Excelentíssimo Senhor Gonzalo Sánchez de Lozada, Presidente da Bolívia,
Senhores Ministros e Senhoras Ministras da Bolívia e do Brasil,
Meus amigos e minhas amigas,
Quero crer que a imprensa brasileira está se dando conta, nesses quatro meses, de quantas reuniões de trabalho nós já fizemos com os países da América do Sul. Possivelmente, no dia 27 de maio, terminaremos de conversar com todos os países, o que, na prática, significa que a integração da América do Sul não é mais uma integração sentimental. É uma política que queremos levar muito a sério. E muito mais feliz fico eu, quando percebo que há a concordância com todos os Presidentes com quem até agora conversamos.
Os encontros que hoje mantive com o Presidente Gonzalo Sánchez de Lozada foram extremamente proveitosos. É com prazer, portanto, que registro nossa decisão comum de aprofundar as já excelentes relações que unem nossos dois países, com vistas a convertê-los, nos próximos anos, em sócios íntimos e parceiros preferenciais.
O gás é elemento relevante em nossas relações, mas estamos convencidos de que deve ser apenas uma das inúmeras possibilidades de cooperação e negócios que se abrem entre nós. É do nosso interesse mútuo constituir malha de vínculos entre o Brasil e a Bolívia, similar a que já existe entre o Brasil e outros países da América do Sul, beneficiando as áreas dos transportes, do comércio, da cultura, dos investimentos, da vida fronteiriça, entre outras.
Quando conversamos sobre a integração física bilateral, ressaltamos a importância dos projetos considerados no âmbito da iniciativa para a integração da infra-estrutura regional da América do Sul e a relevância da mesma como elemento fundamental para a criação de um espaço econômico ampliado na América do Sul.
Isso não significa que estejamos subestimando a potencialidade de cooperação que se abre no setor energético. O Presidente Sánchez de Lozada e eu lembramos, a propósito, como as exportações de gás boliviano para o Brasil foram importantes para estimular estudos de projetos de desenvolvimento paralelo, entre os quais o desenvolvimento da indústria na região da fronteira.
Tenho-me referido às dificuldades que o Brasil e os demais países da região enfrentam na área das finanças e do comércio internacional. Foi a consciência de que essa situação nos é adversa que me levou a atribuir a mais alta prioridade de nossa política externa à América do Sul.
Estou plenamente convencido de que a criação de um espaço econômico mais amplo, baseado no comércio, em indispensáveis projetos de infra-estrutura e na busca da complementaridade econômico-comercial terá repercussões muito positivas, não somente para nós, como também para nossas relações, como região, com o resto do mundo.
Há passos concretos a serem dados, sobre os quais conversei com o Presidente Sánchez de Lozada. Nós nos pusemos de acordo, por exemplo, sobre a urgência de se avançar no processo de negociação de uma zona de livre comércio entre a Comunidade Andina e o Mercosul, o que possibilitará estabelecer um espaço econômico. A Bolívia está disposta, também, a coordenar posições, conosco e com os demais países da região, nas negociações da Organização Mundial do Comércio e da ALCA. Em relação a este último processo negociador, estamos convencidos de que os avanços devem levar em conta os diferentes níveis de desenvolvimento econômico dos países do Hemisfério e as enormes carências sociais desses países, as quais se agravaram em anos recentes.
Em nossa conversa, nós nos referimos também à instalação, em Brasília, da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, que nesta primeira etapa está sendo dirigida por um cidadão boliviano. Trata-se de um valioso mecanismo de coordenação política e de canalização de recursos extra-regionais para projetos de interesse de nossos dois países, na busca do desenvolvimento sustentável da região amazônica.
Quero também salientar que foi com muito orgulho e com muita satisfação que eu vi o Presidente Sánchez de Lozada afirmar que dará o seu apoio não apenas nas discussões de reformulação do papel das Nações Unidas, mas também apoio ao Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Isso, para nós, é muito importante, não apenas pela possibilidade concreta, mas, sobretudo, pelo grau de confiança demonstrado pelo Presidente da Bolívia.
Por isso, quero, na frente da imprensa brasileira, Presidente, agradecer o seu gesto e dizer que, se o Brasil for indicado como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, pode ficar certo de que o Brasil não irá envergonhar nenhum país da América do Sul.
Obrigado.

25/04/2003



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