Excelentíssimo Senhor Néstor Kirchner, Presidente da Argentina,
Senhores Ministros, brasileiros e argentinos,
Jornalistas, brasileiros e argentinos,
É uma honra e uma grande alegria receber, em Brasília, o Presidente da Nação Argentina, Néstor Kirchner, na primeira viagem que faz ao exterior após sua posse, bem como membros de sua destacada equipe de Governo, para essa primeira reunião de trabalho.
Ao longo de nossos mandatos, o Presidente Kirchner e eu vamos conversar e nos encontrar com muita freqüência. Esta, aliás, é a terceira vez em que estamos juntos em pouco mais de um mês.
Estamos, os dois, convencidos de que nos manter em consulta permanente em boa sintonia constituirá a melhor forma de aprofundar o processo de integração bilateral.
Neste nosso encontro, positivo sob todos os aspectos, concordamos que no Mercosul há ainda muito o que fazer, desde regras para compras governamentais até um regime harmonizado para serviços, por exemplo.
Compartilhamos a visão de que o Mercosul é um meio de consolidar o crescimento sustentável da região, com melhores condições de distribuição de renda e de inclusão social, e de fortalecer a presença sul-americana no plano internacional. Consideramos importante, portanto, procurar ampliar o Mercosul, através de uma maior aproximação com o Peru e de acordos com os outros membros da Comunidade Andina.
Estamos dispostos, também, a reforçar as dimensões política e social do Mercosul, estabelecendo instituições que nos ajudem a consolidar o que já alcançamos e a superar os desafios que temos pela frente. Para isso, trocamos idéias sobre o que devemos fazer para assegurar uma participação mais intensa de nossas sociedades nesse processo. Além disso, já estamos trabalhando para a criação, em prazo relativamente breve, de um Parlamento do Mercosul.
O Presidente Kirchner e eu pretendemos valorizar ao máximo as iniciativas que resultem benefício concreto de nossas duas sociedades. Por isso, determinamos a nossos Ministros que examinem as possibilidades de cooperação em políticas públicas na área social e a promoção de parcerias nas áreas educacional, cultural, científica e tecnológica. Vamos continuar a impulsionar o Instituto Social, que já se reuniu duas vezes desde janeiro. Queremos, também, avançar mais nos entendimentos para a livre circulação de pessoas, cujo primeiro passo foi o Acordo sobre a Residência para Nacionais do Mercosul.
Nos pusemos de acordo quanto à necessidade de constituir mecanismos financeiros e monetários para dar novo ímpeto ao Mercosul. Uma maior coordenação macroeconômica entre o Brasil e a Argentina permite que comecemos a trabalhar imediatamente nesse sentido. Trataremos de ver com nossos Ministros da Economia e da Fazenda como estreitar essa coordenação, inclusive estudando formas de viabilizar um Instituto Monetário.
Decidimos, também, que vamos resolver as questões ainda pendentes da Tarifa Externa Comum, de modo a fazer avançar a União Aduaneira. Vamos eliminar gradualmente as fragilidades ainda presentes no Mercosul, e estaremos melhor preparados para negociar com outros países e blocos.
Os Governos dos quatro países membros do Mercosul enfrentarão, juntos, os desafios que se apresentam nas negociações da ALCA, da OMC e com a União Européia. Teremos a oportunidade de aprofundar essas conversas com os nossos sócios do Mercosul, na próxima cúpula de Assunção, na semana que vem.
As conversas entre os Presidentes do Brasil e da Argentina serão cada vez mais freqüentes e francas. Não teremos, a cada vez, a preocupação de anunciar grandes projetos e iniciativas. Nosso objetivo permanente será aperfeiçoar uma máquina que já funciona bem e corresponde aos interesses legítimos de nossos Governos, empresários e de todos os setores da nossa sociedade.
Presidente Kirchner, eu quero que Vossa Excelência saia do Brasil com a certeza absoluta de que o Governo brasileiro e o Presidente da República do Brasil têm a mais perfeita convicção de que a boa relação entre a Argentina e o Brasil é a razão primeira para o sucesso do Mercosul. De que a boa integração e a boa relação entre o Brasil e a Argentina podem despertar em nossos irmãos na América do Sul a idéia de que a integração deixa de ser uma palavra de discurso em campanhas eleitorais, para se tornar uma ação concreta do Governo argentino e do Governo brasileiro.
A integração não pode ser vista apenas do ponto de vista comercial. Ela tem que ser política, tem que ser econômica, tem que ser comercial. Tem que ser social e ao mesmo tempo comercial. Mas, para que haja essa integração, tão sonhada por Vossa Excelência, por mim e por outros governantes da América do Sul, é necessário que tenhamos em conta a necessidade da integração física do nosso continente. Não haverá integração sem estradas. Não haverá integração sem ferrovias. Não haverá integração sem pontes. Não haverá integração sem a convicção política dos dois Governos.
Penso que o Presidente da Argentina e o Presidente do Brasil têm, possivelmente, a mais extraordinária oportunidade, desde que a Argentina existe e desde que o Brasil existe, de tornar essa integração uma coisa efetiva e muito real.
Para isso, precisamos pensar na criação do Instituto Monetário, precisamos de um instituto social, precisamos pensar na criação de um Parlamento do Mercosul. E tudo isso já está mais ou menos encaminhado. E tenho certeza de que, se depender da minha vontade e da sua vontade, muitos que hoje são descrentes da importância do Mercosul haverão de reconhecer que o Mercosul será um grande centro de atração de novas relações com outros países do mundo.
Por isso, quero agradecer a Vossa Excelência a aceitação do meu convite para vir ao Brasil. Não tenho dúvida nenhuma de que a sua disposição, tanto quanto a minha, é a de trabalhar 24 horas por dia para que essa integração se torne real. E quero desejar-lhe boa sorte no seu Governo, porque a Argentina, como o Brasil, está precisando de muita sorte para que a gente possa fazer tudo que prometemos durante as nossas campanhas eleitorais.
Seja bem-vindo ao Brasil.

11/06/2003



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