um dos maiores investidores no mercado internacional. Desejamos que parte desses recursos financeiros venha para o Brasil explorar as excelentes possibilidades para estimular o desenvolvimento do parque produtivo e gerar empregos e renda.
A parceria público privada que nosso governo propõe, pode exercer uma forte atração sobre investimentos dessa região. A iniciativa oferece garantias, anuncia boa remuneração e oferece segurança aos capitais produtivos. O Brasil tem hoje uma economia estabilizada, a perspectiva de crescimento sustentável para os próximos anos são excelentes. Estamos avançando na definição de marcos regulatórios claros e confiáveis para investimentos em setores-chaves da nossa economia. Sabemos da importância dos laços de confiança quando se trata de tomar decisões sobre investimentos. Estamos estudando, neste contexto, com todo interesse, a proposta do governo dos Emirados para negociar acordos de invenção de bi-tributação que torne ainda mais atraentes as possibilidades de comércio e investimento entre nossos países.
Senhoras e senhores empresários, o Brasil é mais do que um destino diversificado e dinâmico para bens e invenções estrangeiras. Oferece acesso privilegiado para o Mercosul, o mercado de 220 milhões de habitantes e produto interno bruto superior a um trilhão de dólares, a quarta maior economia do mundo. Quero que o empresário árabe conheça melhor as potencialidades desse bloco econômico. Por essa razão, convidei para participar dessa viagem o ex-presidente da República Argentina Eduardo Duhalde, que assumiu, recentemente, a presidência da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul.
Senhoras e senhores, penso que o Conselho de Cooperação do Golfo, que já dispõe de ampla experiência em iniciativas dessa natureza, seria um parceiro natural para lançarmos esse diálogo. Mas nossas ambições vão mais longe. Estamos fazendo do Mercosul uma poderosa plataforma para alcançarmos as prioridades – primeiras em meu governo – para construção, na América do Sul, de um espaço econômico e comercial integrado que nos una aos países da comunidade andina.
Esses planos ambiciosos de integração jamais atingirão seus objetivos enquanto não tivermos suficiente fonte de energia, meios de comunicação e transportes eficientes entre nossos países. Estamos empenhados na construção e melhoria de obras de infra-estrutura física, tais como os portos, ferrovias, estradas e hidrovias.
Quero convidar os Emirados e os empresários árabes a engajarem-se na obra de construção da infra-estrutura sul-americana. Encontrarão nesse mercado regional, além do Brasil, as vantagens de escala e das potencialidades de um continente em desenvolvimento.
Queremos levar esse esforço de aproximação para todas as áreas de nosso relacionamento. Por essa razão, meu governo propôs um encontro de líderes de países da América do Sul e de países árabes, a realizar-se no ano de 2004, no Brasil. Examinaremos as modalidades de concertação, sobretudo em fóruns internacionais, e assuntos da agenda internacional. Buscaremos, sobretudo, uma cooperação mais intensa nas áreas econômico-comercial, diplomática, científico-tecnológica, social e cultural.
A posição destacada dos Emirados, como centro regional comercial e de prestação de serviços, abre amplas perspectivas em matéria de investimentos, associações empresariais e empreendimentos em terceiros mercados. Foi com o intuito de ajudar a identificar essas oportunidades que o Brasil abriu, no final de 2002, um escritório comercial em Dubai.
Senhoras e senhores,
Para atingirmos essas metas promissoras de expansão do comércio, é fundamental que empresas e governos trabalhem juntos. Por isso, quero registrar a atuação eficiente da Câmara de Comércio de Dubai e da Câmara de Comércio Árabe-Brasileiro para tornar este encontro uma realidade. E quero também agradecer a participação das senhoras e dos senhores empresários.
Meus amigos e minhas amigas,
Durante muitos anos, Brasil e outros países em desenvolvimento se dedicaram quase que exclusivamente a manter relações econômicas e comerciais com o mundo desenvolvido. Por certo, essas relações são importantes e deverão ser ampliadas. Mas não podemos esquecer de nós mesmos. Não podemos subestimar nossa força, nossa capacidade de construir uma nova geografia econômica e comercial do mundo, unindo aqueles que, por longo tempo, viveram de costas uns para os outros.
Esta aproximação dos países em desenvolvimento pode produzir um considerável incremento do nosso intercâmbio recíproco. Pode criar também, como já ficou provado em Cancun, um espaço comum de luta contra os subsídios praticados pelos países ricos e que golpeiam fortemente nossas economias.
Encerro minhas palavras conclamando os empresários árabes e brasileiros, aqui presentes, a seguirem o exemplo de nossos antepassados. O exemplo daqueles que cruzaram o oceano em busca de oportunidades. O exemplo daqueles que, com o seu trabalho, construíram não só suas vidas, mas um país forte e generoso como é o Brasil, mas, sobretudo, foram capazes de forjar uma amizade indestrutível como aquela que une nossos povos.
A todos que compartilham conosco este momento dou boas-vindas. Faço votos de excelentes negócios. E quero considerar aberta a feira Brasil-Emirados Árabes.
Muito obrigado a todos vocês pela presença.

07/12/2003



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