(Transcrição sem revisão)
Bom, como eu brinquei com vocês, eu quero dar os parabéns a todos os fotógrafos, porque hoje é o dia dos fotógrafos. Essa turma de abnegados, que tanto trabalham e que, muitas vezes, irritam tanta gente mas que, se não fossem eles, as pessoas terminariam por não nos conhecer. Eu quero dar os parabéns à categoria de fotógrafos, aos brasileiros e brasileiras, aos chilenos e às chilenas e a todos os fotógrafos do mundo.
Segundo, eu queria dizer para vocês que começo essa declaração condenando, da forma mais veemente que um ser humano pode condenar, o terrorismo, que acaba de praticar mais uma ação no Iraque. E embora não tenhamos todas as informações. Ainda estamos colhendo. As informações não são das melhores. Possivelmente, até o final da entrevista eu possa informar a vocês. O informe que temos, do chefe do gabinete do secretário-geral da ONU é um informe muito delicado, que estamos aguardando a confirmação.
Eu queria cumprimentar o nosso querido companheiro e amigo, presidente do Chile, Ricardo Lagos,
Queria cumprimentar os ministros e as ministras do governo chileno, que estão participando dessa reunião,
Cumprimentar os deputados,
Cumprimentar os ministros e as ministras do Brasil, que estão participando dessa reunião de trabalho,
E cumprimentar os assessores que também participaram dessa reunião,
A visita do presidente Ricardo Lagos é motivo de dupla satisfação para o governo brasileiro. Em primeiro lugar, por oferecer-nos oportunidade de cobrir ampla agenda de trabalho, de discutir projetos concretos de integração com esse parceiro privilegiado, pelo qual todos os brasileiros sentimos um apreço tão especial. Em segundo lugar porque, com a visita do presidente do Chile e após pouco mais de sete meses de governo, tive a oportunidade de receber visitas de praticamente todos os chefes de Estado da América do Sul.
Esses contatos, tão próximos e tão numerosos, serviram para descobrirmos prioridades comuns e anseios compartilhados, e para iniciarmos a execução de projetos de interesse de todos os países. Serviram, também, sobretudo, para nos dar a certeza de que agíamos corretamente, ao sublinhar, desde o dia da minha posse, que a primeira prioridade da política externa brasileira deve ser a integração da América do Sul.
Mas, ainda que isolada desse contexto de construção da unidade sul-americana, uma visita de um presidente chileno é sempre um ato pleno de significado, pelos laços especiais que unem Brasil e Chile. Prova desses laços é que, antes mesmo de tomar posse, fiz questão de ir a Santiago conversar com o presidente Lagos e com membros de sua equipe de governo. Queria, naquela ocasião, lançar as bases para um diálogo maduro e sincero, com um parceiro tão fundamental, de tão fundamental importância para o Brasil, pelos valores democráticos que compartilhamos, pela amizade histórica que caracteriza nossas relações e pela crescente integração entre nossas economias.
Brasil e Chile têm procurado construir um espaço econômico comum, marcado por avanços significativos no aprofundamento do Acordo de Complementação Econômica nº 35.
Queremos fortalecer ainda mais essa integração econômica. E o presidente Lagos e eu trocamos algumas impressões sobre que caminho seguir. E é nosso desejo que esse processo conduza a uma fase ainda mais dinâmica das relações econômico-comerciais entre Chile e Mercosul.
Discutimos também maneiras de aumentar a presença do Chile nos diversos fóruns do que chamamos o “Mercosul político”, sem esquecer que o Brasil deseja intensificar os laços comerciais do Mercosul com o Chile. Vemos com bons olhos essa disposição chilena de dialogar com os membros do bloco sobre temas de agenda multilateral.
Outros assuntos foram discutidos nesse meu encontro com o presidente Lagos e nas reuniões privadas que mantiveram ministros de Estado dos nossos dois governos nesta manhã.
Quero dedicar uma ênfase especial aos temas de integração física. O desenvolvimento de uma infra-estrutura comum de transportes, energia e comunicações é a base para nosso projeto de integração continental. Observamos com satisfação a participação do Chile na iniciativa para integração da infra-estrutura regional da América do Sul.
Um fato curioso, freqüentemente ressaltado, é que, apesar do relacionamento tão próximo que mantêm, Brasil e Chile não têm fronteiras comuns. O processo de construção de verdadeira união sul-americana, sobretudo por meio do desenvolvimento dessa infra-estrutura comum, deve ajudar-nos a encurtar essa distância, facilitando nossa integração que desejamos cada vez maior e mais produtiva.
Chile tem um papel importante no nosso projeto de uma América do Sul integrada. E, pelo diálogo franco que tivemos aqui hoje, sinto que demos um passo bastante significativo na construção desse projeto.
Finalmente, quero assinalar que discutimos muitos temas regionais e globais sobre os quais temos posições muito semelhantes. Apreciamos muito a atitude positiva do Chile em relação à pretensão histórica do Brasil de ser membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Quero terminar dizendo ao presidente Lagos que a relação, o carinho, a fraternidade e a solidariedade que existe entre chilenos e brasileiros penso que não existe com muitos países no mundo. Acho que, muitas vezes, os chilenos se confundem com brasileiros e, muitas vezes, os brasileiros se confundem com chilenos. E isso nos obriga a trabalhar para que a integração seja cada vez mais política, cada vez mais econômica e cada vez mais social.
Por isso, presidente, muito obrigado pela sua presença no Brasil. E espero que tenhamos outros encontros proveitosos como este.
Antes de passar a palavra ao presidente do Chile, as notícias, que não eram boas, que eu falei: já foi comunicado pelas agências internacionais que, no atentado que houve no Iraque, faleceu, foi morto, o brasileiro que está representando as Nações Unidas no Iraque, o embaixador Sérgio Vieira de Mello, que é o representante especial das Nações Unidas.
Com a palavra o presidente Lagos.
PALAVRAS DO PRESIDENTE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, AO FINAL DA DECLARAÇÃO CONJUNTA, DEPOIS DE CONFIRMADA A MORTE DE SÉRGIO VIEIRA DE MELLO, REPRESENTANTE DAS NAÇÕES UNIDAS NO IRAQUE
Queria aproveitar esse momento para enviar as minhas condolências à família do embaixador Sérgio Vieira de Mello e comunicar à imprensa que o governo brasileiro vai decretar luto oficial de três dias.
E queria pedir a vocês um minuto de silêncio, em homenagem ao nosso embaixador, vítima da insanidade do terrorismo.

19/08/2003



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