Irã e América do Sul: comércio, energia e segurança, por Anaís Medeiro Passos, Camilla Corá & Raquel Tebaldi
A visita ao Brasil do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad em novembro de 2009 é a primeira visita de um chefe de estado iraniano ao país em 50 anos, e deve cumprir a promessa desfeita em março desse ano, quando o líder cancelou uma visita marcada ao país com poucos dias de antecedência e sem esclarecer totalmente os motivos de tal atitude. A visita faz parte de um roteiro pela América Latina, o qual inclui também Bolívia e Venezuela. De acordo com o embaixador do Irã, Mohsen Shaterzadeh, o encontro deve privilegiar acordos comerciais como, por exemplo, a compra de terras brasileiras por empresários iranianos, que estariam interessados em cultivar milho e soja para produção de etanol. Porém, Shaterzadeh também indicou interesses políticos por trás da visita, afirmando que o Brasil é uma das grandes potências econômicas do mundo, e que o governo iraniano acredita que a parceria facilitará a execução de reformas reais nas instituições internacionais, como a ONU (G1, 10/11/09). Leia mais…
O caso Angolagate: os interesses individuais nos conflitos internacionais, por Dirceu Bernardes Filho
Uma forma eficiente de analisarmos um problema é buscarmos uma explicação estrutural simples que satisfaça nossas indagações. É a chamada regra da parcimônia. Tal como utilizada pelos realistas clássicos, esta regra nos permite, através de uma análise do Sistema Internacional vigente compreender o porquê da deflagração dos conflitos, sejam eles internacionais ou, como no caso em estudo, uma guerra civil que refletia as forças exógenas dentro de um único Estado.
Porém, verificamos, muitas vezes, que tal regra não é suficiente para explicar de maneira plena a eclosão de certos conflitos, ou a continuidade destes. Verifica-se, por vezes, que o papel dos indivíduos é fator preponderante para o estabelecimento da paz ou continuidade da guerra, mesmo quando todos os demais níveis de causalidade, ou “imagens”, na expressão de Waltz, refletem o contrário. Leia mais…
Inocente a interpretação de que a visita ao Brasil de três líderes do Oriente Médio no intervalo de dias seja coincidência. Cálculo diplomático nacional e oportunidade aberta para os interesses nacionais no jogo de xadrez mantido a distância pelo poder de Washington explicam os fatos e as personagens que desfilam na capital da República nessas semanas animadas de novembro.
O Brasil vem se habilitando a ator global. Deseja estar mais próximo dos grandes temas, para além do emaranhado do primeiro círculo concêntrico da sua influência na América do Sul e das trilhas afro-asiáticas que engendrou na direção dos emergentes da ordem internacional multipolar e sincrética que se instalou no mundo. Os Estados Unidos caminham lentos na realização do prometido em política externa no onírico discurso da vitória eleitoral de Obama há um ano. Ao Brasil e aos Estados Unidos convém uma pauta de cooperação mais estreita. Chegou o bom pretexto, que começou com Shimon Peres, presidente israelense, e segue até o desembarque do chefe de Estado iraniano, Mahmud Ahmadinejad. Leia mais…
A Marinha do Brasil, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e a Universidade de Brasília, no contexto do projeto “O Brasil em missões de paz: inserção internacional, equipes integradas e ação no Haiti”, convidam para o 1o Seminário de Operações de Paz Pró-Defesa, a realizar-se nos dia 16 e 17 de novembro.
O evento se realizará na Escola de Operações de Paz do Corpo de Fuzileiros Navais Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo – CIASC Estrada do Quilombo, s/no – Bananal – Ilha do Governador. Informações adicionais podem ser obtidas nos endereços www.prodefesa.oppaz.mar.mil.br ou www.semoppaz.com.br .
O Instituto Rio Branco (IRBr) e o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (CESPE/UnB) comunicam que o candidato poderá solicitar a inscrição exclusivamente via Internet, no endereço eletrônico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2010, solicitada no período entre 15 horas do dia 10 de novembro de 2009 e 23 horas e 59 minutos do dia 13 de dezembro de 2009, horário oficial de Brasília/DF.
A queda do Muro de Berlim (1989) é um evento repleto de significados. O historiador Eric Hobsbawm o utiliza para delimitar o fim do século XX. Em termos geopolíticos, ou especificamente militares, ele demarca o fim da Guerra Fria. Para os Alemães, é o fim da divisão de seu país em dois e o início da unificação. Para os socialistas, foi a desintegração do monólito (conforme Boris Kagarlitsky denominou a derrocada do sistema soviético) e o emblema da ofensiva neoliberal que varreu o mundo nos anos 90 e tentou reduzir a pó as políticas de bem-estar social. Para os liberais mais teóricos, a queda significou a vitóriafinal (sic) do capitalismo (a exemplo de Fukuyama e seu fim da História). Para os liberais mais pragmáticos, foi um evento “pop” e seus 20 anos merecem uma comemoração que lhes dê a oportunidade de faturar com shows de rock, visitas de celebridades e garrafas de champanhe.
