Senhor José Alencar Gomes da Silva, Vice-Presidente da República,
Senhor Presidente do Senado Federal, Senador José Sarney,
Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal, Doutor Marco Aurélio,
Senhor José Viegas Filho, Ministro da Defesa,
Senhores Ministros de Estado,
Senhor General Francisco Roberto de Albuquerque, Comandante do Exército Brasileiro,
Senhores Comandantes da Marinha e da Força Aérea do Brasil,
Senhores Oficiais-Generais,
Senhoras e senhores,
Recebo a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar com a mesma emoção e satisfação que em meu lugar sentiria, justificadamente, todo cidadão brasileiro.
Ser hoje condecorado pelo Exército significa ser homenageado por uma instituição profundamente imbuída dos valores da democracia.
As Forças Armadas brasileiras dão hoje exemplo de compromisso com os procedimentos democráticos de escolha dos governantes e de integral participação no dia-a-dia do Estado de Direito do nosso país.
Se, para todo brasileiro, é extremamente honroso receber uma condecoração do nosso Exército, em meu caso essa honra adquire uma dimensão muito particular. Nela vejo uma homenagem não só a mim, pessoalmente, mas também, e sobretudo, um tributo ao processo de mudanças da sociedade brasileira.
Ela simboliza a maturidade do nosso sistema político e atesta a capacidade do povo brasileiro de encontrar caminhos de renovação, que agora serão aprofundados em benefício das camadas mais pobres da população e em prol da correção de nossas gritantes injustiças sociais.
É preciso um povo sadio para se ter uma nação forte e respeitada pelos outros países, que ocupe com dignidade seu lugar no mundo.
É imprescindível dispor das Forças Armadas devidamente equipadas e adestradas para garantir a nossa soberania e a nossa integridade territorial, assegurar nosso poder de dissuasão e contribuir para a paz e a segurança internacionais.
Evidentemente, os dois objetivos – o bem-estar do povo e a valorização das Forças Armadas – se complementam no fortalecimento da nação brasileira e de sua capacidade de defesa.
São muitos os desafios com os quais o Governo tem de lidar na tarefa de recuperação do Brasil. O fato de uma prioridade demandar, em determinado momento, a atenção mais próxima do Governo em nada compromete a importância que outros objetivos detêm, como é o caso do reaparelhamento e do reforço dos meios de defesa. Vamos enfrentar cada desafio a seu tempo, e não deixaremos de enfrentá-los, um a um.
Vivemos uma época de contenção orçamentária. Devemos sacrificar-nos para buscar o equilíbrio das contas públicas e temos grande urgência em combater a miséria e a exclusão social. Para a defesa adequada do Brasil, precisamos de bons soldados, saudáveis e instruídos.
Podemos adiar temporariamente, mas não podemos postergar indefinidamente o reaparelhamento de nossas Forças Armadas. O Brasil tem fronteiras com dez países, todas elas pacíficas, e um enorme mar, livre de guerras. Mas há ações criminosas transnacionais que precisam ser prevenidas, vazios demográficos que precisam ser guardados, espaços aéreos que precisam ser vigiados e áreas marítimas que precisam ser patrulhadas. As Forças Armadas têm um dever essencial e, para cumpri-lo, têm de estar preparadas, equipadas e bem treinadas.
Constitui fonte de segurança para a nação brasileira contar com o profissionalismo, o desprendimento e a devoção do Exército e das demais Forças Armadas, como instituições de Estado, que são e devem permanecer sempre apartidárias.
É igualmente estimulante ver que elas se somam, de modo decidido, ao esforço de desenvolvimento social do Brasil, dispondo-se a integrar suas instalações e serviços às novas iniciativas nessa direção. Não causa surpresa que isso ocorra: na realidade, trata-se de aprofundar um trabalho social que o Exército e as demais Forças já fazem tradicionalmente, nos mais diversos rincões do país, muitas vezes sem a divulgação ou reconhecimento público que mereceria.
No esforço para a melhoria das condições de vida do povo, o Governo confia na contribuição de todas as Forças integrantes do Ministério da Defesa, cujos conhecimentos, presença territorial e formação social são trunfos dos quais não se pode abdicar. Espero essa contribuição em sua máxima extensão possível – no limite, naturalmente, da disponibilidade de meios e do respeito às funções essenciais das Forças Armadas, referentes à preservação da soberania e da integridade do território nacional.
Senhor Comandante do Exército,
Congratulo-me com a Instituição pelo senhor comandada, o Exército Brasileiro, que, em tempos de severa escassez de recursos, soube manter alta a tradição de dignidade, de coesão e de amor à Pátria que a caracteriza.
Agradeço-lhe também, sinceramente, e por seu intermédio a todos os integrantes do Exército Brasileiro, o gesto de agraciar-me com a mais alta comenda da Arma.
Esta comenda estará sempre a lembrar-me de que a unidade de propósitos, o espírito patriótico e o amor às causas públicas serão sempre o nosso Norte, o Norte de todos os bons brasileiros. Ostentarei a Grã-Cruz do Mérito Militar com essa consciência e com o mais profundo orgulho.
Viva o Brasil!

03/02/2003



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