O Muro nasceu com um sério problema. Muros são feitos em geral para evitar que pessoas entrem, e não que elas saiam. Muitos foram erigidos contra aqueles que já foram chamadas de “bárbaros”, “inimigos” e, hoje, são denominados simplesmente “estrangeiros”. Tal é a diferença entre uma fortaleza e uma prisão. O Muro de Berlim tinha a curiosa missão de aprisionar os alemães orientais em seu próprio País. Ele estava mais para uma Bastilha do que para uma Muralha da China.
O Muro caiu feito um castelo de cartas. Em 9 de novembro de 1989, um velho dirigente do governo da Alemanha Oriental, Günter Schabowski, concedeu uma coletiva para anunciar a decisão tomada pelo Conselho de Ministros de suspender as restrições para os que quisessem viajar para o lado Ocidental. Decisão tomada, milhares de alemães se interessaram prontamente em cumpri-la. O “sem restrições” só tinha um pequeno detalhe a ser contornado: o Muro. Os guardas que tinham cumprido, durante décadas, a ordem de reprimir os que quisessem transpô-lo, viram-se emparedados a não contrariar o anúncio. Vinha abaixo um símbolo.
Como explicar tal fragilidade? Na verdade, o Muro vinha sendo solapado ao longo de muitos anos. Seu terreno estava minado antes mesmo de sua construção. O monólito soviético já iniciara sua desintegração quando a Iuguslávia de Tito e a China de Mao se afastaram da condição de países satélites da União Soviética. Se aprofundou quando ficou clara a cisão do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) promovida por Kruchev, que resultou na execração de Stálin, durante o XX Congresso do Partido.
O Muro caiu mais um pouco em 1979, ano da ofensiva no Afeganistão, que se transformaria num Vietnã para os soviéticos. Coincidentemente, foi também em 1979 quando Mikhail Gorbachev foi alçado ao Politburo, sob a proteção de Iuri Andropov. Adropov se tornaria, de 1982 a 1984, chefe do Estado soviético (formalmente, o cargo era o de Secretário-Geral do PCUS) e transformaria Gorbachev em seu herdeiro político.
A queda representa o fim de uma geografia acostumada a dividir o planeta em Primeiro, Segundo e Terceiro Mundos. Teria lugar um processo de formação de blocos econômicos e o surgimento de um pólo dinâmico do capitalismo que muitos consideram como sinal de um novo ciclo hegemônico (asiático, capitaneado pela China). O risco de destruição por um conflito entre as grandes potências foi mitigado, como claramente se viu na estratégia russa de sugerir a reorientação da OTAN (a antiga aliança militar ocidental montada contra o “perigo vermelho”) para uma rede de países interessados em combater o terrorismo.
O mundo é outro, desde que o Muro desapareceu. Isso não significa que seus dilemas e riscos sejam menores do que os do passado. Que o digam a queda das torres gêmeas e o ataque ao Pentágono, no 11 de setembro de 2001, a proliferação de redes terroristas (a Al-Qaeda é apenas uma delas), a ameaça nuclear latente e as crises econômicas sistêmicas, como a que abalou os mercados recentemente. Mas o fato do muro que dividia as Alemanhas ter sido derrubado tem um grande feito positivo: permitir que, daqui pra frente, se dê mais atenção aos muros que são feitos para tratar pessoas como bárbaros e inimigos. Esses também merecem ser derrubados um a um.
Antônio Lassance é Pesquisador do IPEA, doutorando em Ciência Política pela Universidade de Brasília – UnB (lassance@unb.br).
O Instituto Brasileiro de Relações Internacionais – IBRI anuncia o lançamento do número 2 do Volume 52 (2/2009) da Revista Brasileira de Política Internacional – RBPI, cujo sumário se apresenta logo abaixo.
Esta edição da RBPI traz as seguintes contribuições:
Artigos
- Efetividade do Órgão de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio: uma análise sobre os seus doze primeiros anos de existência e das propostas para seu aperfeiçoamento, por Marcelo Dias Varella
- O Brasil e a comunidade dos países de língua portuguesa (CPLP), por Shiguenoli Miyamoto
- O Itamaraty dos anos de chumbo – O Centro de Informações do Exterior (CIEX) e a repressão no Cone Sul (1966-1979), por Pio Penna Filho
- América do Sul: construção pela reinvenção (2000-2008), por Thiago Gehre Galvão
- Coréia – “Tigre” em turbulências, mistérios no norte, por Victor Sukup
- Las Memorias Del duque de Sully (o los avatares del primer proyecto de unión europea), por German A. de La Reza
- Os processos de partilha da soberania na União Européia, por Diego Santos Vieira de Jesus
- Gulliver na Amazônia e as aventuras do indigenismo nas Relações Internacionais, por Argemiro Procópio
- Protocolos de Montreal e Kyoto: pontos em comum e diferenças fundamentais, por Darly Henriques da Silva
- O poder militar como instrumento da política externa brasileira contemporânea, por João Paulo Soares Alsina Jr.
Resenhas
- O interesse e a regra: ensaios sobre o multilateralismo, por Leandro Freitas Couto
- El fascismo en el siglo XX. Una historia comparada, por Raúl Bernal-Meza
Assinaturas da RBPI podem ser feitas na Loja do IBRI, que se acessa aqui.
Artigos
- Efetividade do Órgão de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio: uma análise sobre os seus doze primeiros anos de existência e das propostas para seu aperfeiçoamento, por Marcelo Dias Varella
- O Brasil e a comunidade dos países de língua portuguesa (CPLP), por Shiguenoli Miyamoto
- O Itamaraty dos anos de chumbo – O Centro de Informações do Exterior (CIEX) e a repressão no Cone Sul (1966-1979), por Pio Penna Filho
- América do Sul: construção pela reinvenção (2000-2008), por Thiago Gehre Galvão
- Coréia – “Tigre” em turbulências, mistérios no norte, por Victor Sukup
- Las Memorias Del duque de Sully (o los avatares del primer proyecto de unión europea), por German A. de La Reza
- Os processos de partilha da soberania na União Européia, por Diego Santos Vieira de Jesus
- Gulliver na Amazônia e as aventuras do indigenismo nas Relações Internacionais, por Argemiro Procópio
- Protocolos de Montreal e Kyoto: pontos em comum e diferenças fundamentais, por Darly Henriques da Silva
- O poder militar como instrumento da política externa brasileira contemporânea, por João Paulo Soares Alsina Jr.
Resenhas
- O interesse e a regra: ensaios sobre o multilateralismo, por Leandro Freitas Couto
- El fascismo en el siglo XX. Una historia comparada, por Raúl Bernal-Meza
Azerbaijão – a geopolítica do romance de Ali e Nino, por Paulo Antônio Pereira Pinto
Já se tornou lugar comum dizer que a região ao Sul do Cáucaso, onde se situam Armênia, Azerbaijão e Georgia, é área de conflitos reais e potenciais, desde a extinção da URSS – a cuja União pertenciam – em 1991. Ademais, afirma-se, os povos desta parte do mundo nunca teriam sido capazes de viver em paz.
A confluência de interesses étnicos, religiosos, nacionais e internacionais antagônicos contribuiria para tal instabilidade. Daí, caberia esperar, apenas, a continuidade de disputas intermináveis e insolúveis. Novas teorias geopolíticas continuam, então, a ser formuladas ou ressucitadas para justificar este cenário de caos possível e permanente. Em contrapartida, registros históricos e obras literárias, como a narrativa sobre “Ali e Nino”, por exemplo, indicariam disposição regional no sentido contrário a tais interpretações. Leia mais…
O Departamento de História da Universidade de Brasília, a Embaixada da República Federal da Alemanha e o Goethe-Zentrum Brasília convidam para o Seminário “Além do Muro – 20 Anos da Queda do Muro de Berlim”, que se realizará na quinta-feira, 12 de novembro de 2009, no Auditório da Reitoria da UnB (não é preciso fazer inscrição).
Programa:
8.30 – Abertura
9.00 – Documentário: A Queda do Muro de Berlim
9.30 – Palestra do Prof. Dr. Edgar Wolfrum (Universidade de Heidelberg):
- Dois eventos que marcaram a época: Construção (1961) e Queda do Muro de Berlim (1989)
- Comentários: Estevão Martins e Wolfgang Döpcke (UnB)
14.30 – Mesa Redonda I: Muros simbólicos e reais
- Hartmut Günther (UnB): (I)mobilidade e (des)apego: Reflexões sobre um muro
- Gustavo Lins Ribeiro (UnB): A queda de todos os muros
16.30 – Mesa redonda II: O mundo após a queda
- Paulo Roberto Almeida (MRE): Um outro mundo possível: Alternativas históricas, antes e depois do muro de Berlim
- Virgílio Caixeta Arraes (UnB): Estados Unidos: da liderança eufórica à crise de confiança (1989-2009)